Terra dos Deuses(The Good Earth)
Paul Muni, Luise Rainer, Walter Connoly, Tilly Losch, Charley Grapewin
Idney Franklin
1937
EUA
137 minutos

O pobre camponês chinês Wang (Paul Muni) casa-se com Olan (Luise Rainer), uma escrava da "Grande Casa", e começa a criar uma nova família. Quando a fome passa a assolar seu povo, ele leva a sua família para o sul da cidade à procura de trabalho. Olan fica ao seu lado durante os tempos difíceis, e a revolução chega para ajudá-los a conseguir dinheiro suficiente para que retornem ao seu povoado, no norte do país. Ao retornarem o trabalho árduo continua, mas Wang passa a tornar-se um fazendero próspero. Neste momento, seus olhos caem sobre uma bela jovem, e Wang acaba apaixonando-se pela moça. As indiscrições da jovem em relação ao filho de Wang, agora um belo e crescido moço, causam rixas familiares, mas sua esposa Olan permanece devota. Quando a vida parece tomar um caminho certo, uma nova ameaça aparece: uma praga de gafanhotos.

Drama
Classicline
16/02/2006
Português
 
 
 

O filme foi o derradeiro projeto realizado por Irving Thalberg, vice-presidente e supervisor de produção dos estúdios da Metro Goldwyn Mayer e nos chega em DVD pela Classicline. Thalberg morreu prematuramente antes da estréia e o filme lhe é dedicado antes dos letreiros iniciais: “á memória de Irving George Thalberg nós dedicamos este filme, sua última grande realização". Dirigido por Sidney Frankllin, um dos diretores que a MGM mais prestigiava e também produziu filmes importantes do estúdio, como Rosa de Esperança (1942), de Willyam Wyler, é uma adaptação de livro de Pearl Buck, escritora especializada em temas chineses. Foi um grande sucesso e então a segunda produção mais cara da Metro desde a primeira versão de Ben Hur, em 1925. Em 1945 a Metro quis repetir o sucesso, com A Estipe do Dragão (Dragon Seed), também baseado em livro da autora, tendo Katharine Hepburn e o turco Turhan Bey nos papeis principais.

Para os dois papéis centrais foram escolhidos os nada orientais e sim austríacos Luise Rainer, ela vienense e Paul Muni. Conta a história de um camponês, Wang e sua mulher, Olan , ele mais sonhador e deslumbrado, ela mais pragmática (quando ele joga fora os restos de um pêssego, ela recolhe a fruta, semeando-a dará frutos). A felicidade deles é em ciclos, perdem as terras pela seca, as recuperam, ele prospera tornando grande proprietário mas depois toma uma concubina (Tilly Losch), tem conflito com o filho etc.

Um dos grandes momentos, que nunca esquecemos quando assistimos o filme na reprise e revimos agora é a da fuga da seca, se vendo corpos de gente e animais mortos. A seqüência mais famosa é a da invasão de gafanhotos, que certamente teria ganho o Oscar® de efeitos especiais, se na época existisse essa categoria. Mas de qualquer forma o filme recebeu o de fotografia, esta de Karl Freund, o iluminador de Metrópolis, de Fritz Lang.

A notar ainda a seqüência da revolta, em que Olan escapa duas vezes de morrer, uma quando pisoteada pela multidão, cena essa que consta dos extras da versão em DVD americana. Uma bela cena é a do nascimento da criança, em elípse, vendo-se o interior da cabana e a sombra das árvores sacudidas pela tempestade, até o amanhecer e o choro do bebê. Por seu desempenho Luise Rainer recebeu o seu segundo Oscar® consecutivo.

O ano anterior (1936) já o havia ganho (talvez por sua cena ao telefone) por Ziegfeld, o Criador de Estrelas. Com essa segunda estatueta ela derrotou a favorita, Greta Garbo, em A Dama das Camélias, além de Barbara Stanwyck no melô Stella Dallas. Nos extras americanos ela aparece recebendo o Oscar®. Consta também um curta metragem musical bizarro, com motivos principalmente chineses. (Carlos M. Motta)

Nenhum

A Classicline tem, como objetivo, lançar apenas filmes antigos, num mercado competitivo dentre os grandes estúdios, através de brechas de distribuição internacional. Talvez até por isto, tenha lançamentos importantes como este numa edição simples, porém, com boa qualidade técnica (melhor do que pelo menos uma de suas concorrentes nesta área, a Califórnia, que não se preocupa com qualidade). Aqui a imagem está bem boa, com poucos “artefatos” aparentes (aquelas manchas brancas), com boa qualidade de compressão e conversão para o formato digital. O áudio não compromete, mantendo a trilha original, sem grandes ruídos, apesar de estar em apenas um canal. O que realmente faz falta são os extras, disponíveis em algumas versões internacionais, principalmente a americana. Mas é um filme que deve ser assistido, principalmente para quem gosta do verdadeiro cinema, com grandes interpretações e cenas antológicas. Imperdível para colecionadores (a não ser que alguma outra distribuidora lance o filme com os extra adequados).
 
Por Edinho Pasquale em 04/05/2006
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