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| Anne Hathaway, Rosemarie DeWitt, Bill Irwin, Tunde Adebimpe, Mather Zickel, Anna Deavere Smith, Anisa George, Robyn Hitchcock, Sister Carol East, Debra Winger |
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| Kym (Anne Hathaway) volta para casa da família Buchman para presenciar o casamento de sua irmã Rachel (Rosemarie DeWitt). Ela chega com um longo histórico de crises pessoais, conflitos familiares e um tanto de tragédia. O grande grupo de amigos e conhecidos dos noivos reúne-se para um fim de semana de banquetes, música e amor. Mas Kim, com suas frases mordazes e tendência para o drama, vai precipitar antigas tensões existentes na dinâmica da família. Com os muitos personagens profudos e ecléticos que Jonathan Demme gosta de criar em seus filmes, "O Casamento de Rachel" é um retrato de família atento, sensível e, por vezes, engraçado. |
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A pura simplicidade que rege O Casamento de Rachel poderia muito bem se tornar um elemento de “convenção” e “tradicionalismo” e, tendo como base a filmografia eclética de seu diretor, Jonathan Demme (Sob o Domínio do Mal), não faria muito sentido. Demme, que já dirigiu os excepcionais (e antagônicos) O Silêncio dos Inocentes e Filadélfia, nunca se deixou levar pelo lugar comum. E é por isso que o que fez em O Casamento de Rachel não deva ser mal interpretado. Partindo de um roteiro delicado e diversamente brilhante de Jenny Lumet (filha do diretor Sidney Lumet – em seu primeiro trabalho), Demme opta por fazer um filme sem artifícios cinematográficos afiados ou ousadia narrativa. Sabendo que os personagens dos quais tem em mão são densos, intricados e intensos, ele filma de uma forma intimista, simples e quase documental, capturando o casamento como se fosse uma filmagem caseira de uma ocorrência de nossa própria família. Uma sábia escolha, tendo em vista que o resultado final é um drama belo, tocante e com o qual – graças a Demme – pode ocorrer uma clara identificação por parte da audiência.
O filme começa nos introduzindo à instável Kym (Anne Hathway), que vive entrando e saindo da casa de reabilitação, ao ganhar um fim de semana para passar com sua família, durante o casamento de sua irmã, Rachel (Rosemarie DeWitt). O casamento, porém, logo se transforma numa cerimônia de emoções à flor da pele, quando a chegada de Kym traz a tona sentimentos enterrados. O longa inicia-se então com a saída de Kym da casa de reabilitação, e a câmera (e o espectador) vai a seguindo enquanto passa o fim de semana no casamento da irmã, nos envolvendo nas intimidades que começam a surgir entre os membros da família. Vem a tona, por isso, alguns elementos já batidos neste típo de filme em que certo personagem volta para casa enfrentar seus esqueletos no armário. A diferença aqui é que nada soa falso. Genuinamente dirigido e escrito com uma sensibilidade chave, a fluidez do filme é algo incrível e quando menos se percebe você estão tão imerso no filme quanto nos próprios personagens. Culpa de diálogos críveis, emoções cruas e, obviamente, um elenco essencial. E aqui, todos possuem alguma ressonância e trazem algo particular a seus respectivos personagens.
O maior deleite seja, talvez, Anne Hathaway que, desde O Diabo Veste Prada, vem demonstrando ser boa atriz. Aqui, porém, ela nos surpreende ao mostrar que é uma extraordinária atriz. E sem exageros. A performance de Hathaway é simplesmente formidável. Na forma como conduz suas emoções descarrilhadas, vence a simpatia da audiência mesmo diante de um caráter falho, e quase nos traz à lagrimas em cenas em que surge completamente submersa nos sentimento à flor da pele de Kym. A representação simbólica de sua personagem; deslocada, trágica e traumatizada, acaba tocando afundo e Demme não hesita em extrair de Hathaway o máximo possível. E o mesmo se aplica ao resto. Temos um tour de force excepcional de Bill Irwin ( Across the Universe), uma magnífica Rosemarie DeWitt ( A Luta Pela Esperança) e uma Debra Winger ( Um Funeral Muito Louco) em participação muito especial. Talentos que constroem aqui personagens realistas e maduros, ancorados ao nossos mais íntimos dia a dias. Por isso, suas particularidades ecoam e transformam O Casamento de Rachel em não só um panorama de culturas (pois é o casamento mais ricamente cultuado e detalhado que já testemunhei – e realmente sentimos como se fossemos testemunhas), mas num panorama de relações humanas mais íntimas. E isso torna tudo muito belo.
Não teve imagem mais singela e bonita neste ano, por exemplo, do que aquela em que traz quatro dos personagens confortavelmente entrelaçados. E a simples pureza da cena já seria incrível, mas o sentimento incrível de ternura que transmite é algo reservado aos patamares dos grandes filmes sobre seres humanos. Pois O Casamento de Rachel não hesita em momento algum ao escancarar seus personagens, defeitos e tudo, em debates calorosos. Feridas abertas e ardentes que transformam a sessão num drama particular dos mais densos. A força do filme é única. Seus personagens são geniais e tudo é construído com muita desenvoltura. É uma prova da virtuosidade da pura simplicidade e um atestado à sensibilidade de Jonathan Demme, que nos fez chorar com Filadélfia. Mas mais que isso, O Casamento de Rachel sempre sobreviverá como o filme que escancarou a preciosidade de Anne Hathaway. Só espero que ele seja lembrado – também – por sua imensa beleza.
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Comentários da produtora Neda Armian, da roteirista Jenny Lumet e do editor Tim Squyres
Comentários da atriz Rosemarie DeWitt
Especiais:
Banda do Casamento: Featurette interessante sobre o processo impressionante de composição para o filme. Ao contrário dos filmes convencionais, a trilha sonora foi improvisada e criada durante as filmagens - com as bandas que seriam parte do casamento - e não após a edição. A riqueza da música fascina e o especial é bastante completo. (7:47)
Um Olhar por Trás das Cenas de O Casamento de Rachel: Um making off sobre todo o processo de filmagem (extremamente interessante), que se tornou praticamente uma festa de casamento. Traz depoimento dos atores e da equipe, comenta sobre os personagens e todos os típos de detalhes técnicos. (15:47)
Coletiva com Elenco e Equipe no Jacob Burns Center, Pleasentville, Nova York: Uma coletiva (bem grande) com vários participantes da equipe e do elenco, comentando sobre o filme no geral. Das influências ao futuro do projeto, capitaneado pelo diretor Jonatham Demme, a coletiva é bem divertida para quem gosta de cinema e descobrir o que acontece durante as filmagens e na produção de um filme. (49:18)
Cenas Excluídas: Algumas cenas estendidas do filme, contando com algumas até bastante interessantes. Apesar de uma ou duas descartáveis, vale a pena a olhada.
Trailer de Cinema
Trailers de "Rio Congelado" e "Valsa com Bashir".
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Uma edição bastante adequada, o DVD de O Casamento de Rachel traz o que poderíamos esperar da Sony e seria uma edição para venda exemplar, podendo satisfazer colecionadores. Os extras não trazem nada de absurdamente especial, mas são suficientemente interessantes e completos, além de serem todos devidamente legendados. Além disso, o som vem com os canais 5.1 Dolby Digital exemplares, em masterização de alta definição. A imagem igualmente não deixa a desejar, com granulação adequada e boa definição de paletas. No geral, impossível reclamar do DVD, que vem sob medida certa e conquistadora, apresentando um belo filme em embalagem merecida. |
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Por Wally Soares em 22/08/2009 |
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