Curioso Caso de Benjamin Button, O(The Curious Case Of Benjamin Button)
Brad Pitt, Cate Blanchett, Julia Ormond, Faune A. Chambers, Elias Koteas, Donna DuPlantier, Jacob Tolano
David Fincher
2008
EUA
165 minutos

"Eu nasci em circunstâncias incomuns". E assim começa O Curioso Caso de Benjamin Button, adpatado a partir da história escrita por F. Scott Fitzgerald em 1920, que fala sobre sum homem que nasce nos seus 80 anos de vida e começa a rejuvenescer a partir daí. Do seu nascimento em Nova Orleans, em 1918, através dos mares bravios, passando pelo ataque à Pearl Harbor, e de volta ao lar novamente - a jornada de benjamin é tão extraordinária quanto comum, muito semelhante à vida que qualquer outro homem poderia ter. dirigido por David Fincher e estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, que vivem as almas gêmeas Benjamin e Daisy, O Curioso Caso de Benjamin button é uma aventura épica sobre um viajante do tempo, mas também uma ode à vida, à tristeza da morte e ao amor, que ultrapassa a barreira do tempo.

Drama, Romance
Warner
10/06/2009
Inglês, Português,
Chinês, Coreano,
Tailandês
  
 
 
  

Assistir à O Curioso Caso de Benjamin Button é um exercício em fascinação. Tanto quanto o próprio filme é em si um belíssimo exercício de cinema. A curiosidade que nos desperta desde o primeiro instante do filme não se esgota até que os créditos finais tem início, e à esse ponto já fomos mergulhados em um conto profundo e comovente sobre a vida vista por outros olhos. Baseado em uma história curta sobre um homem cuja evolução como ser humano foi de trás pra frente, o filme nos coloca frente à um enredo fantasioso, mas o brilhante trabalho de adaptação de Eric Roth (Munique) torna o transtorno de Benjamin Button o mais crível possível. Por isso, é com uma imensa fascinação que vamos seguindo o desenrolar da história deste personagem tão humano e tão especial, ao invés de abordar tudo de forma indiferente. A plausibilidade aqui é chave, e Roth a constrói com uma tremenda competência. A jornada única de Button é também majestosamente realçada pela direção sempre criativa e maravilhosamente minimalista de David Fincher (Zodíaco), que constrói aqui sua obra-prima definitiva.

Com uma duração ultrapassando a marca das duas horas e meia, o trabalho meticuloso feito em cima da história reconhece o valor dos personagens que têm em mão, e valoriza cada segundo. O filme não corre, estabelecendo um ritmo primordial ao manter sua audiência atenta a todo momento mas também nunca decaindo no desnecessário ou no arrastado. É possível estabelecer uma importância concreta à todos os diálogos neste filme, que por sua vez são magníficos em suas implicações morais e na própria composição não só dos personagens, mas da própria jornada de Benjamin Button. Ou seja, é necessário reconhecer aqui não só a virtuosidade do roteiro de Roth, mas também da edição um tanto especial. Apenas um dos muitos aspectos técnicos "engrandecedores" do filme, que une-se à produção técnica verdadeiramente impecável. O primeiro a chamar a atenção é, claro, a maquiagem impressionante, e por sua vez, os próprios efeitos visuais usados com a maior das sofisticações. A trilha sonora belíssima de Alexandre Desplat (A Bússola de Ouro) tem que ser uma das melhores de toda sua carreira (e isso é dizer muito), incluindo momentos de puro êxtase, enquanto a direção de arte constrói cenários dos mais belos, realçados ainda pela fotografia, que talvez seja o elemento mais impressionante de toda a obra. A iluminação perfeita, os tons primorosos e os enquadramentos sempre primordiais. Tudo ecoa magnitude, experiência e a mais pura beleza.

Estabelecendo então essa atmosfera densa e importante que apodera-se do filme, podemos reconhecer aqueles fatores sem os quais O Curioso Caso de Benjamin Button não teria sido tão extraordinário. E é notável começar pelo elenco. Incluindo uma soberba performance de Brad Pitt (O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford), que encara as diversas facetas (e maquiagens) de seu personagem complexo. Pitt estabelece uma composição original, contida, mas com um certo brilho nos olhos característica de uma atuação digna. Ao seu lado, Cate Blanchett (Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal) ilumina a tela. Nunca ela esteve tão bonita. Mas o talento ainda está lá, e Blanchett tem muitos momentos onde não falha ao nos impressionar. Ainda vale notar a ótima Taraji P. Henson (A Última Cartada), uma participação recompensadora de Tilda Swinton (Conduta de Risco) e um papel muito bonito de Julia Ormond (Eu Sei Quem Me Matou). O sentimento único que une essas atuações e esses personagens deslumbrantes é o fator crucial que transforma a experiência de se assistir à esse filme a mais bela e construtiva possível. Depositando muito sentimento e uma especial aura de magia cinematográfica, Fincher dirige com um olho certo para enquadramentos mas mais ainda, com um ouvido certo para diálogos e uma percepção única para o que é necessário de ser extraído não só dos atores em si, mas dos próprios personagens, que fazem deste filme o primor que é, ao popular esse inesquecível retrato da vida, que toca em todas as notas certas, incita as maiores reflexões e nos manda para fora completamente emocionados.

O Curioso Caso de Benjamin Button é então um filme para se poder deslumbrar. Impressionante como é em suas virtudes e interminavelmente fascinante no seu retrato, o filme é forte, poderoso e habilmente concebido. Não é só sua mensagem maravilhosa ao fim que nos marca, ou nem por isso o elo fortíssimo que é construído entre nós a audiência e seus personagens impecáveis, mas sim o sentimento reconfortante transmitido pelo longa em si que nos faz lembrar do quanto o cinema ainda pode surpreender, do quanto ainda pode ser extraordinário e do quanto ainda pode moldar nossos sentimentos. Tocante, os últimos minutos do filme carregam consigo não peso moral ou intenções de pieguice, mas uma forte constatação de nossas particularidades como seres humanos, nossa fragilidade como seres solitários e como nossas relações uns com os outros e com o próprio destino são as mais importantes de todas. O filme então te faz olhar para trás, mas mais importante, te envia para frente com uma percepção nova. Seu conto sobre a vida e sobre o destino é belíssimo, e a abordagem do romance entre seus dois protagonistas é dos mais magistrais. Não é sempre que se pode dizer isso, mas “O Curioso Caso de Benjamin Button” é desde já uma peça primordial no cinema, um filme que nasceu clássico e cujos valores ainda serão reconhecidos por tempos a fio. Magia assim não se compra. (Wally Soares – confira o blog Cine Vita)

.

Quando O curioso caso de Benjamin Button foi lançado como projeto, os cinéfilos se exaltaram. Um filme, dirigido por David Fincher, com historia baseada no conto de Fitzgerald era esperadíssima. E quando o trailer do longa saiu então, as expectativas foram a mil. Pois é, é com orgulho que eu digo que todas as minhas expectativas (que eram realmente altas) foram superadas, E O Curioso Caso de Benjamin Button já é um clássico. A história, por si só, é magnífica. Benjamin (Brad Pitt), nasce no final da grande primeira guerra mundial, e poderia ser como qualquer outro bebê se não tivesse o aspecto de um velhinho de 80 anos. Sim, um bebê de 80 anos. Largado pelo pai (que mais tarde o procuraria), ele é encontrado por Quennie (Taraji Henson, magnífica) que o acolhe como uma mãe e cuida dele com todo carinho e amor. Queenie trabalha em um asilo e Benjamin cresce lá, como um velhinho que na verdade é uma criança. E é lá que ele conhece a mulher de sua vida, Daisy, ainda pequena (nesta fase interpretada por Elle Fanning), e a partir deste ponto um vai mudar a vida do outro.

Assim é este romance, incrível, poético, caprichado, praticamente sem defeitos. Um clássico. As atuações são incríveis, onde Brad Pitt está soberbo como Benjamin Button, Taraji ilumina como Queenie mas é Cate Blanchett quem reina, soberana, em um papel que lhe cabe como uma luva. A Daisy de Cate é apaixonada, doce, verdadeira. E assim Cate tem uma das melhores interpretações do ano passado, mas que infelizmente passou despercebida. O roteiro de Eric Roth é uma jóia, uma adaptação perfeita, onde ele tira os excessos do conto de Fitzgerald, implementando fantasia. A parte técnica também é incrível. Dos figurinos de Jaqueline West à surreal trilha estupenda de Alexandre Desplat, nada falta, tudo se ilumina, como versos corriqueiros e imediatos de um soneto de verão.

E se alguns reclamam que Benjamin Button é longo, para mim sua duração é perfeita. Suas quase 3 horas de duração realmente tem sentido, para que possamos entrar realmente na alma de um homem solitário, que tendo a sua vida ao contrário, entendeu o sentido da existência. Mesmo que não tenha ganho o Oscar® de melhor produção do ano, este filme está acima de qualquer premiação. É uma jóia, verdadeira e pura, que estará sempre à vista, para ser apreciada. (Viviana Ferreira)

.

Muita gente o colocava como favorito do Oscar® 2009, ao menos até assistir ao filme, que resulta longo (desnecessários 159 minutos, que valem mais para contemplar os cenários, a direção de arte, a fotografia, e principalmente os efeitos especiais; dramaticamente, o filme é muito fraco). Não sei porque tanta vontade de adaptar este conto antigo de F. Scott Fitzgerald, que foi planejado para Tom Cruise (por Spielberg), John Travolta (por Ron Howard), Spike Jonze (não se sabe para quem), mas acabou sendo feita por David Fincher, superestimado diretor que acertou com Seven - Os Sete Pecados Capitais, criou polêmica com O Clube da Luta e, desde então sobrevive com prestígio (apesar de O Quarto do Pânico e Zodíaco).

Deve ter sido um projeto caríssimo e dificílimo, já que tudo é feito com algum tipo de efeito. Embora o conto original fosse uma sátira bem-humorada, o filme não tem vestígio de humor. É tudo muito sério, pretensioso, marcial, levando-se a sério (no original, ele já nascia grande; aqui ele nasce normal, mas com cara de velho, e todo tipo de doença da velhice). Chegam mesmo a dar uma explicação para o que sucede, ou seja, um cara que nasce velho e vai ficando cada vez mais jovem, até morrer. Segundo o filme, um criador de relógios inventou um em New Orleans que andava para trás, para talvez assim trazer de volta o filho, que morreu na Primeira Guerra.

Como é fantasia, não precisa explicar muito; aliás, o que deveria era explorar melhor o relacionamento  do ser humano com a velhice, com o inevitável envelhecimento. Mas o roteiro é fraco e mal desenvolvido; ao mesmo tempo muito falado e pouco convincente (por exemplo, o herói, embora criado num asilo de velhos, onde foi deixado pelo pai - que o rejeitou após a mãe morrer - e por uma negra, em momento nenhum revela qualquer consciência social, ou preocupação pelos outros e, mesmo sendo New Orleans, e tenha aprendido a tocar piano, revela qualquer simpatia pelo jazz local, que nascia na sua velhice/juventude). Por outro lado, Fincher força a barra, fazendo com que a história se desenvolva quando o grande amor da vida dele, a bailarina Daisy (Cate Blanchett) esteja no leito de morte, num hospital, justamente quando chega o furacão Katrina. Mas até isso é mal usado.

O bonito do filme é o cuidado com que reconstrói o passado, os pequenos detalhes de cenografia e a qualidade da maquiagem, perfeita, dos protagonistas, já não tão boa para os coadjuvantes. O charme do filme é que a cara de Brad Pitt, aparece sobreposta em cima de corpos alheios (ele começa com mais de 80 anos, muito encolhido, como se fosse mesmo um bebê, e depois vai ficando normal para o final; aí, acho errado ser substituído por crianças diferentes). Ou seja, o truque funciona por vezes, mas não explica porque não é usado sempre.

Isso não quer dizer que o filme não vá ter defensores. Está evidente que muitos vão se envolver com o clima bonito da história e parece que o mais favorecido será Brad Pitt. Noto uma tendência atual de passar a valorizar este ator, já quase veterano, que conduz bem sua carreira, sempre carismático, e hoje forma o casal 20 do cinema com Angelina Jolie. Ele tem chances mesmo de ganhar o Oscar®.

Mas está bem? Sim, como sempre, correto. Talvez o tempo todo que levava na maquiagem (dizem 5 horas) tenham lhe roubado a energia, e esteja menos presente do que o desejado. Mesmo Cate Blanchett, que toma banho digital para ficar mais nova, não chega a impressionar especialmente. Ou seja, o favorito já não convenceu tanto quanto se esperava. (Rubens Ewald Filho na coluna Clássicos de 3 de fevereiro de 2009)

Comentários em Áudio do Diretor David Fincher – Com boa dose de humor, Fincher nos brinda com opiniões sobre os bastidores das filmagens, como foi lidar com a equipe de atores e seus figurantes, detalhes da fotografia, do roteiro (cenas excluídas e pensamentos de Benjamin) etc. O incrível é a falta de legendas em Português, apesar de estarem disponíveis em Coreano e Chinês!

A imagem quase perfeita, em que pese alguma granulação e falta de definição, nada muito importante. Está no formato original dos cinemas, em widescreen com a proporção correta (2.40:1). O áudio está excelente, com boa divisão dos 5.1 canais, com bons detalhes de ambientação, mesmo para a grande maioria das cenas, que não tem grandes efeitos sonoros. A dublagem é bem realizada, mantendo (quase) a mesma qualidade. Lançado aqui pela Warner, com opção de edição simples, aqui analisada, ou dupla, com o segundo discos contendo os extras. Nesta edição, que é a disponível na maioria das locadoras, há apenas a trilha de comentário e, mesmo assim, sem legendas em Português. Muito pouco pela relevância do filme. Claro que o filme é longo e, para não prejudicar a qualidade de imagem, o primeiro disco é quase todo ocupado por ele, sobrando pouco espaço para extras. Mas pelo menos uma legenda dos comentários no nosso idioma deveria ser obrigatória. O vale ser assistido, é imperdível, para quem vai locar ou comprar (neste caso gaste uns tostões a mais e compre a edição dupla).
 
Por Edinho Pasquale em 11/06/2009
Você recomendaria este DVD ? Sim Não  


Sim = 86.36%
Não = 13.64%