Quem Quer Ser um Milionário?(Slumdog Millionaire)
Dev Patel, Anil Kapoor, Freida Pinto, Azharuddin Mohammed Ismail, Rubiana Ali, Ayush Mahesh Khedekar,
Danny Boyle
2008
Inglaterra
120 minutos

Jamal é um jovem pobre que está prestes a se tornar um milionário no "Show do Milhão" da TV Indiana. Mas como esse garoto simples da favela sabe todas as respostas? Será armação? Ou o destino? Interrogado pela polícia, ele nos conta sua incrível história: a morte da mãe, a vida na rua ao lado do irmão e a paixão que ele tem desde criança pela bela Latika. Conseguirá Jamal provar sua inocência e ganhar o prêmio e o coração de sua amada? Com 10 Indicações ao OSCAR® 2009, QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO? foi o grande Vencedor do Globo de Ouro 2009 (Melhor Filme, Diretor, Roteiro e Trilha Sonora).

Drama, Romance
Europa Filmes
18/06/2009
Inglês, Português
  
 
 
 

Agora tudo muda de figura, e as pessoas vão começar a reclamar, dizendo que o filme não é tudo isso, que não tem cara do Oscar®, e assim por diante. Nada mais normal. Até agora, esta modesta produção inglesa, rodada na Índia, era um filminho que, como Davi, enfrentava os gigantes de Hollywood - como Benjamin Button, que custou três vezes mais do que ele. Agora, depois de levar oito Oscar® (filme, direção, roteiro, fotografia, montagem, trilha musical, canção e som, ou seja, todos os principais menos interpretação), virou fenômeno, e chegou o momento de ter o ‘backlash’ a onda contra. De qualquer forma, vocês sabem que este era meu filme favorito do Oscar® 2009.

Um filme (relativamente) pequeno da ‘Fox Searchlight’ (o Miss Sunshine deste ano). Uma produção britânica, toda rodada na Índia, que nos dá uma visão exuberante, moderna, de emoções fortes e contrastantes, e que era o único dos concorrentes, até agora ao menos, que não é depressivo ou trágico. Um filme bem de acordo com a ‘Era Obama’, em que os americanos enfrentam o futuro com apreensão, mas com esperança, acreditando que as coisas podem virar e melhorar. A fita tem essa mensagem positiva, e isso conta muito neste momento, é a hora certa. Quem dirige é Danny Boyle, que chegou a ser indicado pelo roteiro do filme que o revelou (Trainspotting), em 1996. Mas ele não estava de passagem, e demonstrou isso numa carreira com altos e baixos, mas sempre um domínio técnico notável. Boyle experimentou Hollywood, e viu que não era sua praia (Por uma Vida Menos Ordinária), fez uma digna adaptação de A Praia (mas foi engolido pelo fenômeno Di Caprio), deu a volta por cima com o terror Extermínio (2002), o delicioso Caídos do Céu (2004), e o bom Sunshine - Alerta Solar (2007). Mais versátil do que Guy Ritchie, tem certa semelhança com ele no gosto pela edição rápida, muitos planos em ritmo de music vídeo. Mas não esquece do conteúdo, nem de um roteiro muito preciso, o que fica claro aqui.

Esta é a história (fictícia) de um adolescente pobre indiano, que concorre a um programa tipo “Jogo do Milhão”, do SBT. Ele acerta tanto, que a própria produção do programa o entrega para a polícia, suspeitando de fraude. Ele começa sendo torturado (aliás, o plano inicial é ótimo, pondo em formato de múltiplas escolhas o que ele estaria fazendo ali, no programa), até ir confessando a relação das respostas com sua vida, atormentada e muito pobre.

Tem um pouco de Salaam Bombay, de Cidade de Deus, de tudo que se ouve da Índia antiga, em contraste com a moderna e rica da Mumbai (ex-Bombaim) de atualmente. Só que os flashbacks não são tradicionais, a vida dele vai se desenrolando, mostrando como foi muito pobre, como a mãe foi morta por ser mulçumana, como foi parar nas mãos de um explorador de crianças, como ele e o irmão protegeram uma menina órfã, e se intitularam os Três Mosqueteiros.

Não há duvida que algumas soluções são rocambolescas, ou melodramáticas, ou mesmo exageradas. Mas é, obviamente, um conto de fadas assumido. No contexto do filme  funcionam lindamente, até porque o filme não deixa de respeitar as convenções do cinema hindi (interrompe o beijo na boca, conclui com um grande número musical). O bacana é que Boyle sabe dirigir atores (quase todos desconhecidos e amadores), e capturar a atenção do espectador. Fiquei cativo dos personagens, das cenas, da narrativa, do visual, me envolvi com a história, e por várias vezes vibrei. Foi um prazer ver o filme e, com alegria, vou assisti-lo novamente.

Tomara todo filme do Oscar® fosse assim. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de 2 de março de 2009)

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O último grande vencedor do Oscar®, Quem Quer Ser um Milionário é um filme dos mais improváveis. E, talvez por isso, ele seja tão surpreendente. O versátil Danny Boyle (Sunshine – Alerta Solar), aventureiro de diversos gêneros distintos, é um dos motivos pelos quais o filme é tão preciso em seu efeito arrasador na audiência. Em total domínio de sua técnica, Boyle pega uma história simples e piegas e a transforma num tour de force cinematográfico poderoso e completamente irresistível. E, ao retratar um conto de superação dos mais contagiantes, traz consigo um sentimento afetivo que anda em falta no cinema recente pessimista. Da violenta cena inicial até a contagiante final, o filme te entorpece de uma maneira maravilhosamente idílica, levando seus espíritos conforme testemunhamos a trilha de um personagem denso num mundo cruelmente real. E é um espetáculo o caminho que Boyle pavimenta. Ousado e nunca conformado, ele e sua equipe técnica impecável traduzem cada palavra do excelente roteiro de Simon Beaufoy (A Vida Num Só Dia) numa vertigem sensacional que não só entretém, mas deslumbra.

E vertigem é o que não falta aqui. Armado com uma brilhante fotografia e uma edição genial, o filme nunca perde o ritmo e te mantém constantemente acesso às implicações da história, sejam estas quais forem. O roteiro é construído com precisão diante das complexidades das passagens do tempo, idas e vindas e flashbacks essenciais. Beaufoy faz com que as constantes jogadas pelo tempo não cansem, cria diálogos críveis e faz com que o tom de “fábula” se transforme em algo realista até demais, trazendo com isso um clima de emoção irrepreensível. E a plausibilidade aqui era necessária para a completa função dos temas regidos. Mas Beaufoy acerta e Boyle nunca condensa a esperteza da estruturação do script. Pelo contrário, ele apenas a fortalece, ao mergulhar a audiência num mundo habilmente construído e recheado da mais perfeita dramaticidade. O fervor do drama une-se então à força do suspense, ao descompromisso do humor e à agilidade do ritmo para criar um filme do qual você teme fechar os olhos e perder um mínimo detalhe de toda sua fantástica estrutura.

Ao lado de sensacionais aspectos como direção, roteiro, fotografia e edição, o filme ainda almeja uma trilha sonora completamente carregada de estilo e oscilação. Alias, talvez o que faça o filme brilhar tanto não seja nem tanto as particularidades destes elementos, mas sim, a forma extraordinária com a qual todos se unem tão bem e em completa sincronia poética. E o filme de Boyle é completamente poético em seus fundamentos densamente dramáticos de esperança em meio à perdição. Retratando Mumbai da forma devastadora como deve ser em sua miséria e violência, mas capturando seu espírito de forma sincera, ele eleva seu filme do mero lugar comum ao entregar à história identidade e audácia narrativa. Suas imagens, muitas vezes, falam por si só e vencem por completo toda e qualquer admiração. O filme funciona como uma droga. Um entorpecente forte que age sob sua pele como os melhores filmes conseguem. Quem Quer Ser um Milionário não tem comentário profundos sobre o psicológico humano ou em nenhum momento almeja pique intelectual. Carregado pela simplicidade de seus personagens e suas próprias singelas ambições, ele te leva oscilando numa épica narrativa que te enche da mais contundente emoção. E, ás vezes, isso é mais do que o suficiente.

Contando ainda com um elenco hábil de nomes desconhecidos, os atores sempre verossímeis fazem um trabalho exemplar em trazer o espectador para mais de perto da trama e de seus próprios personagens, que ganham humanidade importante (destaque especial merece ir à Dev Patel, estupendo no papel principal). Por isso, não é tão surpreendente quando você se vê pego com um largo sorriso no rosto na última cena do filme, que se segue de um clímax dos mais emocionalmente tensos. E também não é surpreendente que tal sorriso continue estampando seu rosto bem depois do término da sessão. Isso tudo é justificado pelo poder irrefutável com o qual o filme age sobre você. Fábula ou não, a história te vence e demarca um sentimento de otimismo e esperança cada vez mais necessário. Além disso, marca de vez o início da esperançosa era Obama nos Estados Unidos, talvez justificando tamanho o sucesso improvável do filme nas terras gringas que, com apenas $15 milhões de orçamento, ultrapassou a marca dos $100 milhões apenas nos EUA e viria mais tarde a derrotar grandes produções para vencer nada menos que oito Oscar® da Academia. Com isso, o filme substitui o pessimismo deixado por Onde os Fracos Não Tem Vez há um ano e celebra, com unhas e dentes, o poder da força humana e o valor da fé. Piegas? Pode ser. Mas ainda assim, maravilhosamente refrescante. Nada como ser varrido pelos seus pés e estimulado por uma obra de arte tão valiosa. (Wally Soares – confira o blog Cine Vita)

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O que move um homem a seus erros? O investigador-torturador policial de Quem quer ser um milionário? (Slumdog millionaire; 2008), produção rodada na índia pelo inglês Danny Boyle, responde: o dinheiro e a mulher estão por trás de nossos maiores erros. Muitas vezes pensam que um indivíduo está interessado numa mulher e o que ele vislumbra é o dinheiro dela. Outras vezes pensam que ele busca dinheiro, mas o que movimenta sua vida é a atenção da mulher amada. A situação desta última frase é posta com toda a excentricidade de filmar e os desabusados exageros e melodramas e pieguices por Boyle em seu novo filme, o mais conversado pelo público e pela crítica (e no caso a conversa excessiva mais prejudica a apreciação do que a ilumina) de seus trabalhos desde Trainspotting (1996).

Quem quer ser um milionário? tem suas imperfeições, mas as usa com um sarcasmo cinematográfico que o ano, até agora, em Porto Alegre, ainda não foi capaz de apresentar. O maneirismo britânico de Boyle, tornando muitas vezes artificiosa a relação entre a forma fílmica e a crua realidade a que ela se refere (a montagem altissonante contrastando com a miséria das personagens), não prejudica a fruição final do espectador, pois a narrativa se preocupa mais com os símbolos de sua parábola do que em aprofundar seus temas ou criaturas. Os aspectos pleonásticos da realização e as facilidades de suas tensões e conclusões finais são expostas tão em vísceras por Boyle que o espectador honesto se questionará, como o público e o apresentador do programa televisivo do filme: é uma trapaça mal-intencionada ou o cara está blefando inteligentemente com nossas percepções?

Embora atinja o público comum, por certos coeficientes melodramáticos ou exuberâncias visuais e musicais óbvias, a estrutura de Quem quer ser um milionário? tem uma linguagem fragmentária um tanto quanto divergente do padrão. Enquanto um plano da narrativa se concentra nas perguntas e respostas do programa televisivo, outro plano se insere mostrando como o protagonista é torturado após o programa para confessar uma trapaça e neste plano se insere ainda um outro, as lembranças da vida do protagonista que explicariam incrivelmente em seu cotidiano como topara com as respostas que o levariam aos milhões. Boyle é hábil e criativo em cruzar os três planos.

Houve quem comparasse o filme de Boyle com Cidade de Deus (2002), do brasileiro Fernando Meirelles. E os breves segundos duma galinha correndo no filme de Boyle incrementou a comparação com aquele trêfego início do filme de Meirelles. Ocorre que a realidade estética e humana de Quem quer ser um milionário? está numa galáxia muito diversa daquela de Cidade de Deus. Não nego que Boyle possa ter usado superficialmente certos elementos que viu no filme de Meirelles. Mas as preocupações, formais e morais, de Boyle são bem outras: mesmo com seu formato-padrão, em Cidade de Deus a miséria é o centro formal, já a partir do romance de Paulo Lins, enquanto em Quem quer ser um milionário?, extraído dum livro de Vikas Swarup, a pobreza do protagonista é edulcorada pelas luzes e pelo sentimentalismo usados pelo britânico Boyle. (Eron Fagundes)

Há, antes do menu inicial, os trailers do DVD “Galinha Pintadinha” e dos filmes “Che”, “Divã e “Os Falsários”.

Um dos melhores filmes de 2008, super premiado e adorável, tem uma edição em DVD por aqui lançada pela Europa Filmes. Para quem gosta de qualidade de produto, isto já é um sinal grave de alerta. Infelizmente o “pior” é comprovado. Se você é do tipo que gosta apenas de assistir a um bom filme e não se importa com qualidade ou material extra, não precisa nem ler o resto dos comentários. Alugue o filme e seja feliz, o filme merece. Já se você quer detalhes sobre esta ridícula edição de um dos mais importantes lançamentos do ano, vamos lá. De cara já observamos um SÉRIO problema: a imagem está no formato letterbox (ok, se você não se importa mas quer pelo menos saber o que é: está com proporção de tela igual a de uma TV convencional, 4x3, mas com filme em widescreen. Quem tem TV neste formato, não terá muitas diferenças. Já os tem uma TV mais nova, de plasma ou LCD, terá uma imagem com barras pretas por todos os lados e com o filme bem pequeno no centro da TV). Se só por isto não bastasse o descaso, foi intrigante tentar entender o formato do enquadramento, ou seja, não se restringe a sua proporção. Lançado mundialmente em 2.35:1, este aqui está por volta de 1.75:1, mas há mais um mistério: não são cortadas apenas as laterais, mas há um aumento na altura, o que é inexplicável. Ou melhor, foi masterizado de uma forma completamente diferente, que podemos chamar de “híbrida” (ou dê o nome que preferir). E em algumas cenas os cortes na lateral não são tão significantes, ou seja, confesso que o formato apresentado aqui pode ser classificado como “sei lá”! O contraste e qualidade de imagem obviamente não podem ser melhor avaliados, embora a imagem me pareça ser mais “lavada” do que a do cinema e com uma definição baixa em algumas cenas. Como já assisti em Blu-ray, a comparação então fica impossível. Mas abaixo tem dois exemplos apenas dos filmes: as imagens da esquerda são do DVD (e do filme) original com proporção (2.35:1). Já as imagens da direita são as deste DVD. Não se atente a qualidade de imagem, coloração ou definição, as imagens não foram capturadas com o mesmo programa e/ou parâmetros, note apenas as diferenças da “área útil”:

 

O áudio, segundo item importante para a qualidade, não compromete. Está no idioma original em 5.1 canais, mas não há a tradução do hindi para o inglês, o que, para quem quer assistir ao filme com legendas em Português, não terá problemas. Idem para quem quer assistir ao filme com uma boa dublagem, mas apenas em 2 canais, como de hábito da distribuidora.

Para finalizar, o “de sempre”: versão para locação sem extras. Ou melhor, há um importante trailer do lançamento em DVD da “Galinha Pintadinha”. Não é brincadeira, é o nome do desenho que está estampado até no menu inicial. Para os que ainda sonham com uma edição melhor quando da venda do filme por aqui, nos EUA estão disponíveis uma trilha com comentário em áudio com o Diretor Boyle e equipe, um completo making of, 33 (!) minutos de cenas excluídas ou adicionais e uma divertida montagem do filme como um clipe com a música “Jai Ho”.

Conclusão: voltemos ao início: se você quer apenas assistir a um excelente filme e não se importa se ele tem boa qualidade ou algo a mais que o complemente, corra na locadora. Se você quer respeito e qualidade, lamente. Mas se não o assistiu nos cinemas e/ou quer revê-lo, também alugue. Mas prepare-se para se irritar com mais um descaso ao consumidor.
 
Por Edinho Pasquale em 19/06/2009
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