Coisa de Mulher
Juan Alba, Hebe Camargo, Eliana Fonseca, Renata Fronzi, Adriane Galisteu, Evandro Mesquita
Eliana Fonseca
2005
Brasil
97 minutos

Cinco mulheres: Catarina, cansada do casamento; Mônica, pudica que sonha em casar virgem; Mayara, quer ser mãe a qualquer custo; Dora, recém-separada e aberta a novas experiências e Graça, quer vencer profissionalmente. Todas moram no mesmo edifício de classe média, e vão se ver às voltas com um novo, charmoso e enigmático morador: Murilo, que atravessa uma fase difícil na vida. Sem dinheiro, ele se submete a escrever para uma revista feminina. Sua coluna é um verdadeiro fiasco até que ele se muda para o edifício Atenas, onde conhece nossas heroínas e torna-se um verdadeiro espião de seus pensamentos e emoções. Muitas surpresas e risadas. Isso é Coisa de Mulher!

Comédia
Warner
15/02/2006
Português, Espanhol
  

 
 

Era uma coisa lógica: já que existe a Globo Filmes, cabia a outras redes de TV criarem também sua produtora/distribuidora de filmes nacionais, aproveitando o poder de marketing que têm, através de chamadas e comerciais. Também era de se esperar que elas fossem incompetentes e metessem os pés pelas mãos, como já sucedeu com a Record e o filme de Eliana (que ainda não consegui ver, mas as referências são pavorosas). Agora chegou a vez do SBT Filmes errar, com esta pornochanchada que faz lembrar uma antiga tentativa de Silvio Santos fazer cinema (chamava-se Ninguém Segura Essas Mulheres, de 76) e que, considerando a época e diferenças técnicas, era até melhor que esta. Ao menos mais digna.

Não tenho a menor simpatia pelo grupo chamado Grelo Falante (palavra que, de outra maneira, seria censurada num veiculo de comunicação) que, parece, fez um mal-sucedido programa na Globo, “Garotas do Programa”. Basta constatar que tudo no filme tem duplo sentido, toda frase contém uma besteira que, supostamente, tem alguma graça. Tentei anotar algumas, por exemplo: Bem Adotado, em vez de Bem Dotado, Você já está pensando Grande!, Que Cabeça, Que Tronco, Que Membro! Há outras pérolas que preferi esquecer, porque estava ocupado demais em tentar achar alguma qualidade, numa comédia totalmente rodada em locações, em ambientes apertados, que são tão horrivelmente decorados, que parecem as novelas mexicanas que justamente o SBT exibe (o da Galisteu com aquelas listas amarelas é o campeão). Ou seja, o mau-gosto impera em tudo. E, francamente, as quatro senhoras que compõem o grupo não têm tipo para cinema, ao menos não para fazerem mocinhas e heroínas.

Na verdade, nem tudo é horrível. Evandro Mesquita é sempre muito esforçado, tentando fazer um personagem completamente absurdo, ainda mais para quem conhece como funciona uma revista. Ele é um jornalista que vive de escrever uma coluna para uma revista feminina, usando o pseudônimo de Cassandra (claro que uma coluna paga tão mal que ele tinha mesmo que estar morrendo de fome). Não está dando certo até quando ele se muda para um apartamento e passa a gravar as conversas das mulheres e transcrever suas idéias. Fica tão famoso que acaba indo ao programa da Hebe, onde tem que aparecer vestido de mulher (o travesti é óbvio) e acaba defendendo os direitos femininos. Está certo que é comédia e a gente não pede realismo. Mas exige risadas. Teve um ou outro momento de pastelão em que até abri um sorriso, mas o nível era tão baixo (mas não rasteiro, não chega a ser grosseiro), que ficou difícil encarar o filme. Para Adriane Galisteu, uma pessoa que eu gosto e acho talentosa, bastava a diretora dizer uma coisa: menos, menos. Ela simplesmente não combina com as outras.

Enfim, é uma tentativa equivocada de penetrar no universo de “Sex and the City”. E um mau começo para o SBT Filmes. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de outubro de 205)

Making Of – Com mais de 15 minutos, não foge do trivial, mas até obrigatório: entrevistas, cenas de bastidores e, no caso do cinema nacional, ainda conta a dificuldade em se fazer um filme por aqui. Um pouco acima da qualidade considerada normal para este tipo de extra.

Galeria de Fotos – 21 fotos, na sua maioria de bastidores.

Erros de Gravação – um clipe com mais de 5 minutos, que mostra desde erros normais para atores veteranos, até erros bobos de atores amadores, como Galisteu.

Trailer

Tecnicamente o DVD tem imagem com alguma compressão e até falta de definição, um problema já constatado em outros filmes nacionais. Será que é um problema de custo? Se bem que esta observação é para os mais exigentes, o “grande público” provavelmente nem notará. Isto se agrava ainda pois o formato está no malfadado “letterbox”, que não agrada a quem investiu numa TV em wide e não prejudica o ainda grande público que tem uma TV convencional. Só não dá para entender o porquê, seria tão fácil fazer em wide anamórfico... O áudio não chega a comprometer e está disponível tanto para quem tem uma TV com 2 canais como para quem tem um sistema em multicanais, 5.1. os extras, banais, mas até melhores que o próprio filme. Um DVD que pode agradar apenas aos fãs de Adriana Galisteu ou que nõ se importa com um cinema de qualidade, apenas um entretenimento na falta do que fazer. Muito incoerente e fraco, alugue se não tiver mais nada nas prateleiras. E compre se for fã dos atores e olhe lá!
 
Por Edinho Pasquale em 03/05/2006
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