Fundo do Coração, O(One From the Heart)
Nastassja Kinski, Frederic Forrest, Teri Garr, Raul Julia, Tom Waits
Francis Ford Coppola
1982
EUA
107 minutos

No fim de semana do Dia da Independência, numa Las Vegas onírica, Hank e Frannie decidem que seu casamento chegou ao fim e se separam. Durante o feriado, eles buscam outras paixões, mas descobrem que estas são tão ilusórias quanto o falso brilho da cidade que os cerca. A crítica não entendeu o filme - o público muito menos - e foi o maior fracasso na carreira de Coppola, que perdeu cerca de 30 milhões de dólares e teve que se desfazer de seu estúdio. Nada, no entanto, pode impedir que se constate o óbvio: é um dos mais notáveis momentos do cinema. Ao mergulhar na fantasia mais desvairada, sem medo do ridículo, para retratar as agruras de um casal em crise, o cineasta fez um dos grandes filmes da década de 80.

Drama, Musical
Lume Filmes
10/06/2009
Inglês, Português
 
 
 

O norte-americano Francis Ford Coppola teve lá seus delírios gigantescos, que sempre puseram a perigo a continuidade de sua filmografia. O fundo do coração (One from the heart; 1982) foi uma destas extravagâncias de concepção e realização que em sua época quase afundou a produtora do cineasta; para adquirir fôlego, ele rodou filmes de baixo orçamento, como O selvagem da motocicleta (1983); mas como uma criança deslumbrada com seu brinquedo, o cinema, Coppola não se conteve e voltou a pecar com o excessivo Cotton Club (1984), que liquidou com as esperanças de recuperação financeira da Zoetrope Studios.

Diante da visão de O fundo do coração, é de se perguntar como um realizador incrustado no seio da indústria cinematográfica pode propor uma narrativa de ritmo provocativamente irregular (não como falha, mas como característica) e que desmancha notavelmente os clichês do musical e do melodrama a que se refere não sem alguma ironia e perturbação. O fundo do coração traz o mais pessoal e antológico gosto de Coppola pelo romantismo feérico; embalado pela música, o filme é um circo de imagens, cores e sons. Falou-se em desacertos e exageros a propósito de O fundo do coração. O que de fato há é que Coppola filma com desesperada criatividade as bobagens sentimentais de sua história central; sua referência ao clássico dos clássicos da nostalgia cinematográfica, Casablanca (1942) (a cena do avião que alça voo rasante com o carro da personagem que deixou a mulher partir com outro é uma citação extraordinária e pessoal), que o húngaro Michael Curtiz dirigiu na Hollywood dos tempos dourados, não cai no ramerrão subserviente, porque em O fundo do coração o roteiro é mesmo um esqueleto distante daquilo que verdadeiramente interessa na tela de Coppola, o amor ao barroquismo das sensações cinematográficas.

Assumindo seu escapismo e a criação de um universo artificial que topa sua consistência dentro de si mesmo, O fundo do coração é a beleza fílmica em estado puro. E é bom salientar o prazer de reencontrar a juventude de alguns astros habituais nos filmes dos anos 80, como Terr Garr, Frederic Forrest, Nastassia Kinski e Raul Julia.

P.S.: Uma das sutis inovações que Coppola introduziu em sua rodagem onírica de O fundo do coração foi a inserção de algumas filmagens em vídeo-teipe (o que causa um borrão delirante da imagem, granulando-a de uma maneira especial), que na época começava a interessar aos cineastas como possibilidades formais do cinema (o vídeo-teipe é um ancestral do digital de hoje); lembremos que outro grande diretor de então, o italiano Michelangelo Antonioni, rodou seu O mistério de Oberwald (1982), inteiramente no formato de vídeo-teipe, passando depois para película, o que gerou estranheza na percepção de muita gente que via cinema naqueles anos. (Eron Fagundes)

Biografia do Diretor – bom texto sobre o Coppola

Prêmios do Diretor – Telas com relação de prêmios.

"Little Boy Blue" Alternativo – Cena com “take” alternativo com 1 minuto e meio. Sem legendas.

"Little Boy Blue" Sem Efeitos – A mesma cena com outra alteração, desta vez com 3 minutos, sem os efeitos especiais da cena que acabou sendo exibida no filme. Sem legendas.

Videoclipe: "One From The Heart"

Trailers: "1984", "Dawn By Law", "Reconstrução de um Amor", legendados.

Um polêmico e ao mesmo tempo interessante filme de Coppola, numa edição em DVD apenas razoável. Como esta resenha foi realizada por uma “cópia de serviço” fornecida pela distribuidora, pode ser que haja alguma diferença da edição final, o que geralmente não ocorre (segundo a própria Lume Filmes). Isto posto, a qualidade técnica é apenas boa, com imagem com boa definição e contraste, mas em proporção 1.33:1 (“tela cheia”, ou seja, standard). Se bem que este formato de tela seja o mesmo da edição do DVD nos EUA Áudio em 5.1 canais, mas sem boa distribuição. O maior problema está nos extras, diferentes dos divulgados no site (não temos a embalagem para conferir). Ao que parece, piores em conteúdo, o making of seria obrigatório. A edição americana é dupla, com muitos extras. Vale pela curiosidade e pela bela Nastassja Kinski.
 
Por Edinho Pasquale em 07/09/2009
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