2 Filhos de Francisco(2 Filhos de Francisco)
Ângelo Antônio, Jackson Antunes, Luciano di Camargo, Zezé di Camargo, Lima Duarte, Paloma Duarte, José Dumont, Marcos Henrique, Márcio Kieling, Natália Lage, Wigor Lima Thiago Mendonça, Dablio Moreira, Dira Paes
Breno Silveira
2005
Brasil
129 minutos

Incentivados pelo pai Francisco, lavrador do interior de Goiás cujo sonho aparentemente impossível é transformar dois se seus nove filhos, numa famosa dupla sertaneja, Mirosmar aprendeu acordeão e Emival, violão. Para ajudar nas despesas, os meninos tocam na rodoviária, onde conhecem um empresário que consegue fazer deles um sucesso no interior do Brasil até um acidente iterromper a carreira da dupla. Anos mais tarde, Mirsomar volta a cantar, vira Zezé Di Camargo, mas a fama só chega quando se junta ao irmão Welson (Luciano), o parceiro perfeito para concretizae a profecia de seu pai.

Drama
Sony Pictures
07/12/2005
Inglês, Português,
Espanhol
  

 
 

Há algum tempo estava se criando um boca a boca em torno desta produção da Conspiração em parceria com os cantores sertanejos Zezé de Camargo e Luciano. Todos os boatos são verdadeiros. Sem preconceitos (confesso que não gosto desse estilo de música), é até agora o melhor filme nacional do ano, o mais bem resolvido e mais eficiente. Até eu, ao final fiquei emocionado, com a voz embargada. Uma excelente estréia na direção do fotografo Breno Silveira (O Homem do Ano, Eu Tu Eles, Carlota Joaquina).

Confesso que incrédulo fiquei procurando por defeitos no filme. Só mesmo com má vontade se pode reclamar um pouco da metragem um pouco longa, de um ou outro ator, que de vez em quando se engana de sotaque. Fora disso, os realizadores tomaram todas as decisões certas. É raro se ver um filme com um elenco tão bem escalado, dos protagonistas aos coadjuvantes. Acho que me ajudou na avaliação também o fato de conhecer pessoalmente a dupla Zezé de Camargo e Luciano (que é confesso apaixonado por cinema e também muito bem informado). Eles me impressionaram não apenas pelo profissionalismo, como pelo carinho que tem com os fãs, com os colegas (foram especialmente gentis com minha mãe, coisa que a gente não esquece) e até pelas qualidades vocais. Foi uma esplendida idéia não fazer um filme sobre a dupla, apenas aproveitando a popularidade deles (como sucedeu outras vezes, com Milionário e Zé Rico, por exemplo) mas contar a história de sua família, de como eles lutaram para sobreviver sem nunca desistir do sonho do pai deles, o Seu Francisco, que queria que os filhos se tornassem cantores famosos. Assim, seguindo um pouco a velha tradição dos antigos musicais de Hollywood, é a história da busca pelo sucesso, enfrentando toda sorte de problemas e dificuldades, fome necessidades até tragédias, para finalmente conseguirem o que sonharam (e ao final, vermos a dupla e os pais nos ambientes onde se desenrolou a história, já que houve a preocupação de serem o mais fieis possíveis, noventa e cinco por cento dos lugares e fatos são autênticos).

Dizem que a mãe da dupla reclamou um pouco magoada de que o roteiro tenha se concentrado demais na figura do pai, que é aquela figura obstinada que obriga os filhos a treinarem, aprenderem a tocar e cantar, quase de forma autodidata. E também um pouco cruel (apesar de no final das contas ter razão). Quem o faz é Ângelo Antonio que acerta na sua criação, certamente ajudado por Dira Paes que como sempre é uma figura repleta de dignidade e humanismo. E na trajetória deles, terá um irmão que sofre de paralisia infantil, um empresário malandro (José Dumont dá um show no papel do vigarista que primeiro perde a cabeça e depois se arrepende. Que ator magnífico!).

Depois de um reviravolta (prefiro não especificar porque poucos sabem os detalhes da vida deles), o filme se fixa na figura do filho mais novo, o Luciano que embora menos dotado, move céus e terras para dar certo (quem o interpreta é um ator estreante mas que se sai muito bem, o estreante Thiago Mendonça). Tanto ele quanto Marcio Kiesling como o Zezé Adulto, são muito parecidos com os originais, (convencendo inteiramente).

Além de bem fotografado e montado, o filme tem a mão de Caetano Veloso resultando numa trilha muito funcional e de bom gosto com a participação de Bethânia e Ney Matogrosso, dentre outros. Será uma pena se este Os 2 Filhos de Francisco atingir apenas o publico da dupla. É uma história positiva e muito bom cinema. (por Rubens Ewald Filho)

Making Of: bem honesto, nos seus 23 minutos, se iniciando como um documentário, com cenas do filme. Logo depois, há o depoimento do novato Diretor, seguido do mesmo formato com mais cenas e depoimentos da equipe toda. Apesar de todo o apelo de Marketing que poderia haver, há um sinal de sinceridade, complementar ao filme, com muitas cenas de bastidores e algumas curiosidades.

Documentário Zezé Di Camargo & Luciano: este sim talvez seja o mais marketeiro dos extras, com a dupla em suposta viagem pelo país falando deles mesmos, mesmo que com elementos de bastidores, nos seus 14 minutos. Um “clipão” dos protagonistas, como não poderia deixar de existir para seus fãs.

Erros de Gravação: clipe com 3 bem editados minutos com alguns dos erros de interpretação, alguns até divertidos. Pueril, inocentes, como pede o tipo de filme.

Cenas Excluídas: 4 cenas que ficaram de fora da edição final do filme, pena que sem os devidos comentários ou explicações do porquê ficaram de fora, embora algumas sejam evidentes.

Galeria de Fotos: mais um clipe de mais de 2 minutos com imagens, sem identificação, de cenas do filme e de seus bastidores, aceitável.

Se você é fã da dupla ou do estilo musical, nem é preciso dizer o quanto você irá apreciar este DVD. Se não for, caso tenha até repudia, deixe os seus preconceitos de lado, não ouça com preconceito a trilha sonora e você poderá se surpreender. È um bom filme, retratando (parte) da nossa realidade. O DVD tem uma imagem boa, um pouco granulada, mas não confunda a informação da embalagem, por falta de padronização de mercado. Ela está em widescreen, adaptada para quem tem TV neste formato (ou seja, Letterbox para quem não tem, daí a confusão). Resumindo, o que temos de padrão: wide adaptado para TV em wide, anamórfico O som tem duas oportunas e boas edições, para apenas dois canais, bem otimizados (para os que querem assistir ao filme apenas numa TV em estéreo) ou em multicanais, bem distribuídos para quem tem um home-theater, embora não muito brilhante. Mas agrada, pela boa captação de áudio de um filme nacional, sempre um problema. Os menus são bem feitos, animados. Os extras, de bom tamanho para uma edição inicial, com informações bem desejáveis, tanto para quem loca o filme, quanto para quem quer tê-lo em casa a um preço em conta, a grande sacada da distribuidora. Claro que haverá uma “edição especial” quando da participação do filme no Oscar®, mas claramente oportuna apenas para os mais fanáticos. Esta edição é suficiente, honesta, para os fãs do filme. Senão não teria, apesar do massivo apoio de marketing e apelo comercial, vendido mais de 400 mil cópias para os lojistas. Na dúvida, alugue. Se gostar, compre ou, nos casos especiais, espere por uma edição mais caprichada. Mas nunca compre a versão Pirata. Ela não vale o quanto pesa. Altamente recomendável.
 
 
Por Edinho Pasquale em 09/12/2005
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