Trama Internacional(The International)
Clive Owen, Naomi Watts, Armin Mueller-Stahl, Brian F. O'Byrne, Ulrich Thomsen
Tom Tykwer
2009
EUA
117 minutos

O agente da Interpol Louis Salinger (Clive Owen) está decidido a desmascarar uma cadeira de tráfico de armas responsável pela facilitação de atos de terrorismo por todo o mundo. Conforme a investigação avança, Salinger e sua parceira Elanor Whitman (Naomi Watts), procurada assistente de Manhattan, se aprofundam no mundo secreto da cobiça, corrupção e assassinato. Eles se tornam alvos de uma conspiração mortal tão disseminada que acabam descobrindo que, as únicas pessoas em que podem confiar... são eles mesmos. Este é um thriller eletrizante em que as apostas são altas no jogo de suspense, da intriga e da ação explosiva.

Ação
Sony Pictures
08/10/2009
Inglês, Português,
Espanhol, Chinês,
Coreano, Tailandês
  
  

 
 

O timing de Trama Internacional é interessante. Seguindo a tendência atual de suspenses de espionagem, o filme trata-se de um banco, e traz esta grande corporação como a grande vilã da trama. Um aspecto no mínimo interessante (e urgente), dado o estado atual das coisas. Neste caso, ele une-se à obras como a excepcional Conduta de Risco, que mostrava que o terror era interno. Mas o que torna o timing de Trama Internacional realmente interessante é vê-lo aportar nos cinemas logo após a pior crise econômica da história dos Estados Unidos. Na verdade, o filme estava programado para estrear em Agosto de 2008 em solo estadunidense quando, ao ser exibido em sessões teste, foi levado de volta à sala de edição (o diagnóstico seria a falta de sequências de ação). A estreia foi então adiada para Fevereiro de 2009, o colocando no olho do furação de uma crise perigosa. E o fato de Trama Internacional retratar as conspirações e as sujeiras de um banco faz com que ele tenha uma intensidade e uma relevância quase palpável. Até certo ponto, sentimos como se fosse a obra definitiva sobre o gênero. Não delonga, porém, até que suas falhas se tornem visíveis, e a força inicial começa a se desgastar em uma trama sem emoção.

O filme foi inspirado pelo escândalo do banco BCCI (ou Bank of Credit & Commerce International) nos anos 80 e 90. Na trama, o agente Louis Salinger (Clive Owen) e a promotora pública Eleanor Whitman (Naomi Watts) investigam um dos bancos mais poderosos do momento, decididos a encontrar provas que o destrua. Em uma expedição global que os levam de Berlim ao Milão, para Nova Iorque e até Istambul, não demora até que ambos tenham encontrado podres o suficiente para iniciar uma guerra. Mas, a busca por provas concretas que tragam a verdade à tona colocará a vida dos dois em risco, ao passo que o banco irá à extremos para continuar suas ilegalidades totalmente ancoradas em um senso inescrupuloso de ganância.

Sob o comando de Tom Tykwer, diretor alemão que havia impressionado com o espetacular Perfume: A História de um Assassino, o longa já inicia-se esteticamente interessante. Tykwer traz um pouco da vertigem visual de seu trabalho anterior, e transforma o longa em uma obra visualmente ambiciosa. A fotografia carrega consigo sempre os tons perfeitos, a edição nas sequências de ação são um primor e a trilha sonora possui momentos ótimos. No todo, é um trabalho técnico proveitoso. Uma cena em especial impressiona. A grande cena de ação da obra (que realmente possui poucas, se concentrando mais nas engrenagens da trama), a sequência traz um tiroteio intenso no famoso Guggenheim - museu em Nova Iorque - e realmente deixa uma forte impressão. Vale notar que as filmagens no museu de verdade foram impossíveis (obviamente), então uma réplica em tamanho real do interior do museu foi construída. O trabalho de arte, impecável, garante minutos de verdadeira ação e, mais importante, valioso cinema. Tykwer possui talento com sua câmera.

O engodo de Trama Internacional está, basicamente, em seu roteiro. Totalmente concentrada na trama e em suas tecnicalidades, o filme perde rapidamente o calor humano, os personagens ficam em segundo plano e a audiência começa aos pouco a se desprender da experiência, que outrora poderia ter sido tão essencial. Por um lado, a sequência explosiva no Guggenheim teve timing perfeito e ofereceu uma quebra eficiente no que se diz respeito à narrativa mais técnica e lenta. No mais, Tykwer falha em oferecer maior dinamismo à trama, apesar da realização soberba em aspectos visuais. O que move Trama Internacional além de suas inibições é o talento do elenco, cujos membros oferecem o equilíbrio que faltava para a narrativa encontrar seu pique mais dramática e necessariamente humano. Neste caso, Clive Owen (Duplicidade) surge como uma escolha fundamental e eficiente, transferindo segurança e consistência ao personagem. Sua motivação, e a relevância de um ataque dignificado à uma corporação revestida em sangue faz com que a audiência se identifique, e torna a experiência muito mais satisfatória.

Enquanto Owen comanda a narrativa, a sempre excepcional Naomi Watts (Violência Gratuita) definha diante de uma personagem muito mal aproveitada pelo roteiro. O sentimento que fica, ao fim, é de que várias de suas cenas foram cortadas, fazendo com que o trabalho da inestimável atriz se assemelhe ao de uma coadjuvante descartável (para dizer o mínimo). Outro grave problema ocorrida na sala de edição fica por conta da necessidade burocrática de acoplar o máximo de cenas de ação à obra. Individualmente, são bem arquitetadas. Mas, no plano geral, algumas soam irrelevantes. Em síntese, este não é um filme de ação. Um suspense sofisticado, cheio de urgência e detalhes sórdidos em sua visão de uma realidade corrompida, mas nunca uma obra de ação. Mas é irônico, portanto, ter que consolidar a sequência de ação no Guggenheim como o melhor momento do filme. Trama Internacional não te acompanha para fora da sessão. Seu discurso é frívolo e falta a dramaticidade. A experiência de assisti-lo, porém, é proveitosa, trabalha com elementos virtuosos e o entretém enquanto o efeito dura. Mas, em termos do retrato de um evento tão escandalosa, deixa a desejar.

Comentários do Diretor Tom Tykwer e do Roteirista Eric Singer (Áudio ou Legenda)

Salinger e Whitman: Cena Entendida (11:23): Sequência entendida de longos minutos que absolutamente não poderia ter sido deixada de fora da versão final. Traz todos os elementos que faltaram à maior parte do filme: relações humanas mais bem exploradas, menos tecnicalidade e cenas a mais com Naomi Watts. Além disso, a linguagem cinematográfica do filme é fortalecida por belos momentos construídos em cima de paranóia.

O Making Of de Trama Internacional (30:06): Completíssimo por trás das câmeras que foca todos os aspectos da produção do filme. O conceito inicial e o surgimento da idéia, a abordagem do diretor, o envolvimento do elenco, a significância da história, o ato das filmagens e todas as questões técnicas complexas. Perfeito making of.

Filmando no Guggenheim (06:32): Sobre a construção da réplica em tamanho real do Museu de Guggenheim, e sua arquitetura complexa e importante. Segue toda a trajetória, desde a escolha do armazém até o início das filmagens. Impressionante dado o efeito que a sequência finalizada causa, em condução primorosa.

A Arquitetura de Trama Internacional (06:13): Featurette sobre as locações usadas para as filmagens, trazendo a tona o poder da arquitetura moderna (e clássica) na hora da impressão visual, e o significado destes cenários para a história do filme em si. Interessante e relevante.

O Autostadt (05:04): Especial que traz comentários do diretor sobre o conceito do filme e, como foco, a escolha de cenário para a sede do banco retratado, em uma beleza arquitetônica chamada Autostadt. Um especial que completa os outros "por trás das câmeras" de forma consistente.

Trailers: "Anjos e Demônios", "O Sequestro do Metrô", "Anjos da Noite: A Rebelião" (sem legendas)

Excelente edição distribuída pela Sony para locação, Trama Internacional recebe um tratamento sofisticado por um DVD recheado de extras que, por sua vez, traçam "por trás das câmeras" em aspectos diversos da produção, além de conter uma cena excluída essencial. A imagem possui certa granulação e imperfeições, mas nada que incomode, e o áudio não deixa a desejar em qualquer aspecto. É, no fim das contas, uma edição em DVD exemplar que, ainda que não seja perfeita, faz jus ao filme competente. Sem dúvida alguma, uma locação recomendada.
 
Por Wally Soares em 10/10/2009
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