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| Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha, Hugo Carvana, Francisco Milani, Paulo Gracindo, Danusa Leão |
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| Esta Edição Especial em DVD duplo, apresenta a versão totalmente restaurada de Terra em Transe, e mais de duas horas de extras, incluindo o documentário inédito Depois do Transe de Paloma Rocha e Joel Pizzini, que traz raro material de arquivo, incluindo o lendário debate no MIS - Rio de Janeiro (1967), entrevistas com elenco e equipe, e sobras de montagem.
Terra em Transe é um espetáculo poético, sobre o transe político pelo qual passam os países da América Latina. Considerado o mais importante e polêmico filme de Glauber Rocha e um dos percursores do Cinema Novo e do movimento tropicalista, Terra em Transe tournou-se um clássico do cinema moderno, tendo conquistado, entre outros, o Prêmio da Crítica Internacional no Festival de Cannes de 1967. |
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Inglês, Português, Espanhol, Francês
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A reposição
em cartaz de Terra em transe (1967), um dos filmes básicos
rodados no ferver do Cinema Novo pelo cineasta brasileiro Glauber
Rocha, vai permitir ao espectador de ontem e de hoje constatar
a eterna violência estética desta realização
que, utilizando elementos e observações de sua época
(a década de 60 do século XX), compôs um
retrato do próprio futuro do Brasil, que são os
dias de agora (os primeiros passos do novo milênio). Há uma
cena em que Sara, a mulher que carrega a consciência narrativa,
diz a Paulo Martins, jornalista e poeta que concentra as contradições
de nosso intelectual, que “a política e a poesia
são demais para um só homem”. Glauber é Paulo
Martins ao transformar Terra em transe em poesia e política;
a loucura e a desordem do filme vêm desta fusão
terrível, frases marxistas e grandiloqüência
existencial se misturam em diálogos que são autênticos
recitativos barrocos (bem ao jeito baiano, revelador das origens
de Glauber); as imagens, atormentadas, igualmente misturam um
delírio extraído de Karl Marx com o samba orgíaco
nacional.
É
verdade que Terra em transe, com o fluir das décadas,
viu sua obscura linguagem adquirir uma certa rigidez clássica
que clareou certos episódios aos olhos do observador.
Mas não perdeu sua força interna revolucionária:
isto vem de que a luz e o plano cinematográfico de Glauber
eram propositadamente sujos, terceiromundistas, marginais. Ele é o
oposto do paulista Walter Hugo Khouri, que era um discípulo
do italiano Michelangelo Antonioni: um filme de Glauber é gritado,
não-somente nas interpretações com vozes
e gestos mas ainda na imagem, que despreza o rigor formal e busca
a flutuação estilística. Nossa reação
eterna diante do que é mostrado em Terra em transe é de
desamparo: não temos por onde agarrar-nos. Hoje talvez
entendamos melhor o que Glauber quis dizer com sua inventada
El Dorado e suas personagens delirantes. Mas isto não
ajuda muito: a insegurança trazida pelo contato com os
sons multifacetados da narrativa segue existindo; e perturba,
joga-nos no abismo. O
problema não é ordenar em nosso cérebro
as questões deste fictício país que nos
anos 60 foi tido por uma metáfora do Brasil: El Dorado
vive perturbações políticas em que um intelectual
perdido hesita entre o charme de Porfírio Diaz e a demagogia
politiqueira de Felipe Vieira enquanto um empresário nacional,
Julio Fuentes, articula negociatas com políticos e empresas
estrangeiras. Em Terra em transe tudo isto é um caos:
não há como ordenar, a câmara de Glauber
espia mais de uma coisa ao mesmo tempo, há discursos que
se superpõem e o dizer de Porfírio (que no poder
vira ditador), ao ser coroado no fim do filme, “aprenderão,
aprenderão. Dominarei esta terra, botarei estas histéricas
tradições em ordem”, é utópico,
nem um artista como Glauber nem os ditadores nacionais lograram
dar coerência e forma ao histerismo nacional. Desconsolado,
Glauber preferiu, em Terra em transe, o esforço de deixar
na tela a própria histeria.
Sabe-se
que Terra em transe continua a ser um filme do futuro. Um futuro
que agora chegou. Numa das muitas desarvoradas e multiformes
cenas que Glauber foi filmando como se estivesse tocado de um
vento inconstante, um indivíduo do povo, chamado Jerônimo,
começa a articular suas reivindicações referindo
seu desempenho como sindicalista para falar em nome povo, então
Paulo, o intelectual, sai do fundo do plano para junto de Jerônimo
tapando-lhe a boca com a mão, interrompendo suas frases.
Paulo dirige-se para a câmara (que é subjetivamente
o espectador) e questiona: “Você vê o que é o
povo? Um imbecil, um analfabeto, um despolitizado. Vocês
já pensaram Jerônimo no poder?” Quase quarenta
anos depois, o povo brasileiro tem a oportunidade de ver Jerônimo
no poder. Profético Glauber! (Eron Fagundes)
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Neste DVD duplo, há um extra bem interessante no primeiro disco, chamado de ”Restauração”, com 19 minutos, explicando cada etapa da difícil restauração do cinema nacional, com absoluta falta de apoio à cultura do país. Só com luta e patrocínios, depois de quase “implorar” para a iniciativa privada. Tirando os graves defeitos da memória nacional, há um importante informativo de como se preserva um filme e como se transfere uma película para a mais moderna tecnologia de hoje, o DVD. Assista a cada segundo, vale cada informação, independentemente se você gosta ou não do filme. Já no segundo disco, há mais extras interessantes:
Documentário "Depois do Transe" – dividido em 12 capítulos, um mais interessante do que o outro, trás depoimentos de Fernando Gabeira, Jânio de Freitas, Sérgio Augusto e Hugo Carvana, dentre outros. Uma delícia, com mais de uma hora e meio de depoimentos, entrevistas com Glauber, imagens de arquivo, bem editado, um extra que, se fosse realizado em outro país, poderia ser produzido separadamente do DVD do filme, tal a sua importância para o cinema.
Curta-Metragem "Maranhão 66" - mais uma raridade, sem “endeusar” Glauber, interessante por ter sido realizado já na obscura fase da ditadura militar que fomos vítimas, enfocando, nos seus 10 minutos, a posse do então Governador José Sarney. 40 anos se passaram e o cenário político do país não se alterou, veja o documentário e tenha esta infeliz certeza.
Trailer de Cinema
Galeria de Fotos - são 4, cada uma mais interessante que a outra: “Fotos de Cena” (10), “Fotos de Bastidores” (10), “Álbum de Fotos” (3) e “Pasta de Fotos – Arquivo do MAM” (mais 7, de bastidores).
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Goste, ame ou até odeie, é inegável a importância de Glauber Rocha para o cinema nacional. Este DVD, quase que impecável, nos trás um de seus mais importantes filmes. A imagem está praticamente perfeita, mesmo que estando no formato “letterbox”, contraio do que é informado na embalagem, que diz ser “standard” (tela cheia para TV convencional. O filme está no formato 1:66:1, com as tarjas em cima e abaixo. Prejudicando quem tem TVs em widescreen. Para quem tem uma TV convencional, nada influi. Mas a imagem está limpa, sem imperfeições perceptíveis. O áudio, também limpo, está adequado. Os extras são importantes para a nossa memória do cinema, imperdíveis. No geral, um DVD quase que primoroso, não deixe de pelo menos dar uma olhada (sem pré-conceitos). Para os entusiastas de Glauber, obrigatório. Para os fãs do cinema, idem. |
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Por Edinho Pasquale em 03/05/2006 |
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