Jornada nas Estrelas: A Série Clássica Remasterizada – Segunda Temporada(Star Trek: The Original Series - Season Two Remastered)
Leonard Nimoy, William Shatner, DeForest Kelley, Nichelle Nichols, James Doohan, Walter Koenig
Vários
1967
EUA
999 minutos

No segundo ano da jornada da nave estelar Enterprise, nossa galáxia sofrerá ataques de pelo menos três diferentes espécies de entidades planetárias, incluindo uma sonda que busca a perfeição, um robô gigante e uma simples célula de uma ameba de proporções exageradas. A fé da tripulação em seus comandantes ficará abalada quando um alto oficial da Frota Estelar ficar totalmente insano depois de perder toda a sua tripulação em circunstâncias misteriosas; um dos mais prestigiosos embaixadores da Federação será acusado de assassinato a bordo da nave; um capitão da Frota irá jogar com a vida de seus comandados num torneio de gladiadores organizado num planeta similar à Roma Antiga. Os Klingons, velhos adversários da Federação, estarão oferecendo armas à raças primitivas, ou envenenando suprimentos vitais. E a tripulação de Kirk irá descobrir que a vida é muito mais violenta num universo paralelo. Felizmente, existirão alguns momentos de descontração providenciada pelo exército de andróides femininos de Harry Mudd, e aquelas adoráveis criaturas peludas chamadas de Pingos. E por último, daremos boas-vindas ao novo jovem navegador da Enterprise, Pavel Andreievich Chekov.

Ficção Científica
Paramount
02/10/2009
Inglês, Português,
Espanhol
  
 
 
 

Esta segunda temporada da Série Clássica de JORNADA NAS ESTRELAS dá seguimento aos lançamentos dos episódios remasterizados para alta definição e com novos efeitos visuais, exibidos em 2006 para comemorar os 40 anos da franquia. Para muitos esta é melhor que a primeira temporada, e sem dúvida traz episódios ótimos que estabeleceram as bases de muitas das produções de TV e cinema que lhe seguiram. Nela foi introduzido o personagem do Alferes Chekov (Walter Koenig), com uma peruca ridícula para torná-lo parecido com o Davy Jones da banda Os Monkees – felizmente a peruca foi abandonada após alguns episódios.

Houve um desenvolvimento maior do personagem Sr. Spock (Leonard Nimoy), o que também permitiu trazer ao público aspectos inéditos da cultura dos Vulcanos, iniciando já no episódio de abertura, “Tempo de Loucura”. O roteiro de Theodore Sturgeon aborda o ritual de acasalamento da raça de Spock (o Pon-Farr) e nele pudemos ver, pela primeira vez, seu planeta natal. Em “A Caminho de Babel” finalmente conhecemos os pais de Spock, Sarek (Mark Lenard) e Amanda (Jane Wyatt), numa trama que coloca a Enterprise em meio a conflitos diplomáticos com várias raças. E em “Reflexo do Espelho” vemos um Spock mais sombrio, de cavanhaque, no maligno Universo Espelho que seria visitado novamente nas séries derivadas. Outros episódios memoráveis incluem “Problema aos Pingos”, onde somos apresentados às bolinhas peludas que são inimigas mortais dos Klingons, “Um Pedaço de Ação”, onde a Enterprise visita um planeta onde os humanóides locais reproduziram o visual e os mafiosos da Chicago dos anos 1930, e “Nômade”, sobre uma sonda inteligente em busca de seu Criador e que serviu de base para a trama de JORNADA NAS ESTRELAS – O FILME (1979). Estes são alguns exemplos, já que o nível geral de qualidade dos roteiros da temporada é bem alto.

Quanto aos sempre polêmicos efeitos CGI, eles seguem o padrão da primeira temporada – mantendo-se na maior parte do tempo ligados à concepção dos efeitos originais e, ao mesmo tempo, buscando melhor atender as exigências dos roteiros. A Enterprise e outras naves são iguais às vistas nos efeitos originais, porém com maiores detalhes e movimentos mais elaborados e fluídos. Fundos de estrelas, planetas e paisagens foram refeitos, e neste aspecto muitos episódios foram efetivamente beneficiados. Por exemplo, em “Tempo de Loucura” as paisagens do planeta Vulcano ficaram mais próximas às que vimos nos filmes, inclusive tendo sido incluída uma tomada de Kirk, Spock e McCoy atravessando uma grande ponte rochosa para entrar na arena. Já “A Máquina da Destruição” ganhou nova vida, uma vez que os efeitos originais não retratavam bem os embates da Enterprise contra a máquina devoradora de planetas, além de trazer modelos toscos da própria máquina e da nave gêmea da Enterprise, a Constellation. Com tudo refeito em CGI o episódio ganhou maior dinâmica nas cenas da nave sendo sugada pela máquina, ou da Enterprise manobrando para disparar seus phasers.

Os computadores também foram usados para dar retoques mais discretos aos episódios, porém igualmente importantes. Por exemplo, eles eliminaram os fios, antes claramente visíveis, que sustentam a sonda Nômade e os pequenos alienígenas que surgem ao final de “O Dia das Bruxas”. Já em “Eu, Mudd”, o interior “analógico” do andróide Norman foi substituído por componentes digitais – pequenos toques que ajudam a sutilmente polir e atualizar um pouco o visual datado da série, de forma a torná-la mais atraente para as plateias de hoje. De qualquer modo, a essência do que é JORNADA NAS ESTRELAS e a torna um dos maiores clássicos da TV em todos os tempos, permanece intocada.

Esta segunda temporada de JORNADA NAS ESTRELAS: A SÉRIE CLÁSSICA traz uma quantidade de material suplementar proporcionalmente maior que o da temporada anterior, todo legendado em português, em sua maioria com vídeo fullscreen ou letterbox e áudio em inglês 2.0, agregando alguma coisa em relação ao box original porém novamente omitindo easter eggs, comentários em texto de alguns episódios e galeria de fotos. Além das prévias de cada episódio, os extras são:

O Tesouro de Billy Blackburn: Filmes Caseiros Raros e Lembranças Especiais 2 (12:07 min) – Continuação do featurette iniciado no box da primeira temporada, mais uma vez com trechos das participações do extra Billy Blackburn, que fala sobre suas experiências e mostra algumas das gravações por ele feitas no set;

Audaciosamente Indo… Segunda Temporada (19:32 min.) – Retrospectiva da temporada que destaca seus episódios mais famosos, incluindo depoimentos de, entre outros, William Shatner (Kirk), Nichelle Nichols (Uhura), George Takei (Sulu) e do produtor Robert Justman. Como sempre, são fornecidas interessantes informações e curiosidades sobre a produção;

Projetando a Fronteira Final (22:29 min.) – Um dos melhores documentários, que traz depoimentos do lendário desenhista de produção Matt Jefferies, responsável pelo visual da série e, em especial, da Enterprise. O famoso “Tubo Jefferies” recebeu este nome em sua homenagem;

Caderninho da Roteirista: D.C. Fontana (7:35 min.) – A famosa escritora de Jornada fala sobre seu trabalho como supervisora de roteiros;

Jornada nas Estrelas: Melhores Momentos (17:10 min.) – Membros do elenco de algumas das séries derivadas (DS9, NOVA GERAÇÃO, VOYAGER), entre outros, falam sobre a importância e a influência da SÉRIE CLÁSSICA em seus trabalhos;

Mais Pingos, Mais Problemas (Jornada nas Estrelas – A Série Animada, com Comentários de David Gerrold) – Episódio da SÉRIE ANIMADA onde aparecem os Pingos, e que assim como o episódio original também foi escrito por David Gerrold. O episódio, com áudio original em inglês 5.1, também pode ser assistido com comentários em áudio (legendados) de Gerrold;

Pingos às Pencas (Jornada nas Estrelas – Deep Space Nine A Nova Missão) – Ainda melhor que a inclusão nos extras do episódio da SÉRIE ANIMADA foi a adição deste da quinta temporada de DS9, produzido para comemorar os 30 anos da franquia. Nele a tripulação da estação espacial volta ao século 23 e participa do episódio “Problema aos Pingos” e até mesmo interagem com os personagens da SÉRIE CLÁSSICA no melhor estilo FORREST GUMP. Além do áudio em inglês 5.1 e legendas em português, o episódio pode ser assistido com a dublagem da VTI. O detalhe é que, apesar de ser uma série bem mais recente, os episódios de DS9 não foram remasterizados e possuem qualidade de imagem bem inferior aos da SÉRIE CLÁSSICA;

Pingos às Pencas: Reunindo Duas Lendas (16:53min.) – Este featurette, que originalmente integra o box da quinta temporada de DS9 (ainda não lançado no Brasil), mostra a produção do episódio “Pingos às Pencas”. Tudo está aqui – a ideia inicial (que tomaria por base o episódio “Um Pedaço de Ação”), a recriação dos cenários, a inserção dos atores de DS9 nas tomadas do episódio original, etc.;

Pingos às Pencas: Um Esforço Histórico (16:32min.) – Também extraído do box da quinta temporada de DS9, esta é basicamente uma continuação de Unindo Duas Lendas;

A Vida Depois de Jornada nas Estrelas: Leonard Nimoy (12:12 min.) – Se no box da primeira temporada os fãs conheceram o hobby de William Shatner (cavalos), dessa vez eles testemunham a paixão de Nimoy pela fotografia. O ator detalha o projeto no qual estava se dedicando à época, relativo à percepção do tempo. Sabe-se que, mais recentemente, ele dirigiu suas lentes para uma área mais complexa – o nu artístico feminino;

Kirk, Spock e Magro: O Grande Trio (7:10 min.) – Aqui está um vídeo que mereceria maior duração, já que aborda um dos maiores valores da série – a interação entre o Capitão, seu Primeiro Oficial e o Médico da nave. Temos depoimentos de Shatner e Dorothy Fontana, que conta como McCoy, antes um personagem secundário, acabou ganhando relevo e passou a integrar o trio de personagens principais;

A Divina Diva de Jornada nas Estrelas: Nichelle Nichols (13:04) - Uhura em pessoa discute seus dotes vocais, como chegou a JORNADA NAS ESTRELAS após participar de uma produção anterior de Gene Roddenberry, etc.

Ao contrário do box em Blu-ray que sairá aqui em novembro, esta segunda temporada de JORNADA NAS ESTRELAS: A SÉRIE CLÁSSICA REMASTERIZADA em DVD, que a Paramount lançará no Brasil dia 2 de outubro, traz apenas os episódios restaurados e com novos efeitos visuais. Mais uma vez a remasterização dos episódios, que juntamente com os extras foram distribuídos em oito discos, produziu um ótimo resultado, e de modo geral a imagem fullscreen 1.33:1 é mais detalhada e brilhante que a dos DVDs anteriores, permanecendo alguma granulação inerente à filmagem original. As cores são vibrantes e bem saturadas, e os pretos notavelmente escuros. Nitidez e contraste são elevados, e o nível de detalhes das transferências gera alguns efeitos colaterais. Por exemplo, eles realçam a pobreza dos cenários e painéis da nave, e nas cenas de luta vemos claramente os rostos dos dublês que substituem os atores. Estranhamente, mesmo com um esmerado trabalho na restauração, há em cada um dos 26 episódios algumas poucas tomadas onde percebemos ruídos ou sujeiras.

Quanto ao áudio, o mesmo que foi dito em relação à primeira temporada remasterizada se aplica aqui. O destaque é a faixa em inglês Dolby Digital 5.1, com uma mixagem muito boa que aprimora o áudio original mono e usa adequadamente os efeitos surround, especialmente em cenas de ação ou quando a Enterprise se desloca pelo espaço. No restante do tempo a tendência do som é limitar-se aos canais frontais, com os diálogos sempre soando altos e claros. Um ganho perceptível no áudio 5.1 é o reforço dos graves notado nas explosões, o que torna as cenas de batalha mais envolventes. Como na primeira temporada, a música de abertura foi regravada, possuindo qualidade de som superior – contudo, ressalta as diferenças na interpretação da soprano que, a partir da segunda temporada, faz o solo no tema da série. Também estão disponíveis dublagens em espanhol e português (ambas em Dolby 2.0 mono), e é bom novamente frisar que a dublagem em português disponível é a da VTI-Rio, ou seja, não é a original dos anos 1960, feita pela AIC-SP e hoje dada como perdida. As opções de legendas são, como sempre, português, inglês e espanhol. Aliás, algo que omiti na resenha da primeira temporada foram os erros na legendagem e que aqui continuam, na maior parte não de tradução ou de utilização de termos típicos da série, mas de tratamento e que já existiam nos boxes originais (aparentemente foram usados os mesmos textos). Os personagens, mesmo em situações informais, sempre se tratam como “senhor” e “senhora” no lugar de você, e algumas vezes o gênero é trocado – um homem é tratado como “senhora’, e vice versa. É algo bizarro, por vezes sendo um fator de distração incômodo. Os menus seguem o estilo dos da primeira temporada: são animados, inicialmente mostrando personagens da série na Sala de Transporte da Enterprise, com os efeitos sonoros da nave ao fundo.

 
Por Jorge Saldanha em 19/09/2009
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