Aeon Flux - O Filme(Aeon Flux)
Charlize Theron, Jonny Lee Miller, Frances McDormand, Jonny Lee Miller, Sophie Okonedo, Amelia Warner, Caroline Chikezie
Gale Anne Hurd
2005
EUA
92 minutos

Esta adaptação do desenho animado homônimo se passa 400 anos no futuro, quando uma doença dizimou boa parte da população do planeta. A cidade de Bregna é povoada por sobreviventes e comandada por um grupo de cientistas. A misteriosa justiceira Aeon Flux faz parte um grupo de rebeldes liderados por The Handler . Quando Aeon é enviada em uma missão entre o grupo de cientistas, ela descobre os segredos presentes nesse mundo dizimado.

Aventura, Ficção
Paramount
16/05/2006
Inglês, Português
  

 
 

É complicado quando um filme não é mostrado com antecedência para a imprensa, como este “Aeon Flux” (nem aqui, nem nos EUA), criando uma situação: 1) Onde automaticamente já se assume que o filme é ruim; 2) Cria má vontade com ele, e 3) Cabe a pergunta: o que é menos ruim? Críticas possivelmente desfavoráveis ou deixar o filme passar em branco, com certeza de fracasso, ainda mais por causa do título misterioso e a pouca publicidade.

Neste caso, o filme deveria ter sido mais bem vendido ao público indicado, que são os fãs de série de TV anime (animação) japonesa, ou seja, de quadrinhos e fantasia (que, por sinal, são fãs fiéis e entusiastas, espalhados por sites da internet, onde hoje em dia realmente se cria o boca-a-boca). Ou seja, como é alternativo em concepção (produção MTV, baseada em um desenho animado que começou como parte da série “Liquid Dreams”, em 1990, e depois se tornou uma série regular de TV em 1995, criada por Peter Chung), ela chegou a sair em vídeo no Brasil e já está saindo uma edição em DVD. “Aeon Flux” deve fracassar aqui também (nos EUA custou cerca de 55 milhões de dólares e não passou dos 25), simplesmente porque há uma rejeição a esse tipo de filme por grande parte do público (em particular, as mulheres). Aliás, como já sucedeu com “A Ilha” (este filme já foi descrito como “A IlhaencontraMatrix”).

Deixe-me abrir um parêntesis: a sessão que assisti estava muito vazia, o que me levou à conclusão de que poucos continuam indo ao cinema, e que os filmes do Oscar estão sendo o fracasso de bilheteria que se esperava, com exceção de “Brokeback Mountain”.
Muitos só estão em uma única sessão e em fim de carreira (fitas até acessíveis, como “Orgulho e Preconceito”, além de “Boa Noite e Boa Sorte”, e até mesmo algumas que nada tem a ver com o prêmio, como “O Matador”).

Ou seja, estamos caminhando para outro ano de fracassos.

Não acho que seja uma coisa ruim para os Oscars, que este ano assumiram sua condição de Academia de Artes e Ciências, optaram por filmes de arte, independentes, mais sérios e polêmicos, que obviamente iriam render menos dinheiro. Que fique claro que qualidade nada tem a ver com sucesso de bilheteria.

Voltando ao filme, esta adaptação é dirigida por uma mulher, Karyn Kusama (que havia estreado com filme premiado em “Sundance, Girlfight”, que foi precursor de “Million Dollar Baby”. O título nacional que achei foi “Boa de Briga”). Não faz diferença. No roteiro, eles mudaram bastante coisa. No original quase não havia diálogos (aqui não são muitos, mas o suficiente para entender-se a trama). Houve críticos americanos que reclamaram que não compreenderam nada. Besteira deles. O filme é perfeitamente lógico, até com certas pretensões shakespeareanas, com traições, reuniões de gabinete, lealdades e velhas paixões explicadas ao final. Na série de TV não se ficava sabendo nem sequer o que motivava Aeon (Charlize Theron), nem qual sua relação com Trevor Goodchild (houve capítulos onde todos morriam, menos os dois, e outros onde Aeon morria no fim de cada um!). Ou seja, era cult e obscura por definição. Aqui ainda há certas coisas nebulosas, que mereciam maior clareza (por exemplo: que organização é aquela em que as pessoas se reúnem a partir de pílulas no estomago!

Dá para aceitar como fantasia, mas não se deixa claro sua causa e sua motivação, talvez até pensando em continuação, que certamente não irá acontecer). Como também não fica muito clara a finalidade e utilidade da parceira de Aeon, Sithandra (a indicada ao Oscar por “Ruanda”, Sophia Okoneko) ter tirado os pés e substituído por outro par de mãos! E mais detalhes assim.

É bom explicar que a história se passa daqui a quatro séculos, em 2415. Segundo eles, em 2011 quase toda a humanidade foi varrida por um vírus mortal. Agora, os sobreviventes num regime totalitário num lugar chamado Bregna, onde têm tudo mas estão sujeitos a ataques de melancolia e sonhos estranhos (o filme lembra também o cult "Fuga do Século XXIII"). Aeon é uma assassina/terrorista fria e muito bem equipada, que trabalha para a organização chamada Monicans. Sua missão é matar o cientista que salvou eles todos, Trevor Goodchild, que seria o benigno ditador do lugar, mal aconselhado por seu irmão Nero (que deseja seu posto e se revela mau-caráter). Mas quando o encontra, os dois parecem se reconhecer, o que faz com que mude de planos e procure se reajustar à situação, provocando assim a impressão de que é uma traidora.

Enfim, não gostaria de explicar mais além de que o filme procura seguir o visual estilizado do original (a seqüência da mosca no começo é uma citação literal), e que a bela Charlize tem uma atuação atlética (o filme teve que ser interrompido por um mês, porque ela se machucou insistindo em fazer grande parte dos movimentos de ginasta).

Ainda que, dramaticamente, esteja melhor do que em “Terra Fria”, que lhe deu outra indicação ao Oscar. O resto do elenco tem curiosidades, como Frances McDormand fazendo a chefe dos terroristas (ela também está em “Terra Fria”, ao lado de Charlize) de cabelo arrepiado de bruxa. E ainda uma aparição marcante, como o jardineiro de Trevor, do filho de Klaus Kinski e irmão de Nastassia, o exótico Nikolai Kinski. O vilão é Jonny Lee Miller, ex-marido de Angelina Jolie.

Não me lembrava do galã do filme, que é o alto (1,91 m), o neozelandês de origem húngara, Marton Csokas (o nome se diz Cho-Kash), que esteve em “O Senhor dos Anéis”, “Supremacia Bourne”, “Linha de Tempo”, “Kangaroo Jack”, “Triplo X” e até “Star Wars - O Ataque dos Clones”. Ele fotografa como uma mistura de Kevin Spacey e Clive Owen.

Sem dúvida, esquisito, “Aeon Flux” está longe de ser o desastre que apregoaram. Pessoalmente até achei interessante e divertido.

Mas admito que não seja para todos os gostos. Mas é uma fantasia/ficção cientifica com algo a dizer. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de 14 de março de 2006)

Agora é a Paramount que entra na “onda” de exibir trailers antes da entrada do menu principal, com um “teaser” de “Missão Impossível 3”.

Comentários de Charlize Theron e da Produtora Gale Anne Hurd

Comentários dos Roteiristas Phil Hay e Matt Manfredi - Ambos os comentários são legendados e agradam aos que apreciam este tipo de extra, repleto de curiosidades para quem tem paciência de assistir ao filme mais de uma vez.

Criando um Mundo – making of com 20 minutos, tradicional e obrigatório. Bem editado e informativo, com boas imagens de bastidores e informações técnicas.

As Locações de Aeon Flux – neste outro pequeno documentário há boas informações sobre a Cenografia do filme, com uma grande curiosidade nos seus 14 minutos: o cenário foi baseado na Arquitetura de Brasília!

As Cenas de Ação – aqui o enfoque, com 9 minutos, é nos bastidores das cenas de ação e seus efeitos especiais, além da preparação dos atores.

Os Figurinos – como o próprio títulos sugere, o documentário de 13 minutos informa detalhes da produção das vestimentas a ambientação do filme.

A Arte do Fotógrafo – aqui há um depoimento do Diretor de Fotografia Jason Bolin, com boas informações mais técnicas do filme, nos seus 3 minutos e meio de duração.

Trailer de Cinema (sem legendas)

Um filme que poderia render mais, mas que acaba decepcionando aos fãs dos quadrinhos e da série de animação exibida e produzida pela MTV. Mas a sua qualidade técnica é muito boa, com uma ótima imagem e áudio muito bem distribuído nos seus 5.1 canais, com boa dublagem em Português, mantendo a qualidade. Os extras, são vários “making of” temáticos, além do trailer sem legendas (virou moda!), com bons menus animados. Esta versão nos foi fornecida sem saber se é a mesma para a locação e venda do DVD. Mas vale para os fãs, especialmente de Charlise. Para os que conhecem os quadrinhos, fica a dúvida e polêmica.
 
Por Edinho Pasquale em 23/05/2006
Você recomendaria este DVD ? Sim Não  


Sim = 65.12%
Não = 34.88%