Casa de Areia
Fernanda Montenegro, Emiliano Queiroz, Fernanda Torres, João Acaiabe, Haroldo Costa, Enrique Díaz, Camilla Facundes, Stênio Garcia, Ruy Guerra, Nelson Jacobina, Seu Jorge, Jorge Mautner, Luiz Melodia
Andrucha Waddington
2005
Brasil
116 minutos

A saga de Áurea começa em 1910, quando, em busca de um sonho que nunca lhe pertenceu. Ela chega em caravana a um enorme labirinto de areia no Maranhão, Nordeste do Brasil. À procura de terras que o marido, Vasco, acredita serem prósperas, ela se vê condenada à vida num lugar inóspito, tendo como única companhia feminina sua mãe, Dona Maria. Grávida e inconformada com o destino, a mulher faz de tudo para encontrar uma saída. Mas o tempo vai pouco a pouco transformando essa história embalda por profundos sentimentos, que vão do desespero à plenitude.

Drama
Sony Pictures
11/04/2006
Inglês, Português,
Espanhol
  

 
 

A lista de produtores reúne o que há de melhor na área: Globo Filmes (assina Daniel Filho), Luciano Huck, Lucy e Luiz Carlos Barreto, Conspiração, Columbia, Walter Salles. O que nos leva a perguntar: será que nenhum deles foi capaz de dizer que havia algo errado com o filme, antes dele ficar pronto? Será que ninguém foi capaz de dizer que era uma má idéia misturar as duas Fernandas, mãe e filha, alternando papéis? Que isso iria provocar uma enorme confusão na cabeça do espectador comum, que já não anda muito esperto mesmo.

Deixa eu tentar explicar. Fernandinha faz a heroína, que é casada com um português (Ruy Guerra), que compra terras num areal, mudando-se para lá grávida (de uma menina que irá nascer depois) com a mãe dela (Fernanda mãe, para não ser indelicado e chamar de Fernandona). Só que o marido morre num acidente, os empregados fogem e as duas ficam sozinhas e ilhadas naquele lugar, sem conseguir escapar ou fugir. A sensação que se tem é que, trata-se de uma alegoria porque obviamente:

1- Ninguém vai morar em areal onde tem somente dunas;

2- Como não se trata do deserto do Sahara, não é possível que alguém não consiga fugir de um lugar desses simplesmente seguindo o litoral. Isso leva a crer que se trata de um drama alegórico sobre a árida existência humana, condenada a viver num lugar onde as areias são mutáveis (não se vê ventos ou tempestades). Até lembrando um filme famoso, o japonês A Mulher de Areia (1964) de Hiroshi Teshigahara.

De qualquer forma, não há uma cronologia clara, nem uma passagem de tempo marcada. No meio do filme, aparentemente a mãe morre (não se vê) e se troca o elenco. Fernanda mãe assume o papel que era da filha e Fernadinha passa a interpretar sua filha (que antes era de uma garotinha). Como se não fosse suficientemente confuso, o filme culmina com Fernandona contracenando com Fernandona (que assume logo os dois papéis). O mais irônico de tudo é que nenhum deles lhe dá maior chance de um desempenho memorável.

Certamente incômodo de filmar. Mas não marcante. O que é complicado, porque se trata de um projeto em família, pois o diretor Andrucha Waddington é casado com Fernandinha e sócio do outro filho de Fernanda, Cláudio Torres. Mas essas mudanças irão causar estranheza na platéia e eventualmente o fracasso do filme, que por sua vez acumula outros problemas: uma narrativa lenta e sem ritmo, trilha musical inexistente (a heroína diz que sente falta de música e no final, traz um gravador com uma música clássica tocada em piano, que irá encerrar a fita). Mesmo a fotografia (belas imagens dos Lençóis Maranhenses) poderia ser mais requintada e apurada.

O resultado acaba sendo um filme penoso, mal-resolvido, prejudicado também por um trailer nada atraente.

Foi programado para estrear junto com uma possível exibição em Cannes (mas o festival não quis a fita). (Rubens Eald Filho na coluna Clássicos de 23 de maio de 2005)

Making Of: com mais de 51 minutos, este documentário mostra de tudo um pouco:desde os tradicionais depoimentos dos atores e equipe técnica até cenas de bastidores e erros de gravação. Muitas curiosidades e informações complementares ao filme. Bem legal, embora sem ”seqüências lógicas”.

Trailer: original, que não deve ser assistido antes do filme em si.

Um filme mediano da “família “Montenegro”, que peca por uma edição não condizente e falta de Direção ao não explorar o potencial dos atores. O DVD acompanha essa média, ou seja, tem, por exemplo, o formato de tela do cinema, mas não otimizado para quem tem TV em wide. Para a grande maioria que tem uma TV convencional, não faz diferença, mas... O áudio está bem tratado, mas não exuberante. Os menus são bem legais, animados e conforme o tema dói filme. Os extras, embora mínimos, são de boa qualidade. Um DVD a ser visto, mesmo que com ressalvas. Que poderia ser melhor, disso não há dúvidas. Que desperdício de “Fernandas”...
 
Por Edinho Pasquale em 16/04/2006
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