Star Trek(Star Trek)
Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, John Cho, Anton Yelchin, Simon Pegg, Eric Bana, Bruce Greenwood, Winona Ryder, Leonard Nimoy
J. J. Abrams
2009
EUA
126 minutos

Star Trek é uma explosão de puro espetáculo cinematográfico e um irresistível convite à diversão. O impetuoso e renegado James Kirk (Chris Pine) e o igualmente jovem, meio vulcano, meio humano, Spock (Zachary Quinto), estão entre os jovens membros de uma tripulação principiante da Frota estelar, prestes a lançar a mais avançada nave espacial já criada: a U.S.S. Enterprise. Durante a incrível viagem galáctica para explorar o espaço, eles conhecerão o diabólico Nero (Eric Bana), cuja missão de vingança ameaça toda a humanidade. Com esta Edição Especial com dois discos, contendo, além do filme de tremendo sucesso, extras especiais totalmente novos, você vai viajar pelos bastidores e mergulhar no empolgante universo cheio de ação de Star Trek, como nunca experimentou antes.

Ficção, Ação
Paramount
04/11/2009
Inglês, Português
  

 
 

Mais de quatro décadas após o lançamento da Série Clássica de JORNADA NAS ESTRELAS, a franquia da Paramount, verdadeiro patrimônio da cultura pop, parecia morta e enterrada. Restritas a um nicho de público, as mais recentes produções para TV e cinema, capitaneadas por Rick Berman e sua turma, não agradavam nem mesmo aos mais fanáticos trekkers. Isso até que em 2006, com o relançamento das aventuras da nave Enterprise em alta definição, foi anunciado o início da produção de um novo filme a cargo de J.J. Abrams.

Abrams, criador de algumas das séries de TV mais interessantes deste novo século (ALIAS, LOST, FRINGE) e assumidamente um fã de ficção científica, parecia a escolha certa para esta missão aparentemente impossível (coincidentemente, o primeiro filme que dirigiu foi MISSÃO IMPOSSÍVEL III, também para a Paramount). Isso porque a idéia era fazer um filme que extrapolasse o atual nicho de JORNADA NAS ESTRELAS e colocasse a franquia no patamar dos grandes blockbusters do verão americano. E deu certo - se este STAR TREK (título simplesmente em inglês, sem tradução em nenhum lugar do mundo) não foi o filme mais rentável da temporada, foi considerado pela maioria da crítica especializada como o melhor.

Depois do atribulado e caro JORNADA NAS ESTRELAS – O FILME (1979), nenhum dos outros nove longas tiveram um tratamento de superprodução. Mas isto mudou no novo STAR TREK, que recebeu um generoso orçamento de U$ 150 milhões que vemos estampado na tela – seja nos excelentes efeitos visuais da ILM, seja nos elaborados cenários e paisagens deslumbrantes. O desenho de produção buscou manter elementos tradicionais da SÉRIE CLÁSSICA (como o design da nave e dos uniformes), porém “atualizados” com uma estética retrô. Indiscutivelmente, um filme bonito.

Em STAR TREK Abrams contou com o auxílio de alguns dos seus colaboradores habituais para ajudá-lo na empreitada, como os roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman (MI III, TRANSFORMERS) e o compositor Michael Giacchino, e com eles decidiu retornar às aventuras do Capitão Kirk e da tripulação da nave estelar Enterprise – as que são mais conhecidas pelos não-trekkers. Mas para não ficar preso aos eventos já mostrados na série e nos filmes, a solução foi reimaginar o universo de JORNADA NAS ESTRELAS, através de um reboot no estilo do que foi feito recentemente nas franquias BATMAN e 007. O detalhe é que o reboot de Abrams possui um pé firmemente plantado no passado.

O roteiro de Orci e Kurtzman lança mão de um recurso batido na série, as viagens no tempo (mais especificamente uma volta ao passado). Contudo dessa vez, e sem maior complicação para os “leigos”, ele cria uma linha de tempo alternativa onde serão desenroladas as novas aventuras da Enterprise. Usando este recurso a dupla garantiu a permanência dos eventos da cronologia original, ao mesmo tempo em que abriu espaço para que a partir de agora as viagens da Enterprise, mais uma vez, sejam novas e imprevisíveis. E isso começa já neste filme, onde muitos fatos estabelecidos no cânone tradicional de JORNADA NAS ESTRELAS vão (literalmente) para o espaço. Se isto lhe parece um sacrilégio, pelo menos tenha um grande consolo – neste novo universo, o Capitão Kirk certamente não terá aquela morte ridícula vista em GENERATIONS.

Dando vida a (em sua maioria) velhos personagens com outros rostos, o elenco mescla atores jovens e veteranos com variados níveis de experiência, e talvez os mais conhecidos do público brasileiro sejam Zachary Quinto/Spock (o Sylar de HEROES), Karl Urban/McCoy (o Éomer de O SENHOR DOS ANÉIS, para mim simplesmente perfeito no papel) e Eric Bana/Nero (MUNIQUE). Porém além deles também Chris Pine/Kirk, Zoe Saldana/Uhura, Simon Pegg/Scotty, Anton Yelchin/Chekov e John Cho/Sulu, dentro do que exigia o roteiro, defenderam com dignidade seus papéis. O destaque talvez seja mesmo Chris Pine, que teve a espinhosa missão de assumir o papel eternizado por William Shatner.

Mas não esqueçamos Bruce Greenwood como o primeiro Capitão da Enterprise, Christopher Pike, das pequenas mas relevantes participações de Winona Ryder e Ben Cross como os pais de Spock, e de Jennifer Morrisson (a Cameron de HOUSE) como a mãe de Kirk. E por último mas não menos importante: Leonard Nimoy, como o próprio Sr. Spock da SÉRIE CLÁSSICA, tem função vital na trama. Pena que um dos elementos mais fracos da história seja exatamente o vilão Nero, desenvolvido de uma forma que não permitiu a Bana dar maior dimensão ao personagem.

É claro que o longa não é perfeito, o roteiro possui lacunas e adota algumas soluções apressadas e simplistas para tocar a história mais rapidamente – está aí um filme que certamente será beneficiado no futuro por uma versão do diretor ou estendida. Além disso, haverá quem não goste dos “coletores bussard” azuis da Enterprise, ou sua engenharia “analógica” que parece uma fábrica de cerveja (e é mesmo, já que Abrams usou como cenário uma velha planta da Budweiser)… Porém, acima da excelência técnica das batalhas espaciais (que nem são tantas assim), é um filme que honra o legado da criação de Gene Roddenberry, mantendo as bases do que sempre foi a essência da SÉRIE CLÁSSICA – o relacionamento entre seus personagens, notadamente Kirk, Spock e McCoy. No final, o saldo é pra lá de positivo, e quando vemos a Enterprise partir tendo ao fundo a narração de Nimoy e o tema original de Alexander Courage (muito bem empregado por Giacchino), fica aberto o caminho para que JORNADA NAS ESTRELAS ou agora apenas STAR TREK tenha, mais uma vez, uma Vida Longa e Próspera. Inclusive aqui no Brasil, apesar da péssima divulgação feita pela Paramount quando do lançamento do filme nos cinemas. (Jorge Saldanha) .

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Star Trek é um nome clássico, datando desde 1966 quando estreou a série de grande sucesso que durou três anos e hoje atinge status de cult. Foi só em 1977, com o sucesso inesperado de Star Wars, que acreditaram na força dos personagens de Trek para o cinema. E, então, em 1979 a cine-série de Star Trek teve início. A primeira fase, com seis filmes, durou até 1991. Três anos depois, voltou com novos personagens, durando até 2002, totalizando dez filmes no total para a série. O novo filme não é uma refilmagem, como talvez seu nome indicaria, mas uma "prequel", ao narrar a história dos personagens icônicos que deram força à primeira fase da franquia. Uma escolha acertada por parte dos roteiristas, que agora podem iniciar uma franquia própria, que servirá tão somente como homenagem e lembrança dos Trekkers de ontem. O filme conta a história intergaláctica dos personagens que já conhecemos antes deles ingressarem na Enterprise (a famosa nave), passando pela academia até sua primeira aventura. O destaque, como não poderia deixar de ser, é a relação entre James T. Kirk e Spock, e como de inimigos construíram uma derradeira e genuína amizade. Mas isto é para o próximo capítulo. Por ora, nos deliciamos com uma introdução fantástica à uma saga memorável e emblemática por seus personagens.

A cena inicial deste Star Trek é por si só impecável. O termo "ópera no espaço" ganha força bruta numa sequência de ação e emoção grandiosamente afetiva. Durante uma guerra feroz com uma nave alienígena, James T. Kirk nasce em meio à sacrifício. O diretor J.J. Abrams pavimenta, com esta sequência, o furor do filme. E, até o término, o longa nunca perde o fôlego. Culpa de um roteiro esperto e inteligente, que acredita na força de seus personagens e a estende até o último segundo. Não só isso, mas acredita na força do drama em prol da ação. Portanto, Star Trek pode ser recheado de belas cenas de ação, mas este não é seu motriz, ou sua força. Mas, sim, a constante originalidade com a qual mantém uma narrativa fluída e inventiva. É fácil nos identificarmos pela história e mais ainda criar laços com os personagens, pelo simples motivo de serem tão bem recalcados em emoções humanas fortes. O exemplo mais bruto sendo Spock, um homem que nasceu da união de uma raça alienígena (os Vulcan) com uma humana. Seu amor pela mãe e o desdém pela sua natureza quase-humana o destrói. E esta densidade especial com o qual é construído ressoa.

Alias, ressonância é um atributo que o longa possui de sobra grande parte graças ao seu elenco hábil. O diretor, inclusive, exigiu que os créditos finais listasse o elenco em ordem alfabética, valorizando o quanto é um filme de elenco. Então, apesar de Chris Pine estar estupendo como o arrogante James Kirk e Zachary Quinto capturar a essência de Spock com digna perfeição, eles não são os únicos memoráveis. Zoe Saldana acerta como Uhura, Karl Urban é o McCoy ideal, John Cho faz um memorável Sulu e Anton Yelchin arrebenta como Chekov. Não esquecendo, claro, do hilário Simon Pegg, do irreconhecível Eric Bana e da participação gloriosa de Leonard Nimoy (o eterno Spock) numa virada genial do roteiro. Sou fascinado por filmes com viagem no tempo (e Abrams também, levando em conta Lost), e a cine-série já tocou no tema com dois episódios memoráveis. Mas nenhum com a magnitude e a emoção da delineada por este roteiro. E , vale dizer, conduzida com bravura por Abrams.

Em outras palavras, Star Trek é um belo filme de ficção-científica e, ouso dizer, meu preferido de todos os filmes da franquia. A Ira de Khan, A Terra Desconhecida e Primeiro Contato são ótimos, mas existe um elemento de tamanha eloquência neste capítulo que até então faltava aos filmes da série. Não é a parte técnica, que impressiona pelos efeitos intimidantes, a fotografia magistral e os efeitos sonoros arrepiantes, mas a solidez do roteiro e a segurança da direção. É um projeto conquistador. Então quando chega ao final você não importa que o filme seja, em si, uma preparação, não engatando em nenhuma aventura realmente épica. Mas, como uma preparação, ele é um acerto totalmente bem sucedido. E inteligente, vale dizer. A sacada da viagem no tempo será oportuno para os roteiristas, que poderão ter liberdade daqui para frente por agora poderem seguir uma realidade alternativa. Então qualquer conflito com a saga original não trará dor de cotovelo nos fãs. Alias, se depender das extensas e divertidas referências no filme à série original, os fãs ficarão é contentes.

Carregado ainda pela bela e tensa trilha de Michael Giacchino (que irritou muitos por ter deixado o tema original de fora – mas que se encontra nos créditos finais), o filme é aquele blockbuster completo. Entretenimento feroz cheio de humor, nostalgia, criatividade e personagens divertidos. Você o termina sabendo que acaba de presenciar algo digno e memorável, e já ansioso para os confins aos quais a série te levará no futuro. E, nas mãos de Abrams, estou disposto a acompanhar estes personagens à qualquer canto do universo. (Wally Soares)

Comentários em Áudio de J.J. Anbrams, Bryan Burk, Alex Kurtzman, Damon Lindelof e Roberto Orc – Devidamente legendado, é um bate-papo decontraído repleto de informações de batidores e curiosidades.

Uma Nova Visão (19m31s) – Featurette que enaltece o trabalho de direção, com vários comentários do elenco e da equipe técnica, recheado de muitas cenas de bastidores e curiosidades sobre vários aspectos da Direção e de como J.J. Abrams torna o ambiente descontraído e com um trabalho quase que perfeito para todos os envolvidos..

Erros de Gravação (6m23s) – O chamado “gag reel”, ou seja, o que chamamos de “falha nossa”, com erros de falas, risos frouxos, improvisos piadinhas, etc. com bom ritmo e boa edição.

O DVD para locação deste filme que é um sucesso para os fãs da saga tem uma boa edição por aqui. A imagem está muito boa, bem definida, com boa definição coloração e sem imperfeições aparentes, apenas um pouco granulada e na proporção correta (widescreen 2.40:1). O áudio tem bela distribuição, se utilizando bem de todos os seus 5.1 canais, os canais surround e o subwoofer são adequadamente acionados, tanto no idioma original quanto na boa dublagem. Os extras são suficientes, pelo menos para a edição simples. Para os fãs, se deve aguardar uma edição dupla para a venda. Também disponível em alta definição, em Blu-ray, numa edição quase que impecável.
 
Por Edinho Pasquale em 04/11/2009
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