Diana Krall: Live in Rio - BLU-RAY
Diana Krall, Anthony Wilson (guitarra), Jeff Hamilton (bateria), John Clayton (contrabaixo), Paulinho da Costa (percussão), Orquestra do Rio
David Barnard
2008
EUA, Brasil
110 minutos

Diana Krall é há muito tempo, fascinada pela bossa nova, o que combina perfeitamente com seu estilo sofisticado e sensual. Esta relação de amor culminou nesta nova fase com esta maravilhosa apresentação filmada na casa da bossa nova, no Rio de Janeiro, em Novembro de 2008. Acompanhada por sua banda da bossa nova, Diana Krall toca verdadeiros clássicos na batida da bossa nova, mas claramente carregando seu estilo único.

1. I Love Being Here With You - 2. Let's Fall In Love - 3. Where Or When - 4. Too Marvellous For Words - 5. I've Grown Accustomed To His Face - 6. Walk On By - 7. Frim Fram Sauce - 8. Cheek To Cheek - 9. You're My Thrill - 10. Let's Face The Music And Dance - 11. Every Time We Say Goodbye - 12. So Nice - 13. Quiet Nights - 14. Este Seu olhar - 15. The Boy From Ipanema - 16. I Don't Know Enough About You - 17. S'Wonderful - 18. Exactly Like You

Música
ST2
26/05/2009
Português (Extras), Espanhol (Extras),
Inglês (Extras), Francês (Extras),
Alemão (Extras), Italiano (Extras),
Holandês (Extras)
  
 
 

A, B, C

Diana Krall é uma das principais musas do Jazz. Ponto. Dito isto, vamos ao concerto que ela realizou no Brasil. Gravado no “Vivo Rio“, num palco cuja iluminação tentou tornar a casa mais intimista, o que a tornou por vezes deficiente, principalmente da orquestra que acompanhou. Como no CD lançado recentemente, o repertório é baseado em standards da música americana com arranjos no ritmo mais de bossa nova e com canções brasileiras. Se a mistura deu certo? Vejamos:

O concerto abre com cenas matutinas do Rio (outras cenas são rapidamente apresentadas na introdução de outras canções) e já de cara apresenta o sugestivo “I Love Being Here To You” (de Peggy Lee), para mostrar a que veio. Com um trio de primeira, Anthony Wilson (guitarra), Jeff Hamilton (bateria) e John Clayton (contrabaixo), já começam a embalar o público som bons solos. Como um “cartão de visitas”. Na sequência, “Let´s Fall in Love”. E Diana começa a desfilar seu charme logo depois da primeira estrofe, com pausa para um longo suspiro, que, obviamente encanta a platéia. Antes de continuar o concerto, Diana continua a ganhar a platéia e, depois de apresentar o seu trio, inclui o brasileiros Paulinho da Costa na percussão, o Maestro Ruria Duprat e a Orquestra do Rio de Janeiro, continua a cantar famosos standards da música americana, com um toque bem de bossa nova, afinal, essa é a intenção do novo disco (“Quiet Nights”) e show da cantora, como “Where or When” (do musical “Babes in Arms”), “Too Marvelous For Words” (que Diana comenta que conheceu através de Frank Sinatra) e “I've Grown Accustomed to Her Face” (do musical “My Fair Lady”), com belos arranjos, suaves, para realmente abrilhantar a voz da cantora.

Já “Walk on By”, de Burt Bacharat, tem no seu arranjo uma bela suavidade, numa interessante versão, bem diferente da consagrada por outra “dione”, a Dionne Warwick, que, talvez não por coincidência, também adotou o Rio e a música brasileira na sua carreira. Em “Frim Fram Sauce”, gravada inicialmente por Nat King Cole, é deliciosamente tocada por Krall, que, grande pianista que é, conta que foi a sua primeira música a aprender no instrumento, quando tinha 15 anos. Ela claramente se diverte ao relembrá-la, aos se deliciar na integração claramente improvisadas com o seus músicos. Já outro ícone do Jazz, Irving Berlin, é representado com a maravilhosa “Cheek To Cheek”. O público finalmente esquenta e interage nos novamente virtuosos solos e improvisos.

Novos clássicos são embalados, como “You´re My Thrill”, sucesso da hour-concours Billie Holiday, cuja interpretação é suave, mas dá uma ligeira derrapada, não entusiasma muito. Irvin Berlin volta a cena, em “Let´s Face the Music and Dance”, que Diana acha “apropriada” para o show. Sim, é um bom exemplo dos arranjos “a la bossa nova”.

Pausa para uma conversa com o público, onde ela fala de seus filhes e marido, Elvis Costello, que estão em Vancouver enquanto ela está de “férias” no Rio... Claro que não soa como ofensa, ela logo explica que está adorando fazer o show. E emenda com a fantástica “Every Time You Say Goodbye”, de Cole Porter, numa bem comportada versão. Ou seja, cheia de charme.

Finalmente, Diana envolve o público de vez, ao começar uma sequência de músicas brasileiras. Inicialmente, “So Nice” (“Samba de Verão”) é bem recepcionada (ela até pede, meio sem graça, para que o público cante com ela), e, em seguida, “Quiet Nights” (“Corvovado”), agora sim com o público finalmente entoando a canção em Português, num dos pontos mais altos do show, num inusitado dueto em Inglês-Português. Arrepiante. Depois dessa, só mesmo “Este Seu olhar”, com uma charmosa e divertida tentativa de Diane cantar em Português, arrancando gritinhos e até algumas simpáticas risadas da plateia, principalmente ao pronunciar “gousssta di mim”, com sotaque carioca! Na segunda metade da música, ela pede ajuda: “me mostrem como se canta”. Acho que devo usar mais uma vez a palavra charme para retratar o momento. Ela finaliza a parte brasileira com “The Boy From Ipanema” (“Garota de Ipanema”, adaptada), o carro-chefe do CD recém gravado. Como é uma das músicas mais conhecidas internacionalmente, Krall está bem mais à vontade e solta ainda mais a voz. Mais uma vez o público vai ao delírio e canta a plenos pulmões, em novo dueto. A musa se emociona e volta a apresentar os músicos. Acabou? Não. Ela comenta que gostaria de continuar do país e comenta que assistiu ao concerto de “João Gilber - to” (sim, há uma excitação) e comenta outros de seus ídolos brasileiros, e brinca com a platéia, depois de um gritinho bem brazuca de um sujeito da platéia de “I Love You”. E então ela “começa a terminar” a apresentação com “I Don´t Know Enough About You”, de Peggy Lee, com uma boa “pegada”.

O bis vem com “S’Wonderful”, dos irmãos George e Ira Gershwin, do musical “Funny Face”, num excelente arranjo bem bossa nova e o show termina com “Eactly Like You”,. Para a tristeza dos fãs. Mas com alegria para quem tem a oprtunidade de rever estes preciosos momentos em casa.

Conversations – Um making of com 24 minutos, onde Diana e equipe fazem interessantes comentados sobre este trabalho. Entremeado com belas cenas de Diana no Rio, ela comenta que se interessou pelo projeto ao saber que os músicos brasileiros responsáveis pela Bossa Nova também gostavam dos standards americanos e resolver fazer uma junção. Os músicos comentam ainda a relação gênero suave da Bossa Nova combina com Diana e que, além de sua importância histórica, tem músicas sentimentais e, por que não, sensuais como a cantora. Há outros comentários bem legais, como Diana falando que se comoveu com o público cantando as músicas no idioma original durante o show, suas influências musicais etc. Legendado em Português (de Portugal), está em HD widescreen anamórfico.

Rooftop Session (HD) – Uma pequena “jam session” com Diana, seus músicos Jeff Hamilton (percussão), Anthony Wilson (violão) e Carlos Lyra, um dos ícones da Bossa Nova, mostra de forma bem descontraída algumas canções que foram apresentadas no show: “The Boy Form Ipanema”, “Too Marvelous To Words”, “Cheek To Cheek” e “Quiet Nights”. Pena que Lyra está meio acanhado, mesmo assim, proporcionou alguns bons duetos. Ambientado num bar no topo do hotel, meio à beira da piscina, o barulho do “público” que está nos outros ambientes não incomoda.

Promotional Film: The Boy From Ipanema (HD) – Uma espécie de vídeo clipe da música. Na verdade, são belas cenas do Rio de Janeiro com a canção ao fundo. Promove bem a cidade maravilhosa...

Um belo show tem um erro grave na sua edição em Blu-ray: a péssima qualidade de imagem. Talvez devido a forma como as imagens foram captadas, somadas à iluminação do ambiente e a efeitos digitais, a granulação da maioria das cenas é inacreditável. Onde Diana está, ao piano, com uma iluminação mais intensa, não se percebe tanto. Ainda bem, pois a bela e encantadora é, afinal, a estrela. E para o fetiche de alguns, os closes na pedaleira do piano também estão com boa qualidade... Mas é lamentável para um lançamento de um show captado há menos de um ano. Um raro caso em que a qualidade de imagem do DVD supera ao do Blu-ray, pois a alta definição reforçou os defeitos. O áudio está perfeito, com incrível qualidade e amplitude, com distribuição dos canais que nos envolvem, com detalhes da sonoridade de cada instrumento, colocando o corretamente o áudio da platéia bem ao fundo. Quando ela participa, entoando as canções, fica arrepiante. O trabalho de captação foi perfeito, principalmente para a trilha “loseless”, limpa, clara. Os extras são básicos, o pocket show é bem descontraído (e por incrível que pareça, com melhor qualidade de imagem do que o show) e pelo menos na edição em BD o documentário está legendado em Português e as imagens estão todas em alta definição (HD). Acompanha om pequeno encarte com 12 páginas com texto introdutório, fotos do Rio de Janeiro e ficha técnica do show. No geral, quem gosta do gênero e é fã da cantora, além de já ter o equipamento, não se irrite com a péssima qualidade de imagem. O som e o show merecem um lugar na sua prateleira.
 
 
Por Edinho Pasquale em 30/06/2009
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