Watchmen: O Filme - BLU-RAY(Watchmen)
Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson, Carla Gugino, Matt Frewer, Stephen McHattie
Zack Snyder
2009
EUA
162 minutos

É o ano de 1985 e alguém mata o Comediante, um dos super-heróis conhecidos como Vigilantes (Watchmen). Coruja, Rorschach e Espectral aliam-se para revidar ao assassinato, e logo descobrem um sinistro plano que coloca toda a humanidade em grave perigo. Ao lutar para impedir a iminente catástrofe, os super-heróis percebem que são o alvo da destruição. Mas se os Watchmen se forem, quem nos salvará?

Ficção Científica
Paramount
02/09/2009
Inglês, Português,
Espanhol, Francês,
Holandês (Falas)
  
  
 
 

A, B, C

É surpreendente testemunhar o que Zack Snyder (300) almejou com sua adaptação da consagrada HQ de Alan Moore que, densa em suas implicações sociais, políticas e psicológicas, foi encarada por muitos como inadaptável. Apesar de arestas e falhas ocasionais, é mais do que sensato declarar que essa maioria estava errada, e que Snyder não só fez uma excitante obra cinematográfica, mas traduziu o mundo criado por Moore com uma fidelidade absurda. A verdadeira surpresa aqui, porém, é ver como Snyder driblou Hollywood e conseguiu fazer um blockbuster que é tudo menos um blockbuster. WATCHMEN: O FILME pode ter custado US$100 milhões, mas a julgar pelo que o filme demonstra, Snyder teve uma autoria sobre o projeto invejável. Obtendo censura máxima e contando com uma duração extensa julgada inapropriada para um arrasa-quarteirão, tudo na concepção deste filme soa atípico. E a abordagem de Snyder é uma completamente original e totalmente apaixonada no que se diz acertar a tradução e realmente mostrar o que a graphic novel pretendia. Os efeitos especiais caríssimos que testemunhamos, portanto, não são de inúmeras cenas de ação, mas de uma estética detalhadamente arquitetada para reviver tanto o tom da obra original, quanto o clima. Não esperem, portanto, um blockbuster como foi vendido. WATCHMEN: O FILME é uma densa ficção-científica que estimula o intelecto e lhe transporta para um mundo fantasticamente concebido.

O orgasmo visual pretendido por Snyder aqui é o primeiro elemento a impressionar. E a impressão realmente é absoluta. A produção técnica arriscada criou cenários dignos e uma arte visual espetacular em seus detalhes e significâncias. A fotografia é uma maravilha em unir tons e quebrar outros, enquanto a parte técnica ainda vislumbra com figurinos impecáveis, efeitos fantásticos nunca exagerados e uma textura visual emblemática por carregar tamanha densidade em suas simbologias. O filme poderia então ser mudo que ainda assim conseguiria entreter, já que Snyder eleva sua imaginação e seu talento cinematográfico a toda prova com sequências desenhadas com vigor e beleza. Mas se fosse mudo, supriria o brilhantismo por trás do texto, que nos mostra o que teria sido do mundo durante a Guerra Fria se houvesse na terra uma força digna de um Deus. Mas WATCHMEN: O FILME nunca dialoga pelo literal. Por trás de sua narrativa bem estruturada, ele nos remete a temas diversos que surgem como discussões e provocações sempre interessantes sobre a condição humana. Sobre moralidade, crime e subversão. E, mais importante, como o mundo em si funciona diante de ameaça. E se, diante do deplorável, a raça humana merece ser salva. A ressonância da cínica visão sobre o mundo e o ser humano transforma WATCHMEN: O FILME num filme que não só tem algo a dizer, mas serve como uma profunda reflexão sobre temores e a culminante fragilidade do ser humano. E este lado fascinante do filme apenas entrega uma força maior, concretizada pelo talento de Snyder em construir um filme visualmente e estruturalmente excitante. É inegável, porém, que não se trata de uma obra perfeita. O ritmo do filme não foi acertado e apenas suas interessantes complexidades o deixam vivo diante de um cenário de ação quase nulo. E isso pode tornar as mais de duas horas e meia em algo difícil. As idas e vindas no tempo do roteiro também não fluem da melhor maneira em momentos, que por sua vez ganha ajuda de uma edição hábil. Mas na maior parte das vezes que surge um elemento fora de lugar, um excesso ou um defeito mais gritante, a decepção é amortecida quando logo em seguida somos surpreendidos por mais uma virtude. Então o filme pode ter seus defeitos, mas seu belo equilíbrio acaba por desnutri-los. Algo que ocorre, por exemplo, com a trilha sonora. Cheia das mais geniais canções, de Bob Dylan à Simon & Garfunkel, algumas soam deslocadas. Mas isso em prol, novamente, da fidelidade. Alguns capítulos da HQ vinham com títulos que remetiam às canções escolhidas por Snyder para compor o filme. E, em questões de clima, foram grandes acertos. Um defeito subjugado por uma virtude maior que ele.

Não tem o que reclamar do elenco. Todos muito competentes. Talvez a única decepção esteja reservada à Malin Akerman, que pouco convence apesar das curvas. Já seu par, Patrick Wilson, exibe novamente seu conhecido talento. Dividido por Jackie Earle Haley, que pouco aparece pessoalmente mas que almeja o incrível por debaixo de uma máscara. O mesmo merece ser dito quanto à Billy Crudup que, revestido de CGI, entrega uma potente performance. Ainda há lugar de sobra para o admirável Matthew Goode e, principalmente Jeffrey Dean Morgan, exercitarem talento. E Morgan está eletrizante. O versátil elenco pinta um painel rico muito como o qual o próprio filme representa em termos narrativos. É uma digna obra cinematográfica que pode ser falha, mas que se demonstra ousada, corajosa e complexa o suficiente para nos convidar para novas revisões. E, para quem não teve a oportunidade de vê-lo nos cinemas, resta apenas lamentar, já que a estética formidável merece ser aproveitada dentre as maiores circunstâncias possíveis. (Wally Soares)

As edições norte-americana e européia (esta a mesma lançada em Blu-ray no Brasil) de WATCHMEN – O FILME, além de trazerem versões diferentes do filme, também trazem extras diferenciados. O grande trunfo do BD estadunidense não temos aqui – uma faixa PIP com o diretor Zack Snyder. Nossa versão de cinema não traz comentários em áudio, mas possui mais vídeos que a do Tio Sam – e este material, localizado em disco à parte e quase todo em HD 1080p, possui legendas em português.

Tecnologia de um Mundo Fantástico (16:49min.) - Featurette onde um físico que foi consultor técnico do filme discute a ciência de WATCHMEN – física quântica, os poderes do Dr. Manhatan sobre a matéria, a tecnologia da nave do Coruja, a máscara de Rorschach, e muito mais. Do que o filme mostra, ele comenta o que pode um dia tornar-se realidade. Quem gosta de física irá adorar;

O Fenômeno: O Gibi que Mudou a História dos Quadrinhos (28:48min.) – Documentário onde o elenco, integrantes da DC Comics, jornalistas, Dave Gibbons e até o vocalista da banda My Chemical Romance falam sobre a criação da obra, o design, elementos temáticos e a “filmagem do infilmável”;

Super-Heróis Verdadeiros, Vigilantes Verdadeiros (26:19min.) – Documentário que aborda a história dos vigilantes – civis que fazem Justiça por conta própria – em Nova York, dos anos 1970 até hoje. Também mostra as diferenças entre as leis estadunidenses e britânicas na aplicação de força letal em tais casos;

Clipe de Desolution Row com My Chemical Romance (03:17min.) – Caso você goste desta canção, aqui está o videoclipe dela. Já eu considero de modo geral estes vídeos como os mais dispensáveis dos extras, portanto...;

Watchmen: Arquivos em Vídeo (36:12min.) – Temos aqui onze Webisódios, cada um tratando de diferentes aspectos de WATCHMEN: O FILME: criação dos cenários, figurino, a nave do Coruja, Dave Gibbons, fotografia, a criação do Dr. Manhattan, comparações entre os quadrinhos e o filme, elenco, etc. Se isoladamente parecem superficiais, em conjunto formam um interessante making of da produção;

Viral Video: NBS Nightly News (SD, 03:07min.) – Falso (e divertido) noticiário dos anos 1970 sobre o décimo aniversário do Dr. Manhattan. Dois apresentadores falam sobre o super-herói, e são mostradas entrevistas com o público e o trecho de um desenho animado do personagem. A imagem e o som são degradados, a fim de simular a aparência de uma gravação em vídeo com mais de trinta anos.

O Blu-ray duplo de WATCHMEN: O FILME lançado no mercado nacional pela Paramount corresponde à edição européia, o que significa dizer que ele traz a versão de cinema – nos EUA, onde o filme é distribuído pela Warner, foi lançada apenas a Versão do Diretor, com 34 minutos adicionais mas sem opções de idioma em português. Provavelmente também teremos aqui futuramente uma versão mais longa do filme, até porque a chamada Black Freighter Edition já será lançada nos EUA no final do ano, porém mesmo assim esta edição já pode ser considerada uma das melhores em Blu-ray disponíveis em nosso mercado.

O filme recebeu uma transferência anamórfica na proporção original 2.40:1 (1080/24p VC-1) simplesmente impecável. Com boa parte da ação ocorrendo à noite, em ambientes escuros, a imagem sempre possui pretos firmes e fortes, com um grande senso de profundidade. Os detalhes de sombra são ótimos, como se constata já nas cenas iniciais da morte do Comediante. O filme traz uma flagrante manipulação das cores para criar uma imagem estilizada, e sob este aspecto sua reprodução é excelente. Isso nos traz belas e bem definidas cenas, como as da Guerra do Vietnam e o próprio visual azulado/brilhante do Dr. Manhattan. Os detalhes das roupas dos personagens e paisagens também são vistos de forma excepcional, em uma transfer livre de filtros e artefatos que apenas apresenta uma leve granulação, perfeitamente reproduzindo o que vimos no cinema.

O áudio original em inglês Dolby TrueHD 5.1 impressiona tanto quanto o vídeo: quando necessário é atmosférico e sutil, e nas horas certas simplesmente explosivo. É uma faixa lossless altamente direcional, onde tudo é ouvido nos mínimos detalhes – a chuva caindo nas ruas de Nova York, os efeitos direcionais de teletransporte do Dr. Manhattan, os graves poderosos que emanam do subwoofer, os diálogos cristalinos, e por aí vai. Também há disponíveis dublagens Dolby Digital 5.1 em espanhol, francês, alemão e italiano, com legendas em português e vários outros idiomas. Os menus são simples, estáticos, seguindo mais o padrão dos BDs da Warner que da Paramount.

 
 
Por Jorge Saldanha em 05/09/2009
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