Casamento de Rachel, O(Rachel Get Married)
Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Bill Irwin, Tunde Adebimpe, Mather Zickel, Anna Deavere Smith, Anisa George, Robyn Hitchcock, Sister Carol East, Debra Winger
Jonathan Demme
2008
EUA
112 minutos

Kym (Anne Hathaway) volta para casa da família Buchman para presenciar o casamento de sua irmã Rachel (Rosemarie DeWitt). Ela chega com um longo histórico de crises pessoais, conflitos familiares e um tanto de tragédia. O grande grupo de amigos e conhecidos dos noivos reúne-se para um fim de semana de banquetes, música e amor. Mas Kim, com suas frases mordazes e tendência para o drama, vai precipitar antigas tensões existentes na dinâmica da família. Com os muitos personagens profudos e ecléticos que Jonathan Demme gosta de criar em seus filmes, "O Casamento de Rachel" é um retrato de família atento, sensível e, por vezes, engraçado.

Drama
Sony Pictures
07/07/2009
Inglês, Português
  

 
  

A pura simplicidade que rege O Casamento de Rachel poderia muito bem se tornar um elemento de “convenção” e “tradicionalismo” e, tendo como base a filmografia eclética de seu diretor, Jonathan Demme (Sob o Domínio do Mal), não faria muito sentido. Demme, que já dirigiu os excepcionais (e antagônicos) O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia, nunca se deixou levar pelo lugar comum. E é por isso que o que fez em O Casamento de Rachel não deva ser mal interpretado. Partindo de um roteiro delicado e diversamente brilhante de Jenny Lumet (filha do diretor Sidney Lumet – em seu primeiro trabalho), Demme opta por fazer um filme sem artifícios cinematográficos afiados ou ousadia narrativa. Sabendo que os personagens dos quais tem em mão são densos, intricados e intensos, ele filma de uma forma intimista, simples e quase documental, capturando o casamento como se fosse uma filmagem caseira de uma ocorrência de nossa própria família. Uma sábia escolha, tendo em vista que o resultado final é um drama belo, tocante e com o qual – graças a Demme – pode ocorrer uma clara identificação por parte da audiência.

O filme começa nos introduzindo à instável Kym (Anne Hathway), que vive entrando e saindo da casa de reabilitação, ao ganhar um fim de semana para passar com sua família, durante o casamento de sua irmã, Rachel (Rosemarie DeWitt). O casamento, porém, logo se transforma numa cerimônia de emoções à flor da pele, quando a chegada de Kym traz a tona sentimentos enterrados. O longa inicia-se então com a saída de Kym da casa de reabilitação, e a câmera (e o espectador) vai a seguindo enquanto passa o fim de semana no casamento da irmã, nos envolvendo nas intimidades que começam a surgir entre os membros da família. Vem a tona, por isso, alguns elementos já batidos neste típo de filme em que certo personagem volta para casa enfrentar seus esqueletos no armário. A diferença aqui é que nada soa falso. Genuinamente dirigido e escrito com uma sensibilidade chave, a fluidez do filme é algo incrível e quando menos se percebe você estão tão imerso no filme quanto nos próprios personagens. Culpa de diálogos críveis, emoções cruas e, obviamente, um elenco essencial. E aqui, todos possuem alguma ressonância e trazem algo particular a seus respectivos personagens.

O maior deleite seja, talvez, Anne Hathaway que, desde O Diabo Veste Prada, vem demonstrando ser boa atriz. Aqui, porém, ela nos surpreende ao mostrar que é uma extraordinária atriz. E sem exageros. A performance de Hathaway é simplesmente formidável. Na forma como conduz suas emoções descarrilhadas, vence a simpatia da audiência mesmo diante de um caráter falho, e quase nos traz à lagrimas em cenas em que surge completamente submersa nos sentimento à flor da pele de Kym. A representação simbólica de sua personagem; deslocada, trágica e traumatizada, acaba tocando afundo e Demme não hesita em extrair de Hathaway o máximo possível. E o mesmo se aplica ao resto. Temos um tour de force excepcional de Bill Irwin (Across the Universe), uma magnífica Rosemarie DeWitt (A Luta Pela Esperança) e uma Debra Winger (Um Funeral Muito Louco) em participação muito especial. Talentos que constroem aqui personagens realistas e maduros, ancorados ao nossos mais íntimos dia a dias. Por isso, suas particularidades ecoam e transformam O Casamento de Rachel em não só um panorama de culturas (pois é o casamento mais ricamente cultuado e detalhado que já testemunhei – e realmente sentimos como se fossemos testemunhas), mas num panorama de relações humanas mais íntimas. E isso torna tudo muito belo.

Não teve imagem mais singela e bonita neste ano, por exemplo, do que aquela em que traz quatro dos personagens confortavelmente entrelaçados. E a simples pureza da cena já seria incrível, mas o sentimento incrível de ternura que transmite é algo reservado aos patamares dos grandes filmes sobre seres humanos. Pois O Casamento de Rachel não hesita em momento algum ao escancarar seus personagens, defeitos e tudo, em debates calorosos. Feridas abertas e ardentes que transformam a sessão num drama particular dos mais densos. A força do filme é única. Seus personagens são geniais e tudo é construído com muita desenvoltura. É uma prova da virtuosidade da pura simplicidade e um atestado à sensibilidade de Jonathan Demme, que nos fez chorar com Filadélfia. Mas mais que isso, O Casamento de Rachel sempre sobreviverá como o filme que escancarou a preciosidade de Anne Hathaway. Só espero que ele seja lembrado – também – por sua imensa beleza.

Comentários da produtora Neda Armian, da roteirista Jenny Lumet e do editor Tim Squyres

Comentários da atriz Rosemarie DeWitt

Especiais:

Banda do Casamento: Featurette interessante sobre o processo impressionante de composição para o filme. Ao contrário dos filmes convencionais, a trilha sonora foi improvisada e criada durante as filmagens - com as bandas que seriam parte do casamento - e não após a edição. A riqueza da música fascina e o especial é bastante completo. (7:47)

Um Olhar por Trás das Cenas de O Casamento de Rachel: Um making off sobre todo o processo de filmagem (extremamente interessante), que se tornou praticamente uma festa de casamento. Traz depoimento dos atores e da equipe, comenta sobre os personagens e todos os típos de detalhes técnicos. (15:47)

Coletiva com Elenco e Equipe no Jacob Burns Center, Pleasentville, Nova York: Uma coletiva (bem grande) com vários participantes da equipe e do elenco, comentando sobre o filme no geral. Das influências ao futuro do projeto, capitaneado pelo diretor Jonatham Demme, a coletiva é bem divertida para quem gosta de cinema e descobrir o que acontece durante as filmagens e na produção de um filme. (49:18)

Cenas Excluídas: Algumas cenas estendidas do filme, contando com algumas até bastante interessantes. Apesar de uma ou duas descartáveis, vale a pena a olhada.

Trailer de Cinema

Trailers de "Rio Congelado" e "Valsa com Bashir".

Uma edição bastante adequada, o DVD de O Casamento de Rachel traz o que poderíamos esperar da Sony e seria uma edição para venda exemplar, podendo satisfazer colecionadores. Os extras não trazem nada de absurdamente especial, mas são suficientemente interessantes e completos, além de serem todos devidamente legendados. Além disso, o som vem com os canais 5.1 Dolby Digital exemplares, em masterização de alta definição. A imagem igualmente não deixa a desejar, com granulação adequada e boa definição de paletas. No geral, impossível reclamar do DVD, que vem sob medida certa e conquistadora, apresentando um belo filme em embalagem merecida.
 
Por Wally Soares em 22/08/2009
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