Tinha Que Ser Você(Last Chance Harvey)
Dustin Hoffman, Emma Thompson, Eileen Atkins, Kathy Barke, James Brolin, Richard Schiff
Joel Hopkins
2008
EUA
93 minutos

O nova-iorquino Harvey Shine (Dustin Hoffman) está prestes a perder o emprego como escritor de 'jingles', mas precisa viajar para Londres, para o casamento de sua filha. Prometendo que volta para uma importante reunião, Harvey chega a Londres e vê que a sua filha escolheu o seu padrasto para levá-la ao altar. Tentando esconder seu enorme desapontamento, Harvey abandona o casamento antes do final, mas mesmo assim perde o avião, sua reunião e obvio, seu emprego. Afogando as mágoas no bar no aeroporto, Harvey conhece Kate (Emma Thompson), uma quarentona que só pensa em trabalho e tem uma vida amorosa nula. A nova amizade tem tudo para dar certo, mas as vezes o destino nos surpreende.

Romance
Imagem Filmes
19/09/2009
Inglês, Português
  
 
 
 

Quando Tinha que Ser Você encontra seu desfecho, com apenas noventa minutos de duração, o sorriso no rosto é quase inevitável. É uma raridade encontramos um filme que conecte tão bem com sua audiência, e o que ocorre aqui é uma simples e afetiva combinação de elementos virtuosos para compor uma história intimista e agridoce. Isso ocorre por dois motivos em especiais. Primeiro, a ternura de um roteiro que permite que não só os personagens relacionem entre si, mas que a audiência se relacione também, fazendo com que a experiência de se assistir à obra torne-se imensamente recompensadora. O segundo motivo é muito óbvio. Os dois protagonistas da obra são atores dos mais elevados padrões em termos de talento em Hollywood. Além de terem atingido elevado grau de popularidade, são dois atores que pavimentaram, com o passar do tempo, carreiras emblemáticas. Mas em Tinha que Ser Você eles se livram de qualquer bagagem, e partem para um envolvimento refrescante e novo em terreno desconhecido. Não há nada mais sincero que o desempenho de ambos.

Dustin Hoffman e Emma Thompsons são Harvey Shine e Kate Walker, respectivamente. Harvey é um músico nova-iorquino que anda tendo problemas com sua carreira graças à evolução do mercado, onde parece estar sendo substituído por jovens promissores e pela tecnologia. Ele parte para um fim de semana em Londres para o casamento de sua filha, Susan, com a preocupação de ter que voltar logo para Nova Iorque para não perder seu emprego. Chegando lá, se sente excluído e, em seguida, devastado ao ouvir de sua filha que ela queria ser levado ao altar pelo seu padrasto. Harvey então parte no dia do casamento ao aeroporto, onde perde o vôo e se vê preso em Londres. É quando ele começa a se relacionar com a triste e solitária Kate, que cuida de sua mãe e sofre de desilusões amorosas, não se relacionando com ninguém. Os dois iniciam uma amizade e começam a relacionar consigo mesmos de formas inesperadas e profundas.

O filme é uma jornada durante o fim de semana destas duas pessoas claramente perdidas e sufocadas em suas próprias vidas medíocres e que, em um choque súbito, encontram em si mesmos um refúgio emocional. Em outras palavras, do tipo de história que toca, comove e até emociona. O filme é feito com sensibilidade, os diálogos são sinceros e nada (absolutamente nada) soa falso. O que evita que Tinha que Ser Você se transforme em um drama intenso e memorável é a leveza exagerada com a qual é conduzido e a dedicação quase frustrante do diretor à elementos usuais. Desde a trilha sonora enfadonha às viradas previsíveis da trama, o filme nunca alça vôo porque se restringe demais ao habitual. O simples se torna simplista, e a leveza se torna enfadonha. Mas o incrível é a forma como a dupla de protagonistas almeja reacender qualquer fogo apagado. Mesmo quando o filme perde o fôlego, Hoffman e Thompson o entrega nova vida.

As cenas intimistas se tornam o destaque. Sempre quando adentramos uma cena focada nas emoções honestas de seus dois personagens e revestida pelas camadas de riqueza inserida pela força dos atores, não podemos evitar o encantamento. E o filme provoca o encanto diversas vezes justamente por deixar a porta aberta para a audiência se relacionar com o que é apresentado. Então, podemos nos identificar, consolar ou mesmo nos afeiçoar. E então rimos honestamente quando é engraçado, sorrimos quando é terno e emocionamos quando é comovente. A ação e reação aqui funciona. Ao menos quando o filme está se dedicando ao naturalismo genial que se inicia entre seus personagens. Um naturalismo que inunda a obra de sinceridade e realismo. Vemos a vida e o amor pelos olhos de duas pessoas tão distintas quanto próximas de nós mesmos. E o efeito é fascinante.

É o segundo longa-metragem de Joel Hopkins, que dirige e roteiriza. O roteiro, por sua vez, foi escrito especialmente para Hoffman e Thompson. E eles, de fato, se encaixam nos personagens como luvas. Hoffman encontra o papel perfeito para este momento em sua carreira, compondo com leveza e densidade. Ao seu lado, Thompson intensamente abraça sua personagem complexa. E, juntos, revestem Tinha que Ser Você de urgência e autenticidade. Enquanto isto, Hopkins oscila seu olhar para momentos desnecessários, e somos obrigados a oscilar nosso próprio olhar do relacionamento tão afetivo e genuíno que estava sendo articulado em outro quadro. É um belo romance que tenta ser um drama mais abrangente. Mas, o que Hopkins não percebe é que o filme "é" Hoffman e Thompson, e os dignos diálogos que fluem entre si mesmos. O resto, vira resto.

Trailers: "Os Normais 2: A Noite Mais Maluca de Todas", "Veronika Decide Morrer", "Jean Charles", sem a irritante possibilidade de interromper.

Making Of (16:30) - Featurette sobre o por trás das câmeras do projeto, contendo depoimentos dos atores principais e do diretor/roteirista. Vai desde a criação do conceito do filme, até as próprias filmagens. Foca o relacionamento entre Hoffman e Thompson, a criação do roteiro especialmente para eles, as complexidades dos personagens, e a dinâmica da produção.

Slide Show

Trailer do filme.

Teria sido a operação padrão da Imagem Filmes, mas a edição em DVD é consideravelmente enriquecida pela presença de um making of interessante e bastante completo. Tirando isso, vem com os aspectos usuais da distribuidora, com trailers e slide show. A imagem não apresenta motivos para reclamações, com ótima paleta de cores. O som por sua vez, não é desenvolvido no canal em 5.1 para a dublagem em português, o que enfraquece. O áudio original, porém, é perfeito. Certamente, é uma edição em DVD competente para um belo e singelo filme que, apesar de não ser inesquecível, possui charmes para conquistar e fazer sucesso nas locadoras.
 
Por Wally Soares em 25/09/2009
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