Passageiros(Passengers)
Anne Hathaway, David Morse, Patrick Wilson, Dianne Wiest
Rodrigo García
2008
EUA
92 minutos

Após um trágico acidente aéreo, a jovem psiquiatra Claire (Anne Hathaway) é escolhida por seu chefe para atender dez sobreviventes. Enquanto ouve os relatos de todos e coleta informações do que pode ter acontecido Claire conhece Eric (Patrick Wilson), o mais enigmático dos passageiros, e se sente atraída. Os dois se aproximam de uma forma tão intensa que essa relação vai além do campo profissional. No decorrer do tempo, os outros sobreviventes começam a desaparecer misteriosamente e Claire acredita que Eric tem as respostas para esses estranhos acontecimentos devido a visões que ele mesmo diz ter. Agora a jovem fará o que for preciso para descobrir a verdade sobre o que aconteceu e pode chegar a respostas surpreendentemente assustadoras.

Drama
Imagem Filmes
24/06/2009
Inglês, Português
  
 
 
 

Quando chegamos ao clímax de Passageiros, estamos desgastados. Tão desgastados, que o choque provocado por um momento específico soa como se tivéssemos sido literalmente eletrocutados. E no bom sentido. O clímax do filme confere ao restante a significância que precisava para funcionar e, apesar da sessão ter sido bastante arrastada, é inegável como o diretor conseguiu nos segurar atenciosos, numa direção estranhamente segura de si apesar do material frágil. Então, para aqueles que forem pacientes e conseguirem enxergar além do mero suspense, Passageiros é recomendável por ser um exercício curioso em cinema. Falho, ocasionalmente aborrecido, e infelizmente cansativo a certo ponto, ele funciona por conter nuances que surgem de forma inesperada e nos fazem querer rever o filme assim que este se finaliza. E, só por provocar esta sensação no mínimo interessante, o filme já merece algum reconhecimento apropriado, ainda que reserve seus defeitos e ser, de fato, uma obra bem inferior à que poderia ter sido tendo em vista a força de seu desfecho. Oportunidades perdidas postas de lado, é um bom filme.

O longa inicia-se suficientemente interessante, e vai desenvolvendo sua vaga premissa de uma forma lenta, chegando a um ponto em que é muito provável que a audiência comece a questionar os princípios do filme e se ele irá chegar em algum lugar com aquela sua história cheia de elementos bizarros, personagens estranhos e tremenda irregularidade. A maior parte destas falhas se justificam ao final, quando descobrimos a verdade por trás de tudo que rege a obra. E muito faz sentido, ainda que outra parte soe implausível. Em síntese, Passageiros é um falho e difícil filme, que decididamente não é para todo tipo de público. Sua narrativa é contemplativa, seu desenvolvimento arrastado e tudo soa muito peculiar. O suficiente para evitar qualquer identificação por parte do espectador. E isso com certeza enfraquece a obra em si, mesmo que esta tenha planos maiores ao fim. O problema é que tanto diretor quanto roteiristas apostam demais neste fim, e no que ele trará de objetividade ao resto da metragem. E, de fato, isto ocorre. O problema é que o choque ao clímax poderia ter se elevado à um pique emocional fortíssimo. Isso não ocorre porque até ali o filme estava sem pulso. É como se, ao ter passado dos setenta e poucos minutos de duração, ele tivesse tido uma parada cardíaca e, numa esperançosa tentativa de revivê-lo, trouxeram-no de volta a vida. E foi um bem sucedido procedimento, já que o filme não só volta a vida, mas te atordoa com sua revelação curiosamente significativa e até fascinante.

Até tal momento de "fascinação" chegar, o melhor a se fazer é tentar ignorar os excessos e aguentar a falta ritmo moribunda do longa. Isso torna-se mais fácil levando em conta o talento irrepreensível que Anne Hathaway confere à obra. Versátil e hábil, Hathaway constrói uma personagem que vai se tornando mais e mais enigmática conforme a metragem vai rolando não exatamente pelo que ocorre em sua volta (que por sua vez é bem curioso) mas pelo que a atriz a transforma via um desempenho notável. Seu par, o sempre competente Patrick Wilson, não decepciona. O resto do elenco não sai do lugar comum, com desempenhos mornos de Andre Braugher e David Morse. Dianne Wiest, por sua vez, encarna uma personagem inicialmente estranhíssima, mas bem importante. Quem realmente faz uma diferença, porém, é Hathaway, que deixa tudo bem mais digerível. Sua atenção por detalhes faz uma diferença na coesão da narrativa, já que Hathaway consegue imprimir nuances que provocam e nos deixam mais atentos quando o próprio roteiro falha imensamente neste aspecto. Ou seria a direção esgotada de criatividade e percepção? Deixo o julgamento a vocês.

O fato é que Passageiros se lisonjeia. Se deixa levar solenemente pela força de seu clímax impressionante, e parece esquecer que o "resto" precisa se elevar do mero "curioso". A curiosidade pode pendurar até certo ponto, apenas. Chega a um ponto que o pulso, e quando digo pulso quero dizer o suspense, precisa ser acionado. Mas García imprime um clima sempre exageradamente melancólico ao filme que o danifica. Em contraponto, ele dirige outros com uma atmosfera pesadamente sombria que instiga. E é quando García almeja sair do lugar comum que nós a audiência conseguimos também, nos conectando com os personagens, ainda que muito limitadamente. E, quando chegamos ao fim, não conseguimos evitar mas sermos surpreendidos e deliciados por aquilo que estava a nossa frente o tempo todo, mas transparente à mera percepção. Mas talvez o fraco do filme seja realmente este. Talvez ele seja transparente demais. Um pouco de densidade e vigor emocional não faria mal. Frustrações de lado, é um filme recomendável por conseguir ser inesperado (algo cada vez mais raro) e dignamente atuado. Basta ser paciente. (Wally Soares – confira o blog Cine Vita)

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A distribuidora nem exibiu este filme para a imprensa, com medo da repercussão negativa, o que não impediu seu fracasso. O que é uma pena, porque é um modesto filme B, com elenco importante, a encantadora Anne Hathaway (que foi há pouco indicada ao Oscar por O Casamento de Rachel) e o astro da Broadway, Patrick Wilson (Watchmen), num thriller pequeno em metragem, e que tem uma história que, infelizmente, não podemos resumir sem contar do que se trata e estragar qualquer possível prazer. Não dá nem para dizer com quais filmes ele se parece, porque a charada ficaria clara demais.

Resta dizer que o filme custa muito a começar, como se não houvesse muita história a contar (e eles não querem enveredar por histórias criminosas e policiais), e demora mais ainda a envolver os dois protagonistas: Eric é um sobrevivente de desastre de aviação, que parece ter adquirido poderes paranormais (o trailer do filme é bom, e mais sugestivo do que o resultado), quando conhece Claire Summers (Anne Hathaway), uma jovem psicóloga que, apesar de inexperiente e assustada, vai cuidar desse grupo de sobreviventes, enquanto acha que Arkin (David Morse) um diretor da companhia de aviação está escondendo alguma coisa. Enquanto isso, se constrói a história de amor entre o casal, que vai ajudar bastante o filme.

Com seu lado espiritualista, e também romântico, ele pode até agradar a uma faixa de público, mas de maneira alguma deixem que lhe falem qualquer coisa sobre o filme, que irá estragar qualquer possível prazer. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de 12 de abril de 2009)

Slide Show - Sequência de telas com imagens do filme, dispensável.

Trailer

Novidades - Trailers dos filmes "Recém Chegada", "Tinha Que Ser Você" e "Efeito Borboleta 3", também apresentados antes do menu inicial sem possibilidade de interrupção, o que é ridículo.

Novamente um filme para locação da Imagem Filmes. Não é “perseguição”, apenas constatação. Se desta vez o filme é apenas razoável, a “operação padrão” da distribuidora continua a mesma. Imagem com boa qualidade, com alguma falta de definição e alguma granulação, nada que prejudique muito ao público em geral. Áudio com bom desempenho, mesmo que para o gênero os 5.1 canais sejam interessantes apenas para nos incluir dentro das cenas nos detalhes, o que por vezes não acontece. A duvidosa dublagem está apenas em 2 canais, como sempre. Extras? “o que é isso”, devem perguntar os responsáveis pela distribuidora tupiniquim. “Vamos colocar uns trailers”... Já na edição americana, bem mais decente, tem comentários em áudio, um bom making of, cenas deletadas e um featurette sobre os efeitos especiais da queda do avião. Enfim, a análise é a mesma de sempre: um filme que poderá ser apreciado pelos fãs da atriz principal, com um tema que deverá fazer maior sucessos nas locadoras, mas que fica longe de ser um produto ideal.
 
Por Edinho Pasquale em 26/06/2009
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