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| Harrison Ford, Sean Young, Rutger Hauer, Edward James Olmos, William Sanderson, M. Emmet Walsh, Daryl Hannah, Joanna Cassidy, Brion James |
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| Em 2019, formas de vida criadas através de engenharia genética, os Replicantes, são utilizadas fora da Terra em tarefas pesadas, perigosas ou degradantes. Fabricados pela Tyrell Corporation, os modelos Nexus-6 são fisicamente idênticos aos humanos, porém mais fortes e ágeis. Devido a problemas de instabilidade emocional, grande agressividade e reduzida empatia, eles têm um período de vida limitado a quatro anos. A presença de Replicantes na Terra é declarada ilegal após uma revolta, e é criada uma força policial especial, os Blade Runners, para caçá-los e matá-los. Um pequeno grupo rebelde de Nexus-6 formado por Roy Batty (Rutger Hauer), Zhora (Joanna Cassidy), Leon (Brion James) e Pris (Daryl Hannah), chega em uma Los Angeles perpetuamente escura e chuvosa para tentar descobrir uma forma de aumentar seu ciclo de vida. Rick Deckard (Harrison Ford), um Blade Runner recém aposentado, é chamado de volta à ativa para persegui-los. Deckard conhece e se apaixona por Rachael, uma bela moça que desconhece ser Replicante, e ele começa a questionar o que significa, na verdade, ser “humano”. |
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Inglês, Português, Espanhol, Chinês, Coreano, Francês, Japonês |
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Quando foi lançado nos cinemas em 1982, BLADE RUNNER – O CAÇADOR DE ANDRÓIDES foi recebido com frieza tanto pelo publico como pela crítica. Lembro que saí do cinema pensando na coragem do diretor Ridley Scott, que após ter feito a aclamada sci fi de horror ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO, aceitou a tarefa de realizar outra ficção-científica, uma espécie de filme noir futurista baseado num livro de Philip K. Dick – portanto com ambientação e temáticas completamente diferentes de seu sucesso anterior. Os anos passaram, e após o filme ser lançado em vídeo ele começou a ser reavaliado e foi objeto de muitas discussões, alimentadas pelos muitas interpretações das imagens e eventos mostrados por Scott. Como resultado, BLADE RUNNER, hoje, é considerado com justiça um clássico da ficção-científica, a obra cinematográfica definitiva sobre criaturas artificiais que buscam sua humanidade - tema recorrente em muitos filmes e séries do gênero.
Mas o diretor nunca escondeu sua insatisfação com a versão original lançada nos cinemas americanos, já que por imposição do estúdio, que considerou a trama complicada, ele teve que adicionar uma narração explicativa de Harrison Ford em alguns momentos. Além disso, quiseram dar à produção um tom mais otimista e menos sombrio, eliminando alguns takes mais violentos, uma cena de sonho de Deckard e adicionando um equivocado final feliz, emoldurado por tomadas aéreas originalmente filmadas para O ILUMINADO. Anos mais tarde, com a consagração do filme, foi lançada em DVD uma “versão do diretor” (ainda que sem o envolvimento de Scott) onde foram eliminados a narração de Ford, o final feliz e, o mais importante, incluindo a cena em que Deckard sonha com um unicórnio, que dá uma nova interpretação para a natureza do personagem. Esta versão era a única até então lançada em DVD, até que em 2007 o filme foi novamente exibido nos cinemas dos EUA em uma “Final Cut” (versão final), agora supervisionada por Ridley Scott e que representa, segundo ele, a sua visão definitiva de BLADE RUNNER. Basicamente esta versão é a mesma “versão do diretor”, porém cuidadosamente restaurada, com ajustes nos efeitos visuais de Douglas Trumbull e a correção de alguns problemas pré-existentes. Suas principais características são:
A cena de Deckard esperando para comer no White Dragon foi encurtada, uma vez que a narração foi eliminada;
As cenas de violência eliminadas (que, no entanto, constaram na versão de cinema internacional) foram reinseridas;
Quando Bryant e Deckard estão examinando os perfis dos Nexus-6, Bryant descreve o trabalho de Leon;
Desde seu lançamento o filme tinha um grande furo no enredo – a introdução falava em seis Replicantes fugitivos, mas depois só víamos quatro. Para resolver isso uma fala de Bryant foi redublada, informando que dois deles já haviam morrido em um campo elétrico;
Quando Gaff e Deckard chegam no apartamento de Leon, o síndico diz 'Kowalski';
Quando vemos Roy Batty pela primeira vez, o fundo da imagem foi alterado para combinar com o resto da cena;
O diálogo entre Deckard e o comerciante de cobras artificiais Abdul Ben Hassan, que estava fora de sincronia, foi corrigido;
Várias tomadas com figurantes foram restauradas, como a de duas strippers vestindo máscaras de hockey e a de Deckard falando com outro policial;
A versão integral da cena do unicórnio foi inserida;
Na sequência em que Deckard persegue Zhora, o rosto da atriz Joanna Cassidy foi digitalmente sobreposto ao da dublê;
Uma cicatriz no rosto de Deckard após a 'retirada' de Zhora foi removida, por razões de continuidade;
Quando Batty confronta seu criador, Tyrell, ele diz em inglês 'I want more life, father' (ao invés de 'I want more life, fucker');
Após matar Tyrell, Batty diz para a sua próxima vítima 'Me desculpe Sebastian. Venha. Venha', o que serve para realçar a crise de consciência do personagem;
Quando Batty solta o pombo, os prédios de fundo agora são os da Los Angeles de 2019.
Não tenho dúvidas de que a “versão final” é a melhor de todas. Mas para aqueles que por acaso pensarem diferente, não há problema: esta Edição Especial, além dela, traz mais três versões do filme para contentar a gregos e troianos, todas com a duração aproximada de 117 minutos.
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Se em termos de excelência de som e imagem esta edição é superior à versão nacional em DVD, o mesmo não se dá quanto aos extras, já que aquela trazia o longo documentário “Dias Perigosos: Realizando BLADE RUNNER”, um dos melhores já produzidos para home video. Além disso, também perdemos um volume substancial de extras da edição norte-americana (cenas deletadas, featurettes de produção, entrevistas com Philip K. Dick, testes do elenco, etc.), reunidos sob o título “Enhancement Archive”). O que sobrou, infelizmente, não possui legendas em português. Mesmo assim, há um bônus que será muito apreciado pelos fãs do filme (usarei a mesma numeração apresentada no rótulo de cada BD):
Disco 1
Introdução de Ridley Scott (0:37min.) – Em sua introdução à “Final Cut” de BLADE RUNNER, o diretor explica porque esta é a sua versão preferida do filme, mas sem detalhar muito suas características;
Comentários em áudio – A “Versão Final” traz não uma, mas três faixas de comentários de áudio: a primeira com Ridley Scott, a segunda com os roteiristas Hampton Fancher e David Peoples, o produtor Michael Deeley e a produtora executiva Katherine Haber, e a terceira com Syd Mead e Lawrence G. Paull (desenho de produção), Douglas Trumbull e Richard Yuricich (efeitos visuais), David Snyder (direção de arte) e David Dryer (efeitos especiais). O destaque sem dúvida são os comentários de Scott, que conhece como ninguém o filme e nos transmite seu exato significado. As demais faixas detalham mais os aspectos de produção, e no conjunto agradarão aos devotos fãs do filme.
Disco 3
Introduções de Ridley Scott (1:38 min.) - Cada uma das três “Versões de Arquivo” do filme tem uma breve introdução do diretor (por volta de 30 segundos cada), onde Scott explica suas principais características.
Disco 5
Workprint Version – Aqui, o grande atrativo para os fãs em matéria de extras nesta edição em Blu-ray – nada mais, nada menos que a primeira montagem de BLADE RUNNER (workprint) vista apenas em exibições-teste. Ela possui outra abertura, tem a narração de Deckard apenas no final, não traz a cena do unicórnio e nem o final feliz e contém diálogos diferentes entre Batty e Tyrell, entre outras coisas. É uma versão claramente não finalizada, com trechos de música temporária na trilha sonora. Apesar de também estar apresentada em resolução 1080p/VC-1, a qualidade da transferência, extraída de elementos pobres e manuseados, é muito inferior. Além da imagem menos nítida, com cores pálidas e acentuada granulação, a proporção de tela é 2.20:1, diferente portanto da 2.35:1 das outras quatro versões do filme. O áudio em inglês Dolby Digital 5.1 até que não é ruim, e as opções de legendas são inglês, francês e espanhol. O importante, aqui, é o valor histórico;
Comentários em áudio – A “versão de trabalho” de BLADE RUNNER pode ser acompanhada pelos comentários do escritor Paul M. Sammon ("Film Noir: The Making of Blade Runner"), que demonstra ser um especialista no filme ao nos conduzir por esta primeira montagem, apontando o material eliminado e as mudanças que foram feitas nas versões;
All Our Variant Futures: From Workprint to Final Cuts (SD, 30 min.) – Tão interessante quanto a primeira montagem de BLADE RUNNER, este documentário (o único desta edição nacional em BD, em resolução standard) aborda as várias versões do filme, naquela que pode ser considerada uma das mais tumultuadas tentativas de reconstrução de uma obra para se adequar à visão de um diretor. Scott fala bastante sobre sua visão original, como ela foi diluída pelos produtores, os fatos que levaram à “versão do diretor” de 1992 que, de fato, não é do diretor, e finalmente à restauração de 2007.
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Nos EUA, esta “versão final” de BLADE RUNNER, produzida por Charles de Lauzirika, foi lançada em DVD em edições com dois, quatro e cinco discos, e em Blu-ray num box / maleta de cinco discos. Aqui no Brasil recebemos uma edição intermediária com três DVDs, e posteriormente esta edição em alta definição com três BDs, acondicionados numa embalagem digistack (com dimensões do padrão de DVD, não de BD) envolta numa luva de cartolina. Comparada com a edição importada em Blu-ray de cinco discos, perdemos dois que continham extras, os de nºs 2 e 4 (que na verdade são DVDs com resolução 480p). Inclusive, se olharmos o rótulo dos BDs lançados aqui, veremos que eles são os nºs 1, 3 e 5, ou seja, a Warner nem se deu ao trabalho de renumerá-los. Mas enfim... fora os extras que restaram (detalhados acima), temos no box quatro versões oficiais do filme: a final de 2007, as duas de cinema de 1982 (uma para o mercado norte-americano e a outra para o mercado internacional) e a "do diretor" de 1992. Todas foram remasterizadas (no formato original widescreen anamórfico 2.35:1) em alta definição 4k, recebendo transferências com encode 1080p/VC-1, mas foi a “Versão Final” que recebeu os maiores cuidados, restaurada digitalmente a partir dos elementos originais de forma a eliminar imperfeições, danos e sujeiras. Temos uma a imagem sem dúvida excelente, que apresenta um nível de detalhe que ultrapassa qualquer lançamento anterior do filme, e isso que sua versão em DVD já era ótima. Os níveis de brilho, contraste e nitidez impressionam, e as cores são mais firmes, vivas e naturais do que nas edições anteriores. Os pretos são sólidos, e mesmo nas cenas mais escuras não vemos ruídos ou artefatos. Percebemos elementos visuais que antes não notávamos, e a perfeição de detalhes e texturas, além da presença de um pouco de granulação inerente à película, indicam a ausência de DNR. As demais versões do filme em alta definição, apesar de não serem o deslumbre visual que é a “Final Cut” (especialmente nas tomadas de efeitos visuais), não fazem feio.
Diferentemente das demais, a “Versão Final” se beneficia de uma estupenda faixa lossless Dolby TrueHD 5.1 (48kHz/16-bit), com dinâmica e espacialidade superiores às mixagens anteriores 2.0 e 5.1. O som está muito bem balanceado, e os canais traseiros agora são empregados à perfeição – nas cenas de rua, somos envolvidos pelos efeitos de transeuntes, chuva e outros ruídos ambientes, fazendo-nos sentir como se estivéssemos mesmo em uma versão futurista e sombria de Los Angeles. Os graves são fortes e “redondos”, e os diálogos agora estão muito melhor equilibrados na mixagem. As três outras versões trazem faixas de áudio Dolby Digital 5.1 (640kbps) em inglês e francês, que soam muito bem desde que não comparadas com a TrueHD – além das diferenças de fidelidade e espacialidade, as mixagens são claramente diferentes. Os menus estão em inglês, e lamentavelmente só a “Versão Final” possui opções de legendas em português (BR) - as demais, apenas inglês, espanhol, francês, japonês, coreano e chinês. Enquanto não tivermos BDs autorados aqui no Brasil, essa prática “meia sola” de algumas distribuidoras não vai acabar. E isso, numa edição em Blu-ray que pela tabela custa quase o triplo da em DVD. |
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Por Jorge Saldanha em 30/05/2009 |
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