The Spirit: O Filme(The Spirit)
Gabriel Macht, Eva Mendes, Sarah Paulson, Dan Lauria, Paz Vega, Scarlett Johansson, Samuel L. Jackson
Frank Miller
2008
EUA
103 minutos

No alto das ruas escuras e assoladas pelo câncer da criminalidade, paira a vigília de um vingador mascarado. Denny Colt (interpretado por Gabriel Macht) foi um dos melhores policiais de Central City até ser baleado mortalmente por um agente do crime organizado. Mas o destino o trouxe de volta do mundo dos mortos como Spirit, um herói criado nas ruas que enfrenta vilãs muito sedutoras, como a curvilínea Sand Saref (Eva Mendes) e a charmosa Silken Floss (Scarlett Johansson). E neste suspense de ação e produção artística de tirar o fôlego, não poderia faltar o arqui-inimigo malfeitor, o Octopus, interpretado por Samuel L. Jackson. Ele está determinado a devastar a cidade protegida pelo Spirit em busca de sua própria forma de imortalidade.

Ação, Ficção
Sony Pictures
07/07/2009
Inglês, Português,
Espanhol
  
 
 
  

Para convencer Frank Miller à vender os direitos de sua HQ "Sin City", o diretor Robert Rodriguez filmou um curto segmento sem autorização e exibiu ao escritor. Miller adorou, aprovou o projeto e foi co-diretor do filmaço de Rodriguez. "Sin City – A Cidade do Pecado" foi uma revolução na linguagem do cinema. Um quadrinho transportado para as telas com vitalidade e ousadia. Miller parece ter adorado a experiência, e decidiu adaptar o quadrinho de seu ídolo, Will Eisner, chamado "The Spirit". Infelizmente, porém, Miller não teve a sorte (e o talento) para fazer esta adaptação funcionar. Ambicioso, o filme foi todo filmado em frente à telas verdes, como "Sin City". Mas enquanto a narrativa de "Sin City" impressionava pela genialidade, a de "The Spirit – O Filme" cansa pela obviedade. O visual, entretanto, é "quase" tão rico quanto o projeto anterior, pecando apenas por ocasionais excessos ao jorrar cores mais exuberantes em meio ao preto e branco. A história segue o vigilante The Spirit (Gabriel Macht), um ex-policial chamado Denny Colt baleado na linha de fogo que volta do mundo dos mortos para batalhar a criminalidade da decante cidade que tanto ama e anseia proteger. Durante sua caçada pelo aqui-inimigo Octopus (Samuel L. Jackson), ele encontra Sand Saref (Eva Mendes), antigo amor de sua vida. É uma história um tanto rasa e que ganha contornos excessivamente artificiais nas mãos de Miller. Rodriguez transcendeu os limites de "graphic novel" em "Sin City", mas Miller se prende demais ao formato, ao apostar em humor exagerado, romance bobo e diálogos irritantes. A ação tem seus momentos estilizados que podem entreter. Mas, a todo momento, o trabalho soa cinematograficamente pobre, embora visualmente excitante. Você se encanta com as perfeições na arte, os efeitos impecáveis e toda a desenvoltura técnica. Mas cinema não é feito apenas de imagens. Principalmente quanto estas se limitam a ser belas, não expressivas.

Então, com todos seus pomposos artifícios visuais, inspiração estética e criatividade em construir um mundo inteiro, "The Spirit" não almeja além de um obra artificial e pouco memorável, que tem seus momentos descomprometidos divertidos e outros que se levam muito a sério. No final das contas, é um exercício frustrante com amplo espaço para aperfeiçoamento. O problema parece residir na mão de Miller, que carece experiência e desenvoltura. Sem a co-direção de Rodriguez, perdeu-se muito. Miller, sendo um artista visual virtuoso, transforma a obra em uma rica experiência visual. Mas ele se limita a tratar o resto de forma superficial. Sendo assim, diálogos, personagens e dramas são meros detalhes quando deveriam ser a atração especial. O resultado é uma sessão irregular. Muito para quadrinho, pouco para cinema.

O consenso mais "usual" que pode ser tido sobre a obra é de que seja um clássico exemplo de estilo vs. substância, e a vitória do primeiro sobre o resto. Fato incontestável dado a constante fragilidade de uma narrativa sem textura ou envolvimento maior do que as imagens nos propõem. E o estilo funciona. O preto e branco clássico impressiona, com a gravata vermelha de seu herói reluzente e emblemática. Ao contrário de "Sin City", que além do preto e do branco resgatava apenas o vermelho do sangue e o amarelo de seu sádico personagem, "The Spirit" mergulha em outros tons e realça outras cores de formas em vezes mais extravagantes. Às vezes funciona, como na fotografia dourada das lembranças do personagem título sobre seu romance com Sand Saref, mas na maior parte das vezes soa demasiadamente carregado e substancialmente artificial. A vertigem visual, porém, é incontestável, e o aspecto estético do filme merece os elogios mais sinceros.

No meio de um cenário inóspito, onde a ausência de sincera emoção dá lugar à uma frieza calculada, a última fortaleza residiria em um elenco habilmente centrado e emocional. Mas seja pelos personagens ocos e desinteressantes ou mesmo pela canastrice dos envolvidos, ninguém no extenso elenco consegue elevar o projeto à um nível mais pessoal. Macht faz seu herói da forma mais genérica possível enquanto Samuel L. Jackson atira para todas as direções e não acerta uma. O resto fica à deriva das femme fatale, que oscilam entre a explícita sensualidade de Mendes (se limitando a ser apenas um objeto sexual), a redonda Sarah Paulson, a quase inexistente Jaime King e a excêntrica (e divertida) personagem encarnada por Scarlett Johansson de forma inspirada. O máximo de coesão em um projeto repleto de inconsistências. Se fosse um filme mudo, "The Spirit – O Filme" teria almejado ser mais que apenas um ambicioso projeto totalmente esquecível.

Comentários do diretor Frank Miller e da produtora Deborah Del Prete

"Miller fala de Miller" – Featurette que coloca o diretor Frank Miller dialogando acerca de seus trabalhos nos quadrinhos, suas referências e, especialmente, sobre Will Eisner e o quanto ele influenciou seu trabalho. O interessante (e completo) especial mostra também as conexões entre o quadrinho e o cinema. (16:00)

"O Mundo Verde" – Um especial sobre as filmagens entre as telas verdes e sobre o extensivo e importante utilizo de efeitos visuais. O featurette mostra a transição dos quadrinhos para o cinema em questões estéticas, o interessante processo de montagem e um pouco mais sobre Will Eisner. Traz depoimentos dos atores e da equipe quanto ao envolvimento deles com filmagens sem locações e limitados ao estúdio, na dependência de efeitos invisíveis. Traz também artes conceituais e momentos de gravação. (23:00)

Storyboard do Final Alternativo – Artes conceituais de um final alternativo que teria sido um primor se tivesse sido mantido. Bastante poético e até brilhante, bem ao estilo do que foi visto em "Sin City – A Cidade do Pecado". (2:30)

Trailers (sem legendas) de "O Exterminador do Futuro – A Salvação", "Anjos e Demônios", "Trama Internacional", "O Justiceiro – Em Zona de Guerra" e "O Vizinho".

Fazendo jus à qualidade visual do filme, o menu é estilizado e bonito, bastante interativo. A qualidade do DVD em questões de áudio e vídeo são incontestáveis, sendo bastante expressivas com seu widescreen anamórfico com brilho adequado e áudio em canais de 5.1 Dolby Digital. O DVD ainda traz extras interessantes, sendo o destaque dois especiais sobre a produção do filme, com depoimentos de atores e do diretor. Além dos comentários em áudio opcionais, os extras ainda trazem um final alternativo (e melhor) em artes conceituais. Tudo devidamente legendado, com exceção dos trailers (o que não consigo entender). No fim das contas, é um DVD bem melhor que o filme que o originou. O filme, que pode funcionar para fãs de "Sin City – A Cidade do Pecado" pode afastar o público com suas aspirações artísticas mais elevadas (e infundadas).
 
Por Wally Soares em 09/08/2009
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