Sim Senhor(Yes Man)
Jim Carrey, Zooey Deschanel, Bradley Cooper, John Michael Higgins, Rhys Darby, Danny Masterson
Peyton Reed
2008
EUA
104 minutos

A vida de Carl Allen tem sido um tropeço só - um divórcio melancólico e um trabalho saem grandes perspectivas. Só que agora ele resolveu viver a vida e dizer sim para tudo. Pular de bung-jump? Sim. Aceitar todas as promoções que aparecem na TV? Sim. Rir em alto e bom tom, sem razão aparente? Sim! Trabalhando cada osso e irriquieto corpo e cada músculo de sua maleável face, Jim Carrey interpreta Carl nesta divertida aventura sobre o que acontece com uma pessoa quando ela se mostra aberta às possibilidades - especialmente quando estas possibilidades incluem um romance com a intrigante e bela Zooey Deschanel. Do mesmo diretor de Bring It On e The Brak-Up chega esta comédia que revela que o sim é mais poderoso que o não na hora de fazer rir.

Comédia
Warner
14/05/2009
Inglês, Português,
Espanhol
  
 
 
  

Partindo de uma idéia divertida e um tanto singular, Sim Senhor tem o que muitas das comédias do Jim Carrey tiveram para oferecer: ao submeter o personagem em situações cômicas diante de uma premissa absurda, constrói uma trama que o levará à auto-descoberta e para uma habitual lição de moralidade ao fim. Em outras palavras, se a idéia é de certa forma refrescante, é também apenas uma porta para um caminho já conhecido e incansavelmente percorrido. Mas existe uma explicação bem fundamentada para a existência contínua desta porta e o fato de nos vermos sempre caminhando pela estrada que parte dela: a jornada é – acima de todos os tropeços – boa. Sim Senhor é sim muito burocrático, mas têm, em seus cem minutos, humor o suficiente para divertir, entreter e te mandar para fora completamente satisfeito.

Então, prepara-se para ter, ao fim, aquela “descoberta”, a lição básica e um personagem em epifania, como ocorreu também com os igualmente divertidos Todo Poderoso, O Mentiroso e Eu, Eu Mesmo e Irene. Até esse momento inevitável (mas bem contestável) chegar, podemos tirar o melhor que o filme têm a oferecer e, dirigido com espirituosidade por Peyton Reed (Separados pelo Casamento), Sim Senhor ganha diversos momentos que, ainda que quase nunca autênticos, conferem certo clima genuíno para o tom cômico e satisfaz a audiência com situações em sua maioria bastante criativas e divertidas. A proeza de tal efeito é, obviamente, lançada aos ares pelo especial talento e timing cômico essencial de Jim Carrey que, bem eclético e tentando sempre se descobrir em outros gêneros, não esquece que é, antes de tudo, um comediante de alto escalão. Então, ainda que seja óbvia sua excelência dramática como a demonstrada com muita preciosidade no magnífico Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, faz bem ao saber que Carrey não esquece das raízes. Afinal, Sim Senhor não seria metade do que é sem Carrey por trás das acrobacias cômicas.

Carrey carrega a maior parte com caras e bocas que são sua especialidade. É um artifício que pode cansar, mas Carrey pode exagerar no momento mas nunca na extensão. Alias, ele constrói aqui um sujeito bastante simpático e, apesar das inconsistências óbvias e exageros catárticos que o roteiro o submete, uma figura bem real. Portanto, é interessante quando seu personagem finalmente decide questionar os ideais que vinha seguindo, num momento que é uma crítica à qualquer meio manipulativo de “auto-ajuda” ao concretizar o meio como uma verdade não inteiramente absoluta. Afinal, o “sim!” pode o libertar, mas sem a razão a perca do controle é inevitável. O que muitos dos seguidores de obras como O Segredo esquecem é justamente isso: da razão. Então, apesar deste momento caracterizar o fim da maior parte das risadas e o início da previsibilidade mórbida, marca ao menos pontos pela sua significância.

Mas o que mantém Sim Senhor sempre ágil, leve e solto é sua energia. O roteiro não apresenta qualquer consistência, e é muito irreal e implausível na maior parte das vezes, mas o exagero está a favor da comédia e o diretor sabe inserir um dinamismo que, apesar de nem sempre funcionar, quebra em momentos o formato convencional adquirido pela obra. As situações, porém, são sempre muito divertidas, as piadas dificilmente decepcionam e Carrey nunca deixa de implantar um sorriso em nossos rostos, nem mesmo quanto a insossa Zooey Deschanel está lá para tirar. Alias, se Chanel é chique, sofisticado e valioso, Deschanel é exatamente o oposto, como bem sugere seu nome. O resto do elenco coadjuvante não encontra destaques, a não ser por um inspirado Rhys Darby, mas cujo papel é bem limitado. Enfim, Sim Senhor pode ter suas muitas falhas, seu exagero gritante e sua previsibilidade, mas é incontestavelmente divertido. Faz rir. E uma comédia que atinge tal efeito está cada vez mais rara. (Wally Soares – confira o blog Cine Vita)

Improvisação no Set – Uma divertida sessão de “micagens” do ator e elenco durante as filmagens, além de breves depoimentos de Jim Carey, com 4 minutos. Os fãs do ator certamente irão gostar.

Dublê Cômico – O foco agora são as cenas de bastidores realizadas com os dublês. Há o mesmo clima descontraído do featurette anterior, tem algumas curiosidades e certamente algumas risadas nos seus quase 12 minutos.

Músicas: Munchausen by Proxy - Um mini-documentário sobre a banda que é mostrada no filme. O divertido é que a banda não existe de verdade, é uma boa crítica a estes “profiles” das TVs de música. Tem 5 minutos e meio.

Clipes Exclusivos - Segue a linha anterior, com 5 “clipes” de músicas cantadas durante o filme (na verdade, são cenas estendidas): “Uh-Huh” (3min50s), “Yes Man” (3m8s), “Star-Spangled Banner” (1m16s), “Sweet Ballad” (2m55s) e “Keystar” (3m16).

Erros de Gravação – Um “gag-reel”, ou seja, um clipe com os erros que vão desde caretas, falas esquecidas até outras piadas, claro que várias delas protagonizadas por Carey. Tem 5 minutos e meio e diverte os fãs.

O DVD deste filme estrelado por Jim Carey deverá fazer um sucesso maior nas locadoras. A sua qualidade é a mesma para locação e venda direta, mas com imagem fraca, com relativa baixa definição e transferência mediana para o formato. As cores são vivas e bem contrastadas, mas há uma granulação importante. Parece que exageraram nos filtros utilizados para a alta definição. O áudio está bem adequado nos seus 5.1 canais, bem envolventes, principalmente quando da ótima trilha sonora e efeitos de som. A dublagem é eficiente. Os menus são estáticos e os extras são básicos, mas para alguns podem ser mais divertidos que o próprio filme. Esta edição é a mesma encontrada no mercado internacional, exceto que por aqui não se tem um segundo disco com uma “cópia digital”, que não tenho certeza se faria algum sucesso por aqui. No geral, uma comédia leve e que diverte, principalmente aos fãs do ator e seu gênero.
 
Por Edinho Pasquale em 13/05/2009
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