Juno(Juno)
Ellen Page, Michael Cera, Jennifer Garner, Jason Bateman, Olivia Thirlby
Jason Reitman
2007
EUA
92 minutos

Diferente da maioria das garotas do colégio onde estuda, Juno (Ellen Page) é uma adolescente com personalidade que vive sua própria vida, até que uma típica tarde entediante torna-se uma aventura quando decide transar com o discreto Bleeker (Michael Cera). Ao descobrir que está grávida, Juno e sua melhor amiga Leah (Olivia Thirlby) bolam um plano para encontrar os pais perfeitos para o futuro bebê.

Comédia, Romance
Paris Filmes
25/06/2008
Inglês, Português
  
  

 
 

A idéia de fazer um filme sobre uma gravidez inesperada não é, claro, original. Mas o que diferencia Juno de filmes como Onde Mora o Coração, com Natalie Portman, ou Ligeiramente Grávidos é, por irônico que isso possa parecer, a originalidade do seu roteiro. Sabe aquela velha história de reinventar a roda? Quase isso. Claro que o filme não chega a tanto, a “reinventar a roda” (fazendo-a quadrada, por exemplo), mas não é totalmente à toa que ele chegou a ser indicado como melhor filme para o Oscar(r) 2008. Se bem que, na minha opinião, ele teve mesmo é um bom lobby para chegar ali.

O filme é divertido, criativo, tem grandes interpretações, mas é uma “zebra” na premiação. Como antes já foi Pequena Miss Sunshine. O que eu acho bacana, até. Gosto quando filmes “menos usuais” chegam lá, ainda que não tenham chances de ganhar. E ao menos uma coisa é certa: Juno trata o tema da gravidez na adolescência sem falsos argumentos, “moral da história”, hipocrisia ou xaropice. Fala a linguagem da garotada e enfoca as reações que uma garota inteligente, especial e “esquisita” como Juno provavelmente teria na vida real. Só por isso e pelas risadas que nos propicia, ele merece ser visto. E não foi por acaso, claro, que a roteirista Diablo Cody recebeu o Oscar(r) como “melhor roteiro original” este ano. Merecido. Além deste prêmio, Juno chega para locação com a credencial de outros 39 prêmios no currículo – vários para a atriz Ellen Page, que realmente faz um grande trabalho.

A verdade é que não há uma pessoa no filme que não esteja muito bem em seu papel. Fiquei impressionada até com Jennifer Garner, que para mim parece conseguir outro “nível” de interpretação com a mulher “sedenta” por ter um filho Vanessa Loring. Não que eu ache ela uma má atriz, mas até esse filme ela não tinha me convencido que chegou onde chegou por algo além da sua beleza. Em Juno, contudo, ela realmente faz um papel maduro, perfeito enquanto representa uma mulher que está desesperada para ter adotar uma criança mas que faz de tudo para não demonstrar isso, afinal, ela tem que fazer parte de uma “família perfeita”. Executiva bem-sucedida, que se dedica muito para o trabalho e que se casou com um homem tão “perfeito” quanto ela - o músico Mark Loring (Jason Bateman, também muito bem em seu papel cheio de “dúvidas”), Vanessa Loring não sabe muito bem como controlar a ansiedade para adotar o filho de Juno e, assim, não colocar mais uma chance de ser mãe a perder. Os dois me lembram demais esses casais “perfeitos” que todos invejam e que, ninguém sabe o quanto, tem problemas.

O interessante do filme é que ele realmente vai a fundo nas características e sentimentos de cada personagem. Além do casal Vanessa e Mark, muito bem retratados, acompanhamos a personalidade dos responsáveis por Juno, seu pai Mac e sua madrasta Bren. Aqui, mais uma vez, os atores J.K. Simmons e Allison Janney conseguem o tom perfeito de seus personagens. A amiga de Juno, interpretada por Olivia Thirlby é um “tempero” à parte. A reação dela ao saber que a amiga está grávida ou quando sabe de quem, é muito cômica. Aliás, não existe aparição da personagem Leah que não seja muito engraçada e parecida com a vida real de uma adolescente.

Juno, contudo, é uma personagem que deveria entrar na lista dos grandes do cinema nos últimos tempos. Especialmente porque é muito difícil ver um bom roteiro ser escrito para uma jovem intérprete tratando de contar uma história de adolescentes. Normalmente os jovens no cinema ou são “eternos inconformados” ou são “nerds”, esportistas sem cérebro ou algo do gênero. Dificilmente são personagens que podemos encontrar na esquina. Juno é uma delícia de personagem porque mostra uma garota considerada um pouco “esquisitona” pelos seus iguais e que, no fundo, tem muita personalidade. Tanto que, quando descobre que está grávida, primeiro pensa em abortar. Depois, com a mesma naturalidade com que tinha buscado a clínica de abortos, decide ter a criança. Impressionante a maneira com que ela encara o que está acontecendo. E muito realista quando ela demonstra ter tanta coragem para ter o filho e, ao mesmo tempo, nenhuma para assumir um romance com Paulie. Afinal, ele é um “loser” e ela, claro, é influenciada pela opinião das pessoas.

Fiquei fascinada com o belo trabalho de Ellen Page. Em um ano em que as interpretações femininas variaram muito no nível e na qualidade - não há nenhuma grande “barbada” em cena, ainda que existam muitos elogios para Julie Christie e Marion Cotillard, por exemplo -, essa canadense de 20 anos parece realmente ter merecido uma indicação ao Oscar(r) por seu papel no filme. Como comentava na introdução deste comentário, um fato me deixou feliz com o filme: ele não tenta se resolver com um final “família” ou com uma moral da história. Não, ele realmente mostra o que uma garota como Juno provavelmente faria. E não porque não seja bacana uma adolescente ter e criar o seu filho, mas porque jovens com personalidade como a protagonista do filme não pensam em ter uma criança assim, sem que esteja preparada para isso. Uma coisa é parir, outra bem diferente é educar. E o filme acerta ao tratar tão abertamente esta questão. Acho que o mundo seria bem menos problemático se tantas pessoas que tiverem filhos sem estarem preparadas tivessem tido a coragem desta garota. O bom seria também, claro, prevenir, evitar um problemão assim. Com tanta informação e maneira de se controlar uma gravidez hoje em dia, eu realmente me surpreendo com o número de garotas que ficam grávidas sem realmente o desejar. Mas enfim, a verdade é que ninguém pode realmente julgar ninguém. Muito menos a decisão de ficar com uma criança que não se havia planejado para tê-la.

Michael Cera, que eu havia notado no xaropinho Superbad, aqui sim manda muito bem. O garoto está perfeito como o tímido, estudioso e apaixonado - ainda que contido - “namorado” de Juno. Escrevi namorado entre aspas porque o coitado do Paulie nem sonhava que o sexo com Juno poderia render um namoro ou, algo “pior”, uma gravidez. Tanto que ninguém sonhava que Juno tinha algo com o garoto - os pais dela nem sabiam muito bem de quem se tratava quando ela revelou o nome do “pai do seu futuro filho”. Muito bom! Super realista, mais uma vez.

Além do Oscar por roteiro original, destaco outros prêmios que o filme ganhou: melhor filme no Festival de Roma, assim como o prêmio da audiência para o diretor Jason Reitman no Festival de Estocolmo; o de melhor atriz para Ellen Page pelo Satellite Awards, pelas associações de Cinema de Phoenix, Flórida, Ohio e Chicago, além do National Board of Review; além de vários outros prêmios para a roteirista Diablo Cody e para o diretor de Juno. Para quem não lembra, o diretor Jason Reitman fez antes um filme muito bom: Obrigado por Fumar - para o qual também havia escrito o roteiro. Interessante que a ironia do anterior se mantêm nesta nova produção. A ironia ou o sarcasmo, não sei qual mais. Interessante que este é o primeiro roteiro para o cinema de Diablo Cody, uma ex-stripper que nasceu em Chicago há 29 anos e que ficou famosa por escrever um livro contando as suas experiências. O tal livro foi o único incluído na lista do apresentador David Letterman em seu programa, o Late Show, em 1993. (Alessandra Ogeda – confira mais detalhes no blog Crítica (non)sense da 7Arte)

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Marcado em sua utilização de cenários naturais pelas estações do ano (é um processo a que o cinema, arte visual, recorre de quando em quando; um dos pontos altos do valer-se das evocações das estações do ano para estruturar uma narrativa fílmica é o maravilhoso Amantes no meio do mundo, 1974, do suíço Alain Tanner), Juno (2007), dirigido pelo norte-americano Jason Reitman, é uma comédia dramática que se comunica facilmente com o público. Mas, embora ambientado nas esquisitices do universo jovem de hoje, está longe de ser uma bobagem infanto-juvenil.

Boa parte dos méritos do filme vem da espontaneidade que o realizador soube imprimir ao elenco. A espontaneidade nasce da própria escolha ajustada dos intérpretes (perfeitos para os tipos cênicos que representam) e se estende na maneira como Reitman os vai dispondo em seus quadros tão ágeis quanto enxutos. Apesar de uma certa característica de facilidade americana de filmar, às vezes se tem a fugidia impressão de que o diretor aprendeu alguma coisa da sutileza européia; com o francês Eric Rohmer, por exemplo, mas sem a intelectualização dos diálogos, deixando somente uma agradável banalidade do cotidiano. Rohmer talvez seja mesmo uma evocação demasiado pesada e filosófica para um cineasta que, em seu filme, em alguns diálogos, prefere citar o italiano Dario Argento e faz duas de suas personagens assistir a um filme de horror violentissimamente sanguinário.

Se a espontaneidade de interpretar é a chave da simpatia do filme, a jovem atriz Ellen Page, na pele da adolescente que engravida de seu patético namorado eventual e decide dar o bebê a um casal para adoção, está extraordinária e quase carrega a narrativa com uma energia poucas vezes vista no cinema americano de hoje. O tema central do filme —gravidez indesejada na adolescência— tem sido tocado aqui e ali pelo cinema; em A criança (2005), dos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, um casal de adolescentes tem o filho inesperado; se Bruno, o rapaz dos Dardenne, quer vender a criança a despeito de sua namorada, obedecendo a seus instintos criminosos, Paulie, o garoto de Juno, é uma figura acovardada, bloqueada diante dos ímpetos decididos de Juno, a garota que engravida; demais, os adolescentes europeus de A criança parecem perdidos no universo, enquanto em Juno a base familiar americana ainda existe. E os Dardenne são também mais duros e ásperos que Reitman em sua abordagem (docemente americana) da questão. O final de Juno não deixa de ser demasiado conformista e conciliador ao modo dos melodramas de Hollywood; mas isto não lhe retira um sopro até certo ponto original dentro das asfixiantes fórmulas do cinema que habitualmente vemos. (Eron Fagundes)

Sinopse – Tela com texto dispensável.

Ficha Técnica – Idem.

Trailers – Dos filmes “penelope”, “O Amor Poe Dar Certo”, “Sonhando Alto”, “Lições da Vida” e “Em Busca de um Milagre”.

Trailer do Filme

Entrevistas – Há uma divisão estranha neste menu. Há entrevistas com boa parte do elenco e alguns featurettes, devidamente produzidos, que não são exatamente “entrevistas”. Os depoimentos são dos atores Elen Page (em 4 partes, totalizando 2 minutos), Michael Cera (4, 1m42s), Jason Bateman (4, 2m32s), Jennifer Garner (5, 3min), Allisonh Jannet (4, 2m50s), J.K. Simmons (4, 2m48s) e Olivia Thirby (3, 2m11s), além da roteirista Diablo Cody (4, 4m49s). Todos são divididos em pequenos trechos, claramente realizados para um aproveitamento nos featurettes disponíveis. Parece um material “bruto”, claramente sem edição. Aliás, os temas (em inglês) são apresentados no início de cada um, ou seja, são “depoimentos isolados” e não “entrevistas”. O tema mais evidente é a concepção dos personagens, ”como foi bom trabalhar com” e sobre Ellen Page, a grande estrela e motivação do filme. Há ainda os featurettes:

- Diablo Cody É Totalmente Demais – Um pequeno documentário que aborda o roteiro do filme, como foi o trabalho da escritora e roteirista, na verdade ela tinha um blog erótico e aqui se comenta o talento em se realizar o salto para um roteiro de cinema. Há então uma montagem com algumas das entrevistas anteriores com cenas do filme e de bastidores, comentando sobre o enredo e seus personagens, a reação dos atores quando leram o roteiro pela primeira vez, etc. em 8 minutos e meio.

- Jason Reitman É o Bom – Seguindo o mesmo modelo, com pouco mais de 8 minutos, desta vez o tema é o trabalho do diretor. Há também boas curiosidades sobre como ele foi o escolhido para realizar o filme e sua interação com Cody, a roteirista, além de informações relevantes, principalmente nas cenas de bastidores.

Cenas Deletadas – São 7 cenas, sem os devidos comentários do porquê ficaram de fora. Não é possível assistir a todas de uma só vez, o que totalizaria aproximadamente 13 minutos.

Falha Nossa – É o que se chama de “gag reel”, ou seja, um clipe repleto de falhas, das tradicionais risadas e/ou piadinhas fora de hora até os erros repetidos. Há momentos divertidos. Com 5 minutos.

Apresentação Animada do Elenco – Uma espécie de videoclipe com o elenco e a equipe técnica “fazendo graça” diante de uma câmera, com tema livre, com uma música devidamente legendada no fundo. Tem 3m13s.

Muito Além do Nosso Nível de Maturidade – Um outro featurette com a “observação” do menu de que é uma “entrevista, ou seja, outro erro de autoração (ou de “conceito”). Mostra como o filme lida com a adolescência, principalmente partindo do trio principal de personagens. É bem interessante, reforça o interesse do tema do filme, recheado de depoimentos e cenas de bastidores nos seus 9 minutos.

Todos os extras estão legendados e com áudio em inglês DD 2.0.

Um filme bem interessante, principalmente por ser uma produção independente com um roteiro inteligente e que foge dos tradicionais clichês, tendo Ellen page como estrela, tem a sua edição em DVD com acertos e erros. A qualidade de imagem é boa, com uma bela coloração (graças ao ótimo trabalho de fotografia do filme), mas com alguma granulação e até compressão aparente, o que por vezes parece que falta definição na imagem. O áudio também não ajuda muito, a sua distribuição em 5.1 canais se concentra bastante nos canais dianteiros e central, utilizando pouco dos canais “surround” (traseiros), apenas quando da existência da trilha sonora. O mesmo acontece na boa dublagem. Há ainda a distribuição, em ambos os idiomas, em dois canais, quando dá para se conferir que a diferença não é grande (ou seja, a trilha com 5.1 fica “devendo”). Aliás, quando na dublagem, as canções deveriam ter legendas, pois em vários casos elas complementam o filme.

Já os menus são bem simpáticos, visualmente bem realizados, mas aí vem a “grande confusão”. Primeiro, o patrocínio de uma empresa é exagerado. Além de ser tema de um menu, é apresentado também de forma acintosa no início dos créditos finais do filme. Tudo bem se ter um comercial antes dos menus, mas o exagero foi no mínimo indelicado com o espectador. Mas a maior falha está na divisão dos featurettes, mal colocados em um menu chamado de “Entrevistas”, e chamado de “entrevista” no título quando é um featurette. As imagens abaixo dos menus explicam melhor o fato. São “quase” os mesmos da edição americana, por lá há os testes de elenco, uma trilha em áudio com comentários do diretor e da roteirista, também disponíveis nas cenas excluídas e um featurette chamado “Honest to Blog! Crediting Juno Featurette”. Isso sem comentar que há um segundo disco, onde o filme pode ser “transferido” para outros formatos digitais, como I-pods, sem custos extras. Por outro lado, as “entrevistas” apresentadas por aqui não existem por lá no mesmo formato, afinal, nem há razão delas existirem, pois estão nos documentários, melhor editadas.

No geral, o filme é tão carismático que vale a sua locação. Mesmo porque apesar das “confusões” de onde estão os materiais extras, o tema é interessante e Ellen Page por si só sustenta a qualidade e faça com que você o assista. Ou reveja.
 
Por Edinho Pasquale em 04/07/2008
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