Partida, A(Okuribito)
Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki, Ryoko Hirosue, Kazuko Yoshyuki, Kimiko Yo, Takashi Sasano
Yojiro Takita
2008
Japão
130 minutos

A Partida segue a história de um jovem que começa a trabalhar como "Nokanshi", uma espécie de agente funerário, responsável por preparar o corpo, colocá-lo no caixão e enviar a pessoa que morreu para o outro mundo, agindo como um guardião entre a vida e a morte. Porém seu trabalho é desprezado tanto por sua esposa quanto pelas pessoas a sua volta, mas através da morte é que começa a descobrir o verdadeiro sentindo da vida.

Dama
Paris Filmes
14/08/2009
Inglês, Português
  

 
 

O rigor ritualístico oriental é um dos atrativos centrais de A partida (Okunibito; 2008), filme dirigido pelo japonês Yojiro Takita. Outro atrativo é a sensibilidade inteligente de que se vale o cineasta para narrar uma história engraçadamente sentimental (ecos do cineasta italiano neorrealista Vittorio de Sica?).

O ponto de partida de A partida é mórbido. Um jovem músico, quando a orquestra em que trabalha é dissolvida, sai à cata de emprego e vai ter a uma funerária que ele julgava ser uma agência de turismo (a expressão “ajudando a partir” o confundiu, pois pensou em viagens e não na morte). Reticente a princípio, o jovem acaba profissionalizando-se na função de preparar os corpos para os funerais. Desde o início, o coeficiente de morbidez é tratado com humor, muitas vezes sutil e enviesado, sem a grosseria habitual do cinema de humor ditado por um filão do cinema americano que tanto agrada à juventude; o trágico mórbido e a ironia de narrador se contrabalançam bem ao longo do filme.

Toda a sequência inicial, com o rapaz preparando um jovem corpo morto de um travesti, é uma apaixonante aula de rito cinematográfico; isolada do filme, que tem seus altos e baixos, a sequência é uma obra-prima de construção de gestos da personagem e planos cinematográficos (que são os gestos da câmara). E a emoção final, com o rapaz preparando o corpo do pai que o abandonou na infância e ocorrendo que a esta preparação minuciosa e emotiva assiste a esposa do jovem que está grávida, articula as exacerbações melodramáticas com uma leveza formal que surpreende.

O que bem ocorre em A partida é a amostra de como um belo filme pode chegar ao espectador de mansinho, sem apelações espetaculares. (Eron Fagundes)

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É engraçado como não conhecíamos o diretor Yojiro Takita, apesar de ele ter feito mais de 40 filmes e, de repente, sem qualquer preparação, ter ganhado o Oscar® de Filme Estrangeiro (que é sempre uma surpresa, por mais que mexam na organização deles, tem sido sempre injusto; nunca, ou quase nunca, ganha o mais famoso, ou mais consagrado). Mas podiam ter feito pior. Este é um filme muito japonês, muito oriental, muito delicado, falando da morte com discrição e mesmo afeto. Começa muito bem com dois empregados de um serviço funerário, o mais velho senhor Sasaki (Tsutomu Yamazaki) e seu empregado, ainda em treinamento, Daigo (Masahiro Motoki). Eles chegam à casa de uma família e vão preparar o corpo de uma moça, quando esbarram numa surpresa, e a contornam com muita classe. Aos poucos, vai-se contando a trama central: Daigo perdeu o emprego em Tóquio, antes mesmo da crise - ele é violoncelista de uma orquestra que faliu - e, acompanhado da mulher (Ryoko Hirosue), retorna à sua pequena cidade natal, para morar na casa que pertenceu à sua mãe. O trabalho na funerária é visto com preconceito (limpar e maquiar cadáveres), mas não há discussão sobre o após morte; todo o ritual é para os vivos aceitarem melhor a partida e, eventualmente, cremação, como é hábito no Japão. O conflito maior é que o herói não conta para sua esposa o que faz e, eventualmente, faz as pazes com seu passado. Um filme bonito, poético mesmo. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de 19 de julho de 2009)

São exibidos antes do menu inicial (podendo ser interrompidos) os trailers de “Vigaristas”, e “Astroboy”, legendados

Sinopse – Tela com texto dispensável.

Ficha Técnica – Idem.

Trailer do Filme (legendado)

Próximos Lançamentos – Trailers dos filmes “O Lutador”, “Presságio” e “Segredos Íntimos”, todos legendados.

Um filme sensível, que foi vencedor do Oscar® de filme estrangeiro em 2009(contra fortes concorrentes), tem uma edição em DVD apenas boa. A imagem está muito boa, no formato e proporções devidos, sem imperfeições importantes e com boa definição, sem compressão aparente. O áudio é que incomoda por ter apenas 2 canais, tanto no idioma original como na dublagem, que deverá ser preferida pelo público, é “difícil” para a maioria assistir a um filme em Japonês. Os extras são praticamente ausentes, o DVD ainda não foi lançado nos EUA, mas a edição japonesa dispõe pelo menos de um making of, cenas deletadas, um featurette e uma entrevista coletiva realizada em Montreal, além de áudio em 5.1 canais. Mesmo assim, o filme vale (e muito) ser assistido.
 
Por Edinho Pasquale em 14/08/2009
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